
A roça da agricultura familiar: planejar, preparar sem fogo, plantar e criar · 7 capítulos
Uma roça diversa
Planeje uma roça diversa: ler o terreno, preparar sem fogo, adubos verdes, milho, feijão, abóbora, mandioca, galinhas e abelhas
Sobre o guia
Um curso para quem tem uma terrinha e quer plantar comida em quantidade: como ler o terreno e organizar a roça, por que deixar a queimada e como preparar a área com cobertura, os adubos verdes que trazem nitrogênio do ar, o trio milho, feijão e abóbora, o plantio da mandioca segundo a Embrapa, as galinhas caipiras com piquetes e o galinheiro móvel, e as abelhas sem ferrão que polinizam a roça.
Planejar a roça
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Chega uma hora em que o quintal fica pequeno. Uma terrinha, um pedaço emprestado do sítio da família, um lote num assentamento: a roça é o lugar onde se planta comida em quantidade, para comer o ano inteiro e às vezes vender. Neste curso você vai planejar uma roça diversa, preparar a terra sem fogo, plantar o trio milho, feijão e abóbora e a mandioca, criar galinhas e abelhas nativas. Tudo começa olhando a terra com calma.
Leia o terreno antes de plantar
A primeira pergunta é para onde a água escorre. A cartilha de mandioca da Embrapa Mandioca e Fruticultura lista o que evitar: plantar ladeira abaixo, em terrenos muito argilosos, em áreas sujeitas a encharcamento e em terras fracas ou esgotadas por outros cultivos. Linhas que descem o morro viram canais, e a chuva forte leva a melhor terra embora. Nos terrenos inclinados, as linhas de plantio seguem a curva de nível, atravessando o morro.

Depois, observe o mato. O que nasce sozinho conta muito sobre o solo: terras compactadas, ácidas ou cansadas têm plantas típicas, como você viu no curso Plantar regenerando. Repare onde bate o sol de manhã e à tarde, de onde vem o vento forte e onde estão a água e as árvores. Se puder, faça uma análise de solo com a assistência técnica do seu município: ela mostra se a terra precisa de calcário e de quais nutrientes.
O que fica perto e o que fica longe
Uma ideia da permacultura, que você conheceu no curso Um lugar que se sustenta, ajuda a organizar a roça: o que pede cuidado todo dia fica perto da casa, e o que se cuida sozinho fica mais longe. Perto da casa, a horta e os temperos. Um pouco além, as galinhas e o pomar. Depois, a roça de milho, feijão e mandioca, que pede visitas na época de plantar, capinar e colher. E, nas bordas, a mata, protegendo as nascentes e servindo de casa para os bichos que ajudam a roça.

Comece do tamanho que dá
Uma roça grande demais vira um mato grande demais. Comece com um pedaço que você consegue capinar e colher no tempo que tem, e aumente a cada safra. Anote tudo num caderno de campo: o que plantou, quando, quanto colheu, o que deu errado. Em poucos anos, esse caderno vale mais que qualquer manual, porque conta como a sua terra se comporta.
Você sabia?
Segundo a mesma cartilha da Embrapa, os solos arenosos e areno-argilosos são os mais apropriados para a mandioca: deixam a água passar, favorecem o engrossamento das raízes e facilitam a colheita, porque a raiz sai mais fácil.
Na prática
Faça o primeiro mapa da sua roça:
- Caminhe pelo terreno depois de uma chuva e marque por onde a água escorre e onde empoça.
- Desenhe um mapa simples com a casa, a água, as árvores e o caminho do sol.
- Escolha o primeiro pedaço da roça, do tamanho que você consegue cuidar.
Fontes
- Ferreira Filho, J. R.; Silveira, H. F.; Macedo, J. J. G.; Lima, M. B.; Cardoso, C. E. L. Cultivo, processamento e uso da mandioca: instruções práticas. Embrapa Mandioca e Fruticultura, 2013.
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1 de 3Como plantar num terreno inclinado?
Preparar sem fogo
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Por muito tempo, preparar a roça significou botar fogo. O fogo limpa a área depressa e as cinzas dão um empurrão na primeira colheita. Mas o preço é alto, e ele aparece nos anos seguintes. Neste capítulo, o que se perde com a queimada e como preparar a terra sem fogo.
O que a queimada leva embora
A Embrapa Amazônia Oriental explica que o fogo é usado até hoje por facilitar a limpeza da área e por deixar os nutrientes da vegetação disponíveis nas cinzas. Mas, na queima, perde-se boa parte desses nutrientes, que vão embora com a fumaça. Segundo a Embrapa, as perdas chegam a 96% do nitrogênio, 47% do fósforo, 48% do potássio, 35% do cálcio, 40% do magnésio e 76% do enxofre, o que compromete a sustentabilidade da agricultura familiar.

Além disso, a queimada mata a vida do solo, deixa a terra descoberta para o sol e a chuva e lança fumaça e gás carbônico no ar. A cada ciclo de queima, a terra fica um pouco mais fraca, e o agricultor precisa abrir área nova. E o fogo de roça foge do controle com facilidade, virando incêndio.
Roçar, triturar e cobrir
A alternativa estudada pela Embrapa Amazônia Oriental no projeto Tipitamba, com universidades da Alemanha, é triturar a vegetação e usá-la como cobertura morta no próprio terreno. Segundo a Embrapa, esse processo evita a perda de nutrientes da queima, melhora o solo com matéria orgânica, segura a umidade e deixa o calendário de plantio mais flexível, reduz o mato durante o cultivo, reduz os riscos de incêndio, alivia o trabalho do agricultor e permite plantar a mesma área por vários ciclos seguidos.

Na Amazônia, o projeto usa trituradores puxados por trator. Numa roça pequena, o mesmo princípio funciona com foice, facão e roçadeira: corte o mato e a capoeira, pique os galhos e deixe tudo espalhado sobre a terra. Depois, abra só a cova ou o sulco onde vai a semente ou a maniva. A palhada segura a água, abafa o mato e, ao se decompor, alimenta o solo.
Você sabia?
Segundo a Embrapa, a fumaça das queimadas aumenta a quantidade de gás carbônico na atmosfera e pode até afetar a formação das nuvens de chuva.
Na prática
Prepare um pedaço sem fogo:
- Escolha um canteiro ou um pedaço de roça com mato ou capoeira baixa.
- Roce, pique e espalhe todo o material cortado sobre a terra.
- Plante abrindo só as covas e acompanhe a umidade da terra nas semanas seguintes.
Fontes
- Embrapa Amazônia Oriental. Produzir sem queimar: intensificando o manejo da capoeira com sustentabilidade. Embrapa Amazônia Oriental (Projeto Tipitamba), s.d..
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1 de 3Quanto do nitrogênio da vegetação se perde na queimada?
Adubos verdes
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Existe um adubo que se planta. São os adubos verdes: plantas cultivadas não para colher, mas para alimentar e proteger o solo. A maioria é leguminosa, da família do feijão, e traz nitrogênio do ar para a terra. Você já a encontrou nos cursos Plantar regenerando e Um lugar que se sustenta; neste capítulo, o que é a adubação verde, para que serve e como usá-la na roça.
O adubo que vem do ar
A Embrapa Agroindústria Tropical define a adubação verde como a técnica de incorporar, semi-incorporar ou deixar na superfície do solo a massa verde, com folhas, flores, ramos e raízes, de plantas jovens cultivadas especialmente para melhorar a produtividade do solo. A preferência é pelas leguminosas, porque nas suas raízes vivem bactérias que fazem a fixação do nitrogênio do ar. O nitrogênio é o nutriente que as plantas mais pedem, e é justamente o que a queimada mais leva embora.

O que mais eles fazem
Segundo a Embrapa, além do nitrogênio, as leguminosas trazem outros benefícios: diminuem o número de capinas, porque ocupam o lugar do mato; melhoram o solo física, química e biologicamente; cobrem e protegem a terra contra a erosão e o sol forte; ajudam no controle de nematoides em pomares; aumentam o húmus; e mantêm a umidade do solo. As raízes fundas de algumas delas, como o guandu, ainda furam camadas duras e trazem nutrientes de baixo.

Como usar na roça
Há três jeitos principais. No pré-cultivo, você planta o adubo verde antes da cultura principal, deixa crescer até a floração, roça e deixa a massa sobre o solo; depois planta o milho ou a mandioca no meio da palhada. No consórcio, o adubo verde cresce junto com a cultura, nas entrelinhas, como o feijão-de-porco no meio do milho. E na rotação, um pedaço da roça descansa uma temporada coberto de leguminosas, recuperando a força. O ponto de corte é na floração: é quando a planta tem mais massa e mais nitrogênio guardado.
Cada região tem os seus adubos verdes preferidos. A crotalária cresce rápido e tem flores amarelas que atraem abelhas. O feijão-de-porco é rústico e aguenta seca e solo fraco. A mucuna é uma trepadeira que cobre o chão inteiro e abafa o mato. O guandu é um arbusto que dura mais de um ano e ainda dá um grão de comer. Pergunte à assistência técnica e aos vizinhos quais funcionam melhor na sua terra.
Você sabia?
A Embrapa Agroindústria Tropical destaca a adubação verde como alternativa para os solos arenosos do Nordeste, que perdem matéria orgânica e água com facilidade.
Na prática
Plante o seu primeiro adubo verde:
- Consiga sementes de feijão-de-porco, crotalária ou guandu com vizinhos, cooperativa ou assistência técnica.
- Semeie num pedaço que vai descansar ou nas entrelinhas do milho.
- Na floração, roce e deixe sobre o solo, e plante a próxima cultura no meio da palha.
Fontes
- Oliveira, F. N. S.; Lima, A. A. C.; Costa, J. B. A. Adubação verde: alternativa para os solos arenosos do Nordeste. Embrapa Agroindústria Tropical, Comunicado Técnico 25, 1997.
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1 de 3Por que se preferem as leguminosas como adubo verde?
Milho, feijão e abóbora
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Milho, feijão e abóbora plantados juntos são uma das combinações mais antigas das Américas. Os povos indígenas do México chamam esse trio de milpa, e no Brasil ele está em incontáveis roças familiares. Neste capítulo, por que esse consórcio funciona e como montar a sua roça de três andares.
Uma tradição da agricultura familiar
Plantar milho e feijão juntos é a regra, e não a exceção, entre os pequenos agricultores brasileiros. Uma pesquisa da Emater de Sergipe com 700 proprietários de até 50 hectares, citada num comunicado técnico da Embrapa de 1979, mostrou que 57% deles plantavam milho com feijão, e outros 27%, milho, feijão e algodão. Os pesquisadores reconheciam que, até então, a pesquisa agronômica estava voltada para os plantios solteiros, ignorando a realidade dos agricultores que sempre plantaram consorciado.
Cada um no seu andar
O trio funciona porque cada planta ocupa um espaço diferente e ajuda as outras. O milho cresce alto e ocupa o andar de cima. O feijão de rama sobe pelo pé de milho, usando-o como tutor, e, como toda leguminosa, traz nitrogênio do ar para o solo. A abóbora se espalha pelo chão, com suas folhas grandes, cobrindo a terra, segurando a umidade e abafando o mato. Três colheitas no mesmo pedaço de chão.

Como plantar
O milho vai primeiro, no início das chuvas, para ganhar altura. O feijão de rama é semeado ao pé do milho quando este tem uns quatro ou cinco palmos, para não ser abafado e ter onde subir. A abóbora vai junto ou logo depois, em covas mais espaçadas, a alguns metros uma da outra, porque cada pé ocupa bastante chão. Se usar feijão de moita, que não sobe, plante nas entrelinhas do milho. Cada roça encontra o seu arranjo; o importante é que uma planta não abafe a outra.
Com as sementes crioulas que você aprendeu a guardar no curso anterior, a roça fica ainda mais sua: cada safra, escolha as melhores espigas, as melhores vagens e as abóboras mais sadias para plantar no ano seguinte. Lembre que o milho e a abóbora são alógamos: para manter a semente pura, plante uma variedade de cada por vez.
Você sabia?
Você vai reencontrar o trio milho, feijão e abóbora no curso Plantar uma floresta, como o primeiro andar de uma agrofloresta, antes das bananeiras e das árvores.
Na prática
Monte uma roça de três andares:
- Plante uma faixa de milho no início das chuvas, de preferência com semente crioula.
- Semeie feijão de rama ao pé do milho quando ele tiver quatro ou cinco palmos.
- Espalhe covas de abóbora com bastante espaço entre elas e anote tudo no caderno de campo.
Fontes
- Siqueira, L. A.; Sobral, L. F. Arranjos e populações de plantas de milho e feijão no sistema consorciado em Sergipe. Embrapa, UEPAE de Quissamã (SE), Comunicado Técnico, 1979.
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1 de 3Qual o papel da abóbora no trio?
Mandioca
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A mandioca é a raiz do Brasil. Aipim, macaxeira ou mandioca, ela vira farinha, beiju, tapioca, polvilho e o prato de todo dia em muitas regiões. É rústica, aguenta seca e solo fraco, e pode ficar na terra esperando a hora de colher. Neste capítulo, como plantá-la bem, seguindo as recomendações da Embrapa Mandioca e Fruticultura.
Começa pela rama
A mandioca se planta com pedaços do caule, as manivas. A cartilha da Embrapa ensina a usar ramas maduras, de plantas com idade de 10 a 14 meses, sadias, sem pragas nem doenças. Descarte as pontas e os pés da rama, porque a parte do meio brota melhor e produz mais. Antes de cortar, faça o teste: corte a rama com uma faca e veja se o leite sai rápido e se o miolo está úmido. Sinal de rama viva. Depois, corte manivas de 15 a 20 centímetros.

A Embrapa também recomenda reservar uma parte do mandiocal, cerca de 20% da lavoura, para tirar as ramas do próximo plantio, ou colher na época do novo plantio. Se for preciso guardar as ramas, faça isso por no máximo 60 dias, em lugar arejado e fresco, protegido do sol e dos ventos.
Plantar em linha
A cartilha é direta: não plante de qualquer maneira. O sistema mais recomendado é o plantio em sulcos de cerca de 10 centímetros de profundidade, com as manivas deitadas e os olhos virados para o mesmo lado. Nas roças pequenas, planta-se em cova rasa feita com a enxada ou em pequenos montes de terra fofa. O espaçamento depende da terra: em solos férteis ou bem adubados, 1 metro entre fileiras por 0,80 a 1 metro entre plantas, porque elas crescem mais.
Cuidar e consorciar
A mandioca cresce devagar no começo, e o mato pode tomar conta nos primeiros meses. Por isso, as capinas e a amontoa, que é chegar terra junto da planta com a enxada, são importantes nessa fase. Nas entrelinhas, enquanto a mandioca é pequena, cabem culturas rápidas, como o feijão ou o milho, e plantas de cobertura, como as leguminosas do capítulo anterior. A cartilha da Embrapa mostra a mandioca consorciada com feijão e com cobertura morta.
A mandioca pede pouco adubo, mas responde bem. Segundo a Embrapa, em geral, 300 quilos de superfosfato simples por hectare aumentam a produção em 4 a 6 toneladas de raízes. Matéria orgânica, como esterco e composto, aplicada na cova ou no sulco, também melhora muito a terra.
Você sabia?
A cartilha da Embrapa conta que, no Semiárido baiano onde foi feita, só duas variedades de mandioca dominavam as roças, a Alagoana e a Cria-menino. Uma base genética tão estreita deixa a lavoura vulnerável a pragas e doenças.
Na prática
Plante uma linha de mandioca:
- Consiga ramas de um vizinho de plantas sadias com cerca de um ano.
- Corte manivas de um palmo da parte do meio e faça o teste do leite.
- Plante deitadas num sulco raso, com os olhos para o mesmo lado, e semeie feijão nas entrelinhas.
Fontes
- Ferreira Filho, J. R.; Silveira, H. F.; Macedo, J. J. G.; Lima, M. B.; Cardoso, C. E. L. Cultivo, processamento e uso da mandioca: instruções práticas. Embrapa Mandioca e Fruticultura, 2013.
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1 de 3De que parte da rama tirar as manivas?
Galinhas na roça
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Galinha na roça é ovo, carne, esterco e uma ajuda e tanto contra os insetos e o mato. Mas galinha solta demais come a horta, e presa demais fica doente e cara. Neste capítulo, o sistema de galinhas caipiras com piquetes da Embrapa e o galinheiro móvel, que põe as galinhas para trabalhar na roça.
O sistema com piquetes
A cartilha Criação de galinhas caipiras, da série ABC da Agricultura Familiar, da Embrapa Meio-Norte, ensina um sistema simples: um galpão dividido por fases, com piquetes cercados ligados a cada divisão. O galinheiro deve ficar perto da casa, a uma distância de 30 a 50 metros. As cercas dos piquetes têm 1,60 metro de altura. O galo e as 12 galinhas de reprodução ficam numa parte do galpão de 2,50 por 1,50 metro, com um cercado de 40 metros quadrados.

Na fase de engorda, que vai até uns 120 dias, os frangos têm uma área coberta e um piquete de cerca de 1.800 metros quadrados, de preferência já arborizado. A cartilha sugere que esse piquete maior vire um pomar: as árvores dão sombra às aves, e as aves adubam as árvores e comem os insetos. Além da ração de milho e farelos, as galinhas comem o próprio mato dos piquetes, frutas, capins, hortaliças, folhas de leucena e palma, e grãos germinados.
O galinheiro móvel
Outra ideia, muito usada na permacultura e que apareceu no curso Um lugar que se sustenta, é o galinheiro móvel, também chamado de trator de galinhas: uma gaiola leve, com rodas, abrigo e poleiro, que fica alguns dias sobre um canteiro e depois muda de lugar. As galinhas ciscam, comem o mato e os insetos, e deixam o esterco. Quando o galinheiro sai, o canteiro está limpo e adubado, pronto para o próximo plantio. O cuidado é mudar antes de o chão ficar pelado, e fechar bem à noite contra os predadores.

Chocar e renovar
A galinha caipira choca os próprios ovos. Segundo a Embrapa, cada galinha choca de 12 a 15 ovos, conforme o tamanho dela, num ninho forrado com capim ou palha em formato de meia-lua. Assim o plantel se renova sem comprar pintinhos. Vacinas e água limpa sempre à vontade evitam a maioria das doenças.
Você sabia?
No sistema da Embrapa, as frangas e os frangos chegam a cerca de 1,8 quilo com uns 120 dias, idade e peso considerados ideais para o abate.
Na prática
Planeje as galinhas da sua roça:
- Escolha o lugar do galinheiro a uns 30 a 50 metros da casa, com sombra.
- Marque um piquete que possa virar pomar, ou um caminho para o galinheiro móvel.
- Comece pequeno, com um galo e algumas galinhas caipiras da região.
Fontes
- Sagrilo, E.; Vieira, F. J.; Bezerra Neto, R. A.; Sobreira, R. S. Criação de galinhas caipiras (ABC da Agricultura Familiar). Embrapa Informação Tecnológica / Embrapa Meio-Norte, 2007.
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1 de 3A que distância da casa a Embrapa indica o galinheiro?
Abelhas sem ferrão e a colheita
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Antes de as abelhas europeias chegarem, as Américas já tinham suas abelhas de mel: as abelhas sem ferrão, criadas por povos indígenas há muito tempo. Elas polinizam as plantas nativas e muitas das cultivadas, e dão um mel diferente, mais líquido e ácido. Neste capítulo final, como trazer essas abelhas para a roça, e como fechar o ciclo da colheita.
As abelhas sem ferrão
Segundo o livro Meliponicultura, da coleção 500 Perguntas 500 Respostas da Embrapa, de 2024, as abelhas sem ferrão são da tribo Meliponini, com ferrão atrofiado e vida social. Existem cerca de 550 espécies identificadas no mundo, e no Brasil há em torno de 250 espécies catalogadas. Criá-las é a meliponicultura, considerada uma atividade de utilidade pública. Muitas têm nomes populares diferentes conforme a região: a Tetragonisca angustula, por exemplo, é chamada de jataí, jati, alemãozinho, mirim e mosquitinho.

A jataí é a mais conhecida e uma das mais fáceis para começar: pequena, mansa e presente em quase todo o país. Mas o ideal é criar as espécies nativas da sua região, que já estão adaptadas ao clima e às flores do lugar. As colônias ficam em caixas de madeira chamadas caixas racionais, protegidas do sol forte e da chuva. Para conseguir colônias, use iscas, garrafas preparadas que atraem enxames, ou compre de criadores legalizados. Retirar ninhos da natureza ou mover colônias pede autorização dos órgãos ambientais.
Abelhas e roça diversa
Uma roça com flores o ano todo, como a crotalária dos adubos verdes, a abóbora, o feijão, o pomar e as árvores da mata, alimenta as abelhas. E elas devolvem com polinização: mais abóboras, mais frutas, mais sementes. Venenos são o inimigo número um das abelhas, e uma roça sem veneno é a melhor casa para elas.
Colher, guardar e vender
A roça diversa produz em tempos diferentes: o milho verde, depois o seco, o feijão, a abóbora, a mandioca de um ano, os ovos de todo dia, o mel. Guarde o milho seco na palha, em lugar arejado; a mandioca pode ficar na terra até a hora de usar ou virar farinha. O que sobra pode ir para a feira, para a vizinhança e para os programas públicos de compra da agricultura familiar, como a alimentação escolar. Converse com a assistência técnica e o sindicato rural para saber como participar.
No próximo curso, Um pomar no quintal, a roça ganha árvores frutíferas. E, na última fase da trilha, o lugar inteiro começa a voltar a ser floresta.
Você sabia?
Segundo a Embrapa, quando abelhas sem ferrão fazem ninho em lugar indesejado, a solução é remover e realocar o ninho para um lugar onde não cause danos, com autorização dos órgãos competentes, e não exterminar a colônia.
Na prática
Traga as abelhas para a roça:
- Descubra quais abelhas sem ferrão são nativas da sua região.
- Plante flores o ano todo: adubos verdes, ervas, frutíferas e árvores nativas.
- Procure um meliponicultor da região e veja as regras do seu estado antes de começar.
Fontes
- Drumond, P. M.; Carvalho-Zilse, G. A.; Witter, S.; Alves, R. M. O.; Drummond, M. S. (ed.). Meliponicultura: o produtor pergunta, a Embrapa responde. Embrapa Meio-Norte, Coleção 500 Perguntas 500 Respostas, 2024.
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1 de 3Quantas espécies de abelhas sem ferrão há no Brasil, segundo a Embrapa?
Leia no app e ganhe folhas
No app, cada capítulo concluído vira folhas no seu jardim, e você pode ouvir tudo em áudio.
