Capa do Suculentas e cactos

Suculentas e cactos · 7 capítulos

Suculentas e cactos

Sol, rega na medida e mudas fáceis para plantas que guardam água

Sobre o guia

Um guia para entender e cuidar de suculentas e cactos: onde elas guardam água, quanta luz precisam, como regar sem afogar, qual substrato e vaso usar, como fazer mudas de folha, de galho e de filhote, como resolver os problemas mais comuns e quais são os cactos brasileiros, com atenção à conservação e à segurança de crianças e bichos.

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Feitas para guardar água

Suculentas são as campeãs de vendas em floriculturas e as preferidas de quem diz que "mata qualquer planta". A fama de fáceis tem fundamento, mas tem uma pegadinha: elas são fáceis quando a gente entende como vivem. E quase tudo nelas gira em torno de uma ideia só: guardar água.

Plantas que são caixa-d'água

Suculenta não é uma família de plantas, é um jeito de viver. Como explica a Epamig, a empresa de pesquisa agropecuária de Minas Gerais, são espécies capazes de armazenar água nos caules, nas folhas ou nas raízes. Muitas vêm de lugares secos, onde a chuva é rara e o sol é forte, e esse estoque é o que as mantém vivas entre uma chuva e outra.

Três painéis mostrando onde as suculentas guardam água: nas folhas, como as echevérias, a babosa e o kalanchoe; no caule, como os cactos, entre eles o mandacaru; e na base e nas raízes, como a rosa-do-deserto.
Folha gorda, caule grosso ou base inchada: tudo isso é reserva de água.

Todo cacto é uma suculenta, mas nem toda suculenta é cacto. Os cactos são uma família, a das cactáceas, que guarda água no caule. Na maioria deles, as folhas largas desapareceram e é o caule verde que faz a fotossíntese.

Respirar à noite

Muitas suculentas têm um truque para não desperdiçar a água que guardam. As plantas respiram por pequenos poros nas folhas, os estômatos, e toda vez que eles se abrem, um pouco de água escapa. A maioria das plantas abre esses poros de dia. Muitas suculentas fazem o contrário: abrem à noite, quando o ar é mais fresco e úmido, guardam o gás carbônico e usam durante o dia, com os poros fechados.

Dois painéis. De dia: poros fechados, a suculenta quase não perde água e usa o gás guardado para a fotossíntese. De noite: poros abertos no ar fresco, a planta puxa e guarda o gás carbônico.
Esse jeito de fazer fotossíntese se chama metabolismo CAM.

Esse jeito de fazer fotossíntese tem um nome técnico, metabolismo ácido das crassuláceas, ou CAM. Um artigo da Universidade Federal do Rio de Janeiro explica que ele aparece em mais de 30 famílias de plantas e costuma estar ligado à economia de água. Junto com a reserva de água, é isso que permite a uma suculenta passar dias sem rega sem reclamar.

Vídeo: Cereus jamacaru, Mandacaru, cacto da caatinga #Braziliancactus · Juracy Ribeiro · 4 min

O Brasil dos cactos

Quando se fala em cacto, muita gente pensa no México. Mas o Brasil é um dos grandes centros de diversidade da família. Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais lembra que o país tem 131 espécies de cactos ameaçadas em nível mundial, das quais 108 só existem aqui. O mandacaru, símbolo da Caatinga, é tão adaptado à seca que a Embrapa estuda seu cultivo como alimento para os rebanhos nos anos secos do Semiárido.

Nem todo cacto brasileiro vive no sertão. A flor-de-maio, por exemplo, é um cacto sem espinhos que vive sobre árvores da Mata Atlântica. Você vai conhecer melhor essas espécies no último capítulo.

Você sabia?

Quase todos os cactos do mundo são nativos das Américas. A exceção é o Rhipsalis baccifera, um cacto pendente que também ocorre naturalmente na África e no Sri Lanka, segundo um estudo publicado na revista Scientific Reports. Muitas espécies do gênero Rhipsalis vivem penduradas em árvores das matas brasileiras.

Na prática

Conheça as suas suculentas:

  1. Para cada suculenta que você tem, descubra onde ela guarda água: nas folhas, no caule ou na base.
  2. Separe os cactos das outras suculentas. As fichas de plantas do Cultivar dizem a família de cada uma.
  3. Anote de onde cada uma vem (deserto, Caatinga, Mata Atlântica). Essa origem vai guiar os cuidados dos próximos capítulos.

Fontes

  1. Epamig / Secretaria de Agricultura de Minas Gerais. Confira dicas de plantio, adubação e irrigação de suculentas. mg.gov.br, 2022.
  2. Reinert, F.; Blankenship, R. E. Evolutionary aspects of crassulacean acid metabolism. Oecologia Australis, v. 14, n. 2 (UFRJ), 2010.
  3. Nunes, B. C. Conservação de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção: estudo de caso sobre cactáceas brasileiras. UFMG (dissertação de mestrado), 2019.
  4. Guedes, F. L. et al. Cultivo de mandacaru (Cereus spp) em Caatinga raleada (Comunicado Técnico 181). Embrapa Caprinos e Ovinos, 2018.
  5. Correa-Cano, M. E. et al. Erosion of natural darkness in the geographic ranges of cacti. Scientific Reports, v. 8, 2018. (em inglês)

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O que todas as suculentas têm em comum?

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Sol: a comida das suculentas

Se existe um segredo para suculentas bonitas, é este: luz. A maioria vem de lugares abertos e ensolarados, e dentro de casa, longe da janela, elas definham devagar. A Sociedade Real de Horticultura resume: a maior parte dos cactos e suculentas gosta de sol pleno.

A planta mostra quanta luz recebe

Uma suculenta conta, pelo formato e pela cor, se está no lugar certo. A pesquisadora Ângela Nascimento, da Epamig, explica que a falta de luz deixa as plantas estioladas: o caule estica, as folhas se espaçam, a cor fica pálida, e a planta perde a forma compacta que a deixava bonita. Quando há luz de sobra, algumas espécies ganham tons de vermelho e laranja, por causa de pigmentos chamados antocianinas e carotenoides.

Três suculentas. Com pouca luz: esticada, pálida, com as folhas espaçadas. Com luz certa: compacta, firme, às vezes com bordas avermelhadas. Com sol de repente: manchas queimadas nas folhas de cima.
Rosetas compactas e cores fortes são sinal de luz boa.

Mudar a planta para um lugar com mais luz corrige o crescimento que vem daí para frente. A parte que já esticou pode ser aproveitada para fazer mudas, como você vai ver no capítulo de multiplicação.

Vídeo: Suculentas estioladas. E agora? · Cultivando · 17 min

Onde colocar

  • Parapeito de janela que pega sol direto, de preferência voltada para o norte, que na maior parte do Brasil recebe sol durante boa parte do ano.
  • Varanda ou área externa ensolarada, protegida da chuva forte, que encharca o vaso.
  • Dentro de casa, longe da janela, só as que aceitam meia-sombra, como a espada-de-são-jorge, que vai bem no sol ou na meia-sombra, e a flor-de-maio, que na natureza vive sobre árvores da mata.

A Epamig lembra que algumas suculentas preferem ambientes mais sombreados e muitas sobrevivem nas duas condições. Na dúvida, observe: a planta esticando é pedido de mais luz; folhas queimadas são aviso de sol demais.

Aclimatar antes de pôr no sol

Aqui está o erro mais comum de quem acabou de comprar uma suculenta. Ela vem de uma estufa sombreada ou da prateleira do supermercado, vai direto para o sol forte da varanda e, em poucos dias, aparece com manchas marrons e secas: queimou. A Epamig recomenda expor a planta nova às condições novas aos poucos, para que se adapte.

Na prática, comece pelo sol da manhã, mais suave, e vá aumentando o tempo de sol ao longo de algumas semanas. Faça o mesmo quando tirar uma planta de dentro de casa para a varanda, ou depois de uma temporada de dias nublados.

Você sabia?

Quem vê uma echevéria com as pontas vermelhas pode achar que ela está doente, mas costuma ser o contrário. A Epamig explica que algumas espécies, quando recebem muita luz, produzem pigmentos como antocianinas e carotenoides e ganham tons de vermelho e laranja. É um sinal de que a planta está recebendo bastante sol.

Na prática

Encontre o melhor lugar para as suas suculentas:

  1. Procure o canto mais ensolarado da casa usando o teste da sombra: sombra nítida da mão ao meio-dia indica luz forte.
  2. Olhe cada suculenta: está esticada, pálida, inclinada? Mude para um lugar com mais luz.
  3. Se for colocar no sol direto, comece com uma ou duas horas de sol da manhã e aumente aos poucos, olhando as folhas a cada dia.

Fontes

  1. Epamig / Secretaria de Agricultura de Minas Gerais. Confira dicas de plantio, adubação e irrigação de suculentas. mg.gov.br, 2022.
  2. Royal Horticultural Society. How to grow cacti and succulents. RHS. (em inglês)
  3. Royal Horticultural Society. How to grow sansevierias. RHS. (em inglês)

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Sua suculenta está comprida, pálida e com as folhas espaçadas. O que ela precisa?

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Regar pouco, mas bem

Suculenta morre muito mais de água demais do que de falta de água. Com tanta reserva guardada nas folhas e no caule, ela aguenta bem alguns dias de terra seca. O que ela não aguenta é ficar com as raízes molhadas o tempo todo: elas apodrecem, e a podridão sobe pelo caule. A Sociedade Real de Horticultura lembra que o excesso de rega danifica as raízes e pode levar ao apodrecimento.

Encharcar e esperar secar

O ritmo de rega das suculentas é diferente do das folhagens. Em vez de pouca água com frequência, elas preferem muita água de vez em quando:

Três vasos com suculentas mostrando o ciclo de rega. Regue bem, até a água sair pelos furos. Espere, enquanto a terra vai secando. Seca por inteiro: só então regue de novo.
Muita água de uma vez, e depois tempo para secar.
  1. Regue bem, despejando água devagar até ela sair pelos furos do fundo.
  2. Espere a terra secar por completo. A pesquisadora Thais Sales, da Epamig, é direta: as plantas devem ser regadas somente quando o substrato estiver completamente seco.
  3. Só então regue de novo.

Como saber se secou por inteiro? Enfie um palito de churrasco até o fundo do vaso e tire: se sair limpo e seco, pode regar. Levantar o vaso também ajuda: seco, ele fica bem mais leve.

Vídeo: Como Regar e Cuidar dos Cactos e Suculentas [Guia Completo] · Pomar e Horta Sustentáveis · 9 min

Quantos dias?

Não existe um número certo. A Epamig explica que a frequência varia de acordo com o lugar e a estação do ano. Num vaso pequeno de barro, no sol forte do verão, a terra pode secar em poucos dias. Num vaso grande de plástico, dentro de casa, no inverno, pode levar semanas. Por isso, olhe a terra, e não o calendário.

No frio, quase nada

Nos meses mais frios e com menos luz, as suculentas crescem pouco e gastam pouca água. A Sociedade Real de Horticultura recomenda, para a maioria dos cactos e suculentas, um período de descanso no inverno com pouca ou nenhuma rega, só o bastante para a planta não murchar. No Brasil, onde o inverno é ameno em boa parte do país, isso significa regar bem menos do que no verão, e não necessariamente parar de vez. No Sul e nas serras, com noites frias, a terra molhada no frio é o pior cenário.

Cuidados que fazem diferença

  • Vaso com furo, sempre. Num vaso sem furo, a água que sobra fica parada no fundo e apodrece as raízes.
  • Nada de pratinho com água parada embaixo do vaso.
  • Cuidado com o borrifador. Borrifar as folhas não substitui a rega e só molha a superfície.

Você sabia?

As folhas e o caule de uma suculenta funcionam como um medidor de água. Quando a reserva baixa, as folhas ficam mais finas e enrugadas, e depois de uma rega bem feita voltam a encher. Folhas murchas com a terra úmida contam outra história: provavelmente é água demais, como você vai ver no capítulo de problemas.

Na prática

Ajuste o ritmo de rega das suas suculentas:

  1. Escolha uma suculenta e regue bem, até a água sair pelos furos. Anote a data.
  2. A cada dois ou três dias, faça o teste do palito até o fundo do vaso. Anote quando ele sair seco.
  3. Repita a rega só nesse dia. Em poucas semanas você vai conhecer o ritmo de cada vaso, e ele vai mudar de uma estação para outra.

Fontes

  1. Epamig / Secretaria de Agricultura de Minas Gerais. Confira dicas de plantio, adubação e irrigação de suculentas. mg.gov.br, 2022.
  2. Royal Horticultural Society. How to grow cacti and succulents. RHS. (em inglês)

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Qual é o ritmo certo de rega para uma suculenta?

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Substrato e vaso

Para uma planta que morre de excesso de água, o substrato e o vaso são metade do cuidado. Um substrato que seca rápido e um vaso que deixa a água sair perdoam muitos erros de rega. Um substrato pesado e um vaso sem furo transformam qualquer rega numa ameaça.

Substrato que drena rápido

A pesquisadora Thais Sales, da Epamig, explica que o substrato das suculentas precisa ter boa drenagem, porque os que acumulam muita água podem apodrecer as raízes. A sugestão dela é simples: misturar um terço de areia lavada com o substrato ou a terra vegetal. A Sociedade Real de Horticultura chega à mesma proporção: duas partes de substrato para uma de areia grossa ou pedrisco.

Receita de substrato para suculentas: duas partes de substrato ou terra vegetal mais uma parte de areia lavada, num vaso com furo.
Areia lavada, e não areia de praia, que tem sal.

Use areia grossa e lavada, de construção. Areia de praia não serve, porque traz sal. No lugar da areia, dá para usar pedrisco, perlita ou casca de arroz carbonizada, que também abrem espaço para o ar. A Sociedade Real de Horticultura cita o pedrisco local como uma boa alternativa à perlita. Os substratos prontos vendidos para cactos e suculentas já vêm com essa textura mais grossa.

Vídeo: COMO PLANTAR SUCULENTAS · Vando e Fabi Cactus e Suculentas · 18 min

Furo no fundo, e nada de pedra embaixo

O furo no fundo é obrigatório. Já a camada de pedras ou brita no fundo do vaso, tão recomendada por aí, não ajuda: as extensões rurais das universidades de Illinois e do Arizona explicam que a água empoça em cima das pedras e só desce quando a terra acima está encharcada. O que drena é o furo e um substrato arejado do fundo ao topo. Para a terra não escapar, uma telinha sobre o furo resolve.

Barro é o melhor amigo das suculentas

O vaso de barro sem verniz deixa a umidade evaporar pelas paredes, então a terra seca mais rápido, segundo a extensão da Universidade do Arizona. Para suculentas, isso é uma vantagem enorme. Vasos de plástico, cerâmica esmaltada ou vidro seguram a água por mais tempo e pedem ainda mais cuidado com a rega.

Quanto ao tamanho, escolha um vaso só um pouco maior que a planta. A Sociedade Real de Horticultura alerta que, num vaso grande demais, o excesso de terra fica úmido por muito tempo e pode causar podridão.

Trocar de vaso

Suculentas crescem devagar e não precisam trocar de vaso com frequência. Faça a troca quando as raízes ocuparem todo o vaso, de preferência no começo da primavera, como recomenda a Sociedade Real de Horticultura. Para segurar cactos com espinhos, a mesma instituição sugere tiras grossas de jornal dobrado, usadas como pinça, ou uma luva de cozinha.

Você sabia?

Para quem quer juntar várias suculentas num arranjo, a Sociedade Real de Horticultura sugere um recipiente só do tamanho necessário ou um terrário aberto. O terrário fechado, tão bonito nas lojas, é outra história: sem furo e com o ar úmido preso lá dentro, a água não tem para onde ir, o oposto do que uma suculenta precisa.

Na prática

Prepare um bom lar para uma suculenta:

  1. Misture o substrato da receita da Epamig: duas partes de substrato ou terra vegetal para uma de areia lavada.
  2. Escolha um vaso de barro com furo, só um pouco maior que a planta, e coloque uma telinha sobre o furo.
  3. Plante, firme a terra com os dedos e coloque o vaso no lugar mais ensolarado que você encontrou no capítulo 2.

Fontes

  1. Epamig / Secretaria de Agricultura de Minas Gerais. Confira dicas de plantio, adubação e irrigação de suculentas. mg.gov.br, 2022.
  2. Royal Horticultural Society. How to grow cacti and succulents. RHS. (em inglês)
  3. Davison, E. Indoor plant selection and care (AZ1025). University of Arizona Cooperative Extension, 1998. (em inglês)
  4. University of Illinois Extension. Container drainage options. Illinois Extension. (em inglês)

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Qual a receita de substrato da Epamig para suculentas?

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Mudas de folha, de galho e de filhote

Uma das grandes graças das suculentas é que elas se multiplicam com uma facilidade impressionante. A pesquisadora Ângela Nascimento, da Epamig, lembra que essa facilidade é um dos atrativos que estimulam as trocas e as coleções. De uma folha caída pode nascer uma planta inteira.

Três jeitos de fazer mudas

Três jeitos de multiplicar suculentas. Folha: solte uma folha inteira e deite sobre a terra; dela saem raízes e uma mudinha. Galho ou cabeça: corte, deixe cicatrizar e plante a ponta. Filhotes: separe as mudinhas que nascem na base da planta.
Em todos os casos, deixe o corte secar antes de plantar.

De folha

A Epamig explica que a maioria das suculentas se propaga por folha. Funciona muito bem com echevérias, sedum, planta-jade e graptopetalum:

  1. Solte uma folha saudável inteira, torcendo de leve para ela sair junto com a base, sem rasgar.
  2. Deixe a folha descansar num lugar seco até a ponta cicatrizar. A Sociedade Real de Horticultura diz que isso leva de um dia a uma semana, dependendo da planta.
  3. Deite as folhas sobre o substrato levemente úmido, sem enterrar, num lugar claro e sem sol forte.
  4. Borrife a terra de leve quando ela secar. Em algumas semanas, aparecem raízes e uma mudinha na base da folha.
  5. Quando a mudinha tiver raízes e a folha-mãe murchar, plante a muda no seu vaso.
Vídeo: Como fazer mudas de SUCULENTAS · Jardim da Mari Sol · 9 min

De galho ou de cabeça

Esse é o jeito de salvar uma suculenta estiolada, que esticou por falta de luz. Corte a roseta de cima com uns centímetros de caule, tire as folhas de baixo para deixar um pedaço de caule limpo, espere alguns dias o corte cicatrizar e plante o caule no substrato. A base que ficou no vaso costuma rebrotar com novas cabecinhas. O mesmo vale para cactos de galhos e para a espada-de-são-jorge, que se multiplica por pedaços de folha: a Sociedade Real de Horticultura recomenda deixar os pedaços um ou dois dias num lugar seco para o corte cicatrizar antes de plantar.

De filhotes

Muitas suculentas, como babosas, haworthias e muitas echevérias, soltam filhotes em volta da base. A Epamig cita essa separação das mudas da base como outro jeito comum de propagar. Quando o filhote já tiver raízes próprias, separe-o com cuidado, na hora de trocar o vaso, e plante num vaso pequeno.

O segredo comum: cicatrizar

Em todos os casos, o passo que mais evita perdas é deixar o corte secar antes de pôr na terra. Um corte fresco em contato com terra úmida é porta aberta para fungos e podridão. E nas primeiras semanas, a muda prefere luz clara sem sol forte e terra só levemente úmida, até as raízes se formarem.

Você sabia?

A Sociedade Real de Horticultura cita as folhas carnudas das echevérias e das crássulas, o gênero da planta-jade, como das mais fáceis para fazer estaca de folha. Como cada folha pode virar uma muda, uma única planta saudável rende mudas para presentear vários amigos.

Na prática

Faça a sua primeira bandeja de mudas:

  1. Separe de cinco a dez folhas inteiras de uma suculenta saudável e deixe cicatrizando por alguns dias.
  2. Deite as folhas numa bandeja ou vaso raso com substrato de suculenta levemente úmido, num lugar claro.
  3. Acompanhe toda semana e anote quando aparecem as primeiras raízes e as primeiras mudinhas. Quando estiverem firmes, dê algumas de presente.

Fontes

  1. Epamig / Secretaria de Agricultura de Minas Gerais. Confira dicas de plantio, adubação e irrigação de suculentas. mg.gov.br, 2022.
  2. Royal Horticultural Society. How to grow cacti and succulents. RHS. (em inglês)
  3. Royal Horticultural Society. How to grow sansevierias. RHS. (em inglês)

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O que fazer com uma folha de suculenta antes de colocar na terra?

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Quando algo dá errado

Suculentas costumam avisar cedo quando algo vai mal, e quase sempre o problema é um destes quatro: água demais, luz de menos, sol de repente ou cochonilha. Saber ler os sinais evita perder a planta.

Tabela de problemas. Folhas moles e base escura: água demais, pare de regar e confira a raiz. Folhas murchas e enrugadas com a terra seca: falta de água, regue bem. Planta esticada, pálida e com folhas espaçadas: pouca luz, mais sol aos poucos. Manchas marrons e secas nas folhas de cima: queimadura por sol demais de uma vez. Tufos brancos como algodão: cochonilha, cotonete com álcool.
Antes de agir, olhe a terra: úmida ou seca muda tudo.

Podridão: o problema mais grave

Quando a terra fica úmida por muito tempo, as raízes apodrecem e a podridão sobe para o caule. A Sociedade Real de Horticultura alerta que o excesso de rega danifica as raízes e pode causar podridão, e que um vaso grande demais, com terra sobrando, aumenta o risco. Os sinais são folhas moles que caem com um toque, a base do caule escura e mole e, às vezes, cheiro ruim.

O que fazer: pare de regar e tire a planta do vaso. Se as raízes estiverem escuras e moles, corte as partes podres com uma faca limpa até chegar ao tecido firme e claro. Se a podridão já tomou o caule, ainda dá para salvar a planta: corte a parte de cima que está sadia, deixe cicatrizar e trate como uma muda, como no capítulo anterior. Folhas sadias também podem virar mudas.

Vídeo: RECUPERE SUA SUCULENTA. Jeito mais rápido e fácil de RESOLVER · Suculentas da Creusa - Cultivando Amor · 18 min

Murcha por falta de água

O contrário também acontece, principalmente no verão ou em vasos pequenos ao sol. As folhas ficam finas, enrugadas e murchas, e a terra está seca. A solução é simples: uma rega farta, até a água sair pelos furos. Se a terra secou demais e a água escorre pela borda sem molhar, deixe o vaso de molho numa bacia por alguns minutos e depois escorra bem.

Esticada e pálida

É o estiolamento, que você conheceu no capítulo de luz: falta sol. A pesquisadora Ângela Nascimento, da Epamig, lembra que ele faz a planta perder suas características ornamentais. Leve a suculenta para um lugar mais iluminado, aos poucos, e aproveite a parte esticada para fazer mudas.

Manchas queimadas

Manchas marrons, secas e duras nas folhas viradas para o sol aparecem quando a planta passa de repente da sombra para o sol forte. A Epamig cita justamente esse dano em plantas que saem de supermercados e estufas sombreadas direto para o sol. As manchas não somem, mas a planta se recupera se for aclimatada aos poucos. As folhas novas já saem adaptadas.

Cochonilha

Pequenos tufos brancos, como algodão, entre as folhas, nas axilas e até nas raízes: é a cochonilha, praga muito comum em suculentas e cactos. Ela suga a seiva, enfraquece a planta e solta um líquido açucarado onde cresce um fungo preto. A extensão da Universidade Estadual de Iowa recomenda, para infestações leves, passar um cotonete com álcool em cada cochonilha e lavar a planta com um jato de água. Separe a planta das outras e repita por algumas semanas.

Você sabia?

A cochonilha é tão difícil de eliminar que a extensão da Universidade Estadual de Iowa faz uma recomendação honesta: numa planta muito atacada e de pouco valor, muitas vezes o melhor é descartá-la antes que a praga passe para as outras. Com suculentas, há uma saída melhor: aproveite uma folha ou um pedaço sadio e limpo para fazer uma muda nova.

Na prática

Faça o check-up das suas suculentas:

  1. Aperte de leve as folhas de baixo de cada planta: firmes é bom sinal; moles e escuras, alerta de podridão.
  2. Olhe entre as folhas e na base procurando tufos brancos de cochonilha.
  3. Para cada problema que encontrar, use a tabela do capítulo e anote o que vai fazer. No app Cultivar, você também pode tirar uma foto e pedir um diagnóstico.

Fontes

  1. Royal Horticultural Society. How to grow cacti and succulents. RHS. (em inglês)
  2. Epamig / Secretaria de Agricultura de Minas Gerais. Confira dicas de plantio, adubação e irrigação de suculentas. mg.gov.br, 2022.
  3. Iowa State University Extension. How do I control mealybugs on a houseplant?. Yard and Garden. (em inglês)

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As folhas de baixo caem com um toque e a base do caule está escura e mole. O que é?

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Cactos do Brasil, flores e segurança

Para fechar o guia, vale olhar para as suculentas e os cactos que nasceram aqui. O Brasil é um dos grandes centros de diversidade dos cactos, com muitas espécies que não existem em nenhum outro lugar, e algumas das plantas mais queridas das varandas brasileiras são nativas daqui.

Quatro cactos brasileiros. Flor-de-maio: cacto sem espinhos que vive sobre árvores da Mata Atlântica. Mandacaru: símbolo da Caatinga, usado como forragem na seca. Rhipsalis: cacto pendente das matas, com uma espécie que também vive na África. Coroa-de-frade, ou Melocactus: o Brasil tem mais da metade das espécies do gênero. Um aviso pede para comprar de produtores e nunca retirar cactos da natureza, porque muitos estão ameaçados.
Cactos brasileiros vivem do sertão às florestas.

Flor-de-maio: o cacto da mata

A flor-de-maio é um cacto sem espinhos, nativo do Brasil, que na natureza vive sobre árvores, como as orquídeas e as bromélias. Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná a descrevem como uma espécie epífita muito apreciada pela beleza das flores. Por vir da sombra úmida da mata, ela se cuida de um jeito diferente das suculentas do sol: gosta de luz clara sem sol forte e de um substrato leve, que drena bem, mas não pode secar por tanto tempo quanto um cacto do sertão. Os botões de flor se formam quando os dias ficam mais curtos e a temperatura cai, explica a Sociedade Real de Horticultura. Por isso, luz de lâmpada acesa sobre a planta à noite e calor demais no outono podem impedir a floração, e mudanças bruscas de temperatura fazem os botões caírem.

Vídeo: Flor de maio gosta de sol ou de sombra? Veja como CUIDAR e PLANTAR · Jardim da Mari Sol · 10 min

Mandacaru e coroa-de-frade: o sertão

O mandacaru é o cacto que virou símbolo da Caatinga. É tão resistente à seca que a Embrapa estuda seu cultivo como reserva de alimento para os rebanhos nos anos mais secos do Semiárido. Já a coroa-de-frade, do gênero Melocactus, é aquele cacto redondo que forma um "chapéu" no topo: segundo um estudo publicado na revista Plants, o Brasil concentra 55% das espécies do gênero no mundo, a maioria no Nordeste.

Cactos ameaçados

Essa riqueza está em risco. Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais aponta que o Brasil tem 131 espécies de cactos ameaçadas em nível mundial, das quais 108 só existem aqui. Um estudo internacional publicado na revista Nature Plants, em 2015, mostrou que cerca de um terço das espécies de cactos do mundo está ameaçado, e apontou a coleta de plantas e sementes na natureza para o comércio e para coleções como uma das principais causas.

Por isso, a regra é simples: compre cactos e suculentas de produtores e viveiros, que multiplicam as plantas por sementes e mudas, e nunca retire cactos da natureza, nem em viagens.

Suculentas, crianças e bichos

Nem toda suculenta é segura para quem morde plantas. Segundo a base de plantas da ASPCA, a organização americana de proteção animal, o kalanchoe, a planta-jade, a rosa-do-deserto e a babosa são tóxicos para cães e gatos. Já a flor-de-maio, o rabo-de-burro e a haworthia aparecem como não tóxicos.

Duas colunas, segundo a base de plantas da ASPCA, para cães e gatos. Tóxicas: kalanchoe, planta-jade, rosa-do-deserto e babosa. Não tóxicas: flor-de-maio, rabo-de-burro e haworthia. Embaixo: suspeita de intoxicação, Disque-Intoxicação 0800 722 6001, da Anvisa.
Coloque as tóxicas fora do alcance de crianças pequenas e bichos.

Em caso de suspeita de intoxicação, procure atendimento e, se possível, leve a planta para identificação. O Disque-Intoxicação da Anvisa atende de graça pelo 0800 722 6001.

Você sabia?

No exterior, a flor-de-maio é chamada de cacto-de-natal. Lá no hemisfério norte, os dias encurtam e esfriam a partir de setembro, e as flores aparecem perto do fim do ano. No Brasil, com as estações invertidas, esse mesmo encurtamento dos dias acontece no outono, e a planta floresce por volta de maio, daí o nome brasileiro.

Na prática

Leve um pedaço do Brasil para casa:

  1. Procure uma flor-de-maio ou um Rhipsalis num viveiro e coloque num lugar de luz clara, sem sol forte.
  2. Confira a toxicidade das suculentas da sua casa na tabela do capítulo, se houver crianças pequenas ou bichos.
  3. Na próxima compra, pergunte ao vendedor de onde vêm as plantas e prefira mudas produzidas em viveiro.

Fontes

  1. Leal, L.; Biondi, D.; Nunes, J. R. S. Propagação por sementes de Schlumbergera truncata (Haw.) Moran (flor-de-maio) em diferentes substratos. Acta Scientiarum. Biological Sciences, v. 29, n. 3 (UFPR), 2007.
  2. Royal Horticultural Society. How to grow Christmas cactus. RHS. (em inglês)
  3. Guedes, F. L. et al. Cultivo de mandacaru (Cereus spp) em Caatinga raleada (Comunicado Técnico 181). Embrapa Caprinos e Ovinos, 2018.
  4. Magnani, M. F. C. et al. Light and ethephon overcoming seed dormancy in friar's crown (Melocactus zehntneri, Cactaceae), a Brazilian cactus. Plants, v. 12, 2023. (em inglês)
  5. Nunes, B. C. Conservação de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção: estudo de caso sobre cactáceas brasileiras. UFMG (dissertação de mestrado), 2019.
  6. Goettsch, B. et al. High proportion of cactus species threatened with extinction. Nature Plants, v. 1, 2015. (em inglês)
  7. ASPCA. Toxic and non-toxic plants (Animal Poison Control). ASPCA. (em inglês)
  8. Anvisa. Disque intoxicação. gov.br/anvisa.

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