Capa do Farmácia do quintal

Plantas medicinais com segurança · 7 capítulos

Farmácia do quintal

Cultivar e usar plantas medicinais com segurança, segundo a Anvisa e a Embrapa

Sobre o guia

Um guia sobre plantas medicinais do quintal, com base na Anvisa, no Ministério da Saúde e na Embrapa: a diferença entre planta medicinal, chá e fitoterápico, os cuidados para um uso seguro, o que o Formulário de Fitoterápicos diz sobre chás calmantes e digestivos, as plantas com regras próprias, como preparar um chá e como cultivar, colher, secar e guardar. Este guia é informativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde.

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Plantas que cuidam

Capim-limão para acalmar, hortelã depois do almoço, babosa na queimadura: muita gente cresceu com uma pequena farmácia no quintal. Esse conhecimento é valioso, e boa parte dele foi estudada e reconhecida por órgãos de saúde. Mas planta medicinal também é coisa séria. Este guia ensina a cultivar e usar algumas das plantas mais conhecidas com base no que dizem a Anvisa, o Ministério da Saúde e a Embrapa. Ele é informativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde.

Planta medicinal, chá e fitoterápico

A Anvisa, a agência que regula os medicamentos no Brasil, publicou uma cartilha para orientar a população sobre o uso seguro de plantas medicinais. Ela explica três conceitos que costumam se misturar.

Três quadros ligados por setas. Planta medicinal: tem tradição de uso para aliviar ou tratar doenças. Chá de planta: nem todo chá é medicinal; pode ser alimento ou fitoterápico. Fitoterápico: medicamento feito com plantas, regularizado na Anvisa.
Três coisas diferentes, com regras diferentes.

Uma planta medicinal é aquela capaz de aliviar ou curar enfermidades e que tem tradição de uso pela população. Ela tem centenas ou milhares de substâncias diferentes, que agem em conjunto. Um fitoterápico é um medicamento feito com plantas medicinais, vendido em formas como cápsulas, comprimidos, pomadas ou xaropes. E um chá pode ser tanto um alimento quanto um fitoterápico: segundo a Anvisa, só os chás regularizados como fitoterápicos podem ter alegações de uso medicinal.

Vídeo: O que é fitoterapia e como acessá-la pelo SUS? · Instituto Claro · 8 min

As plantas no SUS

O Sistema Único de Saúde também trabalha com plantas medicinais. Segundo o Ministério da Saúde, o SUS oferta doze medicamentos fitoterápicos que estão na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, entre eles guaco, hortelã e babosa. Em 2009, o Ministério também elaborou a ReniSUS, uma relação com 71 espécies de plantas medicinais com potencial terapêutico, de interesse para o SUS.

Dois números. 12 fitoterápicos na lista de medicamentos essenciais, a Rename. 71 espécies na ReniSUS, a relação de plantas de interesse ao SUS. Notas: entre os fitoterápicos ofertados estão guaco, hortelã e babosa; a Anvisa recomenda usar fitoterápicos prescritos por profissionais habilitados.
Plantas medicinais também fazem parte do SUS.

Para orientar o uso, a Anvisa publica o Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, que registra a forma correta de preparo, as indicações e as restrições de uso de diversas plantas, e o Memento Fitoterápico, voltado a quem prescreve. Neste guia, as indicações e os cuidados de cada planta vêm do Formulário de Fitoterápicos.

Como usar este guia

As indicações que você vai ler são de uso tradicional, para queixas leves, e sempre vêm acompanhadas de advertências. Antes de usar qualquer planta para tratar um problema de saúde, converse com um profissional de saúde. Isso vale ainda mais para gestantes, mulheres amamentando, crianças, idosos e quem toma outros medicamentos.

Você sabia?

Segundo a Anvisa, o fitoterápico foi provavelmente a primeira forma de medicamento usada pela humanidade e foi a mais usada até a metade do século passado, quando surgiram os medicamentos sintéticos. Muitos medicamentos ainda hoje são obtidos de plantas.

Na prática

Faça um inventário da sua farmácia do quintal:

  1. Liste as plantas medicinais que você tem ou usa em casa, com o nome popular.
  2. Anote para que você usa cada uma e de quem aprendeu.
  3. Guarde a lista: no próximo capítulo você vai conferir se os nomes batem com as plantas certas.

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O que é um fitoterápico?

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Natural não quer dizer inofensivo

"Se bem não fizer, mal não vai fazer." A Anvisa cita essa crença popular na sua cartilha sobre plantas medicinais justamente para dizer que ela não é verdadeira. Como qualquer medicamento, o mau uso de plantas medicinais e fitoterápicos pode causar problemas como alterações na pressão arterial e danos ao sistema nervoso, ao fígado e aos rins, que podem levar a internações e até à morte. Este capítulo reúne os cuidados que a Anvisa recomenda.

Os cuidados da Anvisa

Oito cuidados numerados: 1, a planta certa, porque nomes populares confundem; 2, a parte certa: folha, flor, raiz ou casca; 3, terreno limpo, longe de esgoto e de estradas; 4, o preparo certo: quente, fervido ou frio; 5, dose e tempo certos, já que o uso contínuo pode fazer mal; 6, cuidado redobrado com gestantes, lactantes, crianças e idosos; 7, avise o médico, principalmente antes de cirurgias; 8, interações com remédios, alimentos e exames.
Cuidados da cartilha da Anvisa para quem prepara a própria planta.

Para quem prefere preparar a própria planta, a Anvisa lista precauções. Certifique-se de que a planta é a correta, porque plantas diferentes podem ter o mesmo nome popular, o que pode levar a intoxicações ou à falta de efeito. Conheça a parte certa a usar, já que folhas, flores, frutos, sementes, raízes e cascas da mesma planta podem ter substâncias e efeitos diferentes. Use plantas de terrenos limpos, longe de esgoto a céu aberto, fossas e beira de estradas, regadas com água potável e sem agrotóxicos.

Também é preciso conhecer a forma correta de preparo, a dose, os horários e por quanto tempo a planta pode ser usada, porque o uso contínuo pode fazer mal. Busque informação com profissionais de saúde, conte a eles qualquer reação desagradável, tenha cuidado especial com gestantes, mulheres amamentando, crianças e idosos, e avise o médico se estiver usando plantas, principalmente antes de cirurgias. A Anvisa lembra ainda que as substâncias das plantas podem interagir com alimentos, medicamentos e até com exames de laboratório.

Um nome, várias plantas

A confusão de nomes é um dos maiores riscos. A Anvisa explica que os nomes populares variam de um lugar para outro, enquanto o nome botânico, ou científico, é padronizado no mundo todo. O Formulário de Fitoterápicos da própria Anvisa mostra como isso acontece na prática.

Dois grupos de nomes. Erva-cidreira: Lippia alba, a erva-cidreira de arbusto; Melissa officinalis, a melissa; e Cymbopogon citratus, chamado de capim-limão, capim-santo e capim-cidreira. Boldo: Plectranthus barbatus, o boldo-brasileiro, africano ou nacional; e Peumus boldus, o boldo.
Plantas diferentes, com indicações e cuidados diferentes.

O capim-limão também é chamado de capim-cidreira, e a erva-cidreira de arbusto (Lippia alba) é outra planta, assim como a melissa (Melissa officinalis). Com o boldo é igual: o boldo-brasileiro (Plectranthus barbatus) e o boldo de nome científico Peumus boldus são espécies diferentes.

Vídeo: A erva-cidreira que você não conhece · VEJA+ · 3 min

Plantas que não devem ser ingeridas

Algumas plantas medicinais só podem ser usadas por fora. O Formulário da Anvisa avisa que o confrei, por ter propriedades tóxicas para o fígado, não deve ser usado internamente, e só deve ser aplicado na pele sem feridas. Uma publicação da Embrapa Clima Temperado lembra também de plantas consideradas venenosas, como a coroa-de-cristo, a mamona, a espirradeira e o copo-de-leite.

Você sabia?

A Embrapa Clima Temperado recomenda não usar a mesma planta ou o mesmo preparado por mais de 15 dias sem consultar um profissional de saúde, e não usar chás laxantes ou diuréticos para emagrecer.

Na prática

Confira a sua lista do capítulo anterior:

  1. Para cada planta, procure o nome científico e confirme se é mesmo a planta que você imagina.
  2. Marque as plantas que alguém da casa usa junto com outros remédios, e leve essa lista à próxima consulta.
  3. Se em casa houver gestante, bebê ou idoso, não ofereça nenhum chá medicinal sem orientação profissional.

Fontes

  1. Anvisa. Cartilha de orientações sobre o uso de fitoterápicos e plantas medicinais. gov.br/anvisa, 2022.
  2. Anvisa. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª edição. Anvisa / Ministério da Saúde, 2021.
  3. Bevilaqua, G. A. P.; Schiedeck, G. et al. Identificação e tecnologia de plantas medicinais da flora de clima temperado. Embrapa Clima Temperado, Circular Técnica 61, 2007.

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Por que é importante conhecer o nome científico de uma planta medicinal?

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Chás para acalmar

Um chá quente antes de dormir é um hábito antigo em muitas casas brasileiras. Três plantas aparecem no Formulário de Fitoterápicos da Anvisa com indicações ligadas à ansiedade e à insônia leves: o capim-limão, a erva-cidreira de arbusto e a melissa. Neste capítulo você vai conhecer o que o Formulário diz sobre cada uma, incluindo as advertências. Lembre: são indicações para queixas leves, e não substituem o acompanhamento de um profissional de saúde.

Três cartões. Capim-limão: ansiedade e insônia leves, cólicas leves; atenção: uso adulto, não usar na gestação e amamentação, não somar a calmantes. Erva-cidreira (Lippia alba): ansiedade leve, cólicas e má digestão; atenção: uso adulto, evitar com gastrite, cautela com pressão baixa, não somar a calmantes. Melissa: ansiedade e insônia leves, gases e estufamento; atenção: não usar na gestação e amamentação, pode dar sono, não dirija depois.
Indicações e advertências resumidas do Formulário de Fitoterápicos da Anvisa.

Capim-limão

O capim-limão (Cymbopogon citratus), também chamado de capim-santo, capim-cidró e capim-cidreira, é indicado no Formulário como antiespasmódico, para ajudar no alívio de cólicas menstruais e intestinais leves, e como auxiliar no alívio da ansiedade e da insônia leves. O chá é preparado por infusão com as folhas secas.

As advertências: é de uso adulto e contraindicado na gestação, na amamentação e para menores de 18 anos, por falta de dados que comprovem a segurança. Não deve ser usado por pessoas com problemas cardíacos, renais ou hepáticos ou com doenças crônicas, nem junto com medicamentos depressores do sistema nervoso. Em doses elevadas, pode causar desmaio e sedação.

Erva-cidreira de arbusto

A erva-cidreira de arbusto (Lippia alba) é indicada como auxiliar no alívio da ansiedade leve, como antiespasmódico e para a má digestão. Usam-se folhas e flores, em infusão.

Também é de uso adulto, contraindicada na gestação, na amamentação e para menores de 18 anos. Deve ser usada com cautela por quem tem pressão baixa, evitada por quem tem gastrite ou úlcera e pode potencializar o efeito de medicamentos sedativos. O Formulário alerta ainda que o uso junto com paracetamol pode aumentar a toxicidade desse remédio, e que doses acima das recomendadas podem causar irritação gástrica, queda dos batimentos cardíacos e da pressão.

Vídeo: DICAS DE CULTIVO PARA OS 04 TIPOS DE ERVA CIDREIRA!! · Minuto Horta · 9 min

Melissa

A melissa (Melissa officinalis) é indicada como auxiliar no alívio da ansiedade e da insônia leves e de queixas digestivas leves, como estufamento e gases. É preparada por infusão das folhas secas.

O Formulário contraindica o uso na gestação, na amamentação e para menores de 12 anos. Avisa que ela pode comprometer a capacidade de dirigir e operar máquinas, que não deve ser usada em casos de hipotireoidismo, glaucoma e aumento benigno da próstata, e que pede cuidado em pessoas com pressão baixa. Se os sintomas continuarem por mais de duas semanas ou piorarem, um médico deve ser consultado.

Você sabia?

O capim-limão pode ser multiplicado pela divisão das touceiras. Segundo a Embrapa Clima Temperado, na primavera cortam-se os perfilhos com raízes e eles são transplantados para um local já preparado.

Na prática

Antes de usar um chá calmante:

  1. Confirme qual das três plantas você tem, pelo nome científico.
  2. Leia as advertências da planta e confira se alguma se aplica a você ou à pessoa que vai tomar.
  3. Se a ansiedade ou a insônia forem frequentes, procure um profissional de saúde: chá não substitui tratamento.

Fontes

  1. Anvisa. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª edição. Anvisa / Ministério da Saúde, 2021.
  2. Bevilaqua, G. A. P.; Schiedeck, G. et al. Identificação e tecnologia de plantas medicinais da flora de clima temperado. Embrapa Clima Temperado, Circular Técnica 61, 2007.

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Segundo o Formulário da Anvisa, quem não deve usar chá de capim-limão?

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Chás para a digestão

Depois de uma refeição pesada, muita gente recorre a um chá do quintal. Três plantas conhecidas aparecem no Formulário de Fitoterápicos da Anvisa com indicações para queixas digestivas leves: a hortelã-pimenta, o boldo-brasileiro e a camomila. Como no capítulo anterior, você vai ver o que o Formulário diz sobre cada uma, com as advertências. Má digestão frequente, dor forte ou sintomas que não passam pedem avaliação de um profissional de saúde.

Três cartões. Hortelã-pimenta: má digestão e gases; atenção: evitar com refluxo, não usar na gestação e amamentação, não usar com cálculos biliares. Boldo-brasileiro: má digestão; atenção: uso adulto, muitas restrições e interações, no máximo 30 dias seguidos. Camomila: queixas digestivas leves, como estufamento; atenção: pode causar alergia, até grave, não somar a anticoagulantes.
Indicações e advertências resumidas do Formulário de Fitoterápicos da Anvisa.

Hortelã-pimenta

A hortelã-pimenta (Mentha x piperita) é indicada como auxiliar no alívio de sintomas de má digestão, como gases. É preparada por infusão das folhas secas. Segundo o Ministério da Saúde, ela também está entre os doze fitoterápicos ofertados pelo SUS.

As advertências do Formulário são várias. O uso é contraindicado na gestação e na amamentação, e não é recomendado para crianças menores de 4 anos. Quem tem refluxo deve evitar, porque pode piorar o quadro e irritar o estômago. É contraindicada para quem tem cálculos biliares, obstrução dos ductos biliares, danos graves no fígado ou cálculos urinários. Se os sintomas continuarem por duas semanas, um médico deve ser consultado.

Boldo-brasileiro

O boldo-brasileiro (Plectranthus barbatus), também chamado de boldo-africano e boldo-nacional, é indicado como auxiliar no alívio de sintomas de má digestão. No Formulário, o chá é preparado por infusão das folhas secas, durante 20 minutos.

É uma das plantas com mais restrições. O Formulário diz que não deve ser usado por gestantes, lactantes, menores de 18 anos, pessoas com pressão alta, com obstrução das vias biliares, doença renal policística ou hepatite. Não deve ser usado junto com uma lista de medicamentos, entre eles calmantes, remédios para pressão, para o coração e para a tireoide. Doses altas ou uso prolongado podem irritar o estômago, e o uso contínuo não deve passar de 30 dias.

Vídeo: CONHEÇA 4 DIFERENTES TIPOS DE BOLDO E SEUS USOS · Chico Abelha · 16 min

Camomila

A camomila (Matricaria chamomilla) usa as flores, em infusão. Uma das indicações do Formulário é como auxiliar no tratamento de queixas digestivas leves, como estufamento e espasmos leves. É uma das poucas plantas deste guia com indicação também para crianças, a partir de 6 meses, mas sempre nas doses específicas para cada idade descritas no Formulário e com orientação profissional.

O Formulário alerta que ela é contraindicada para quem tem alergia a plantas da família das margaridas, as asteráceas, e que já foram relatadas reações alérgicas graves. Também não deve ser usada junto com anticoagulantes. Se os sintomas persistirem ou piorarem por mais de uma semana, um médico deve ser consultado.

Você sabia?

O alecrim também aparece no Formulário da Anvisa como auxiliar para a má digestão. Mas ele pode alterar o sono se tomado à noite e pede cautela de quem tem pressão alta ou diabetes, segundo o mesmo documento.

Na prática

Para usar um chá digestivo com segurança:

  1. Confira se é o boldo-brasileiro ou outra planta antes de preparar o chá.
  2. Leia as contraindicações: refluxo, gestação, pressão alta e uso de remédios são pontos de atenção frequentes.
  3. Se a má digestão for frequente, procure um profissional de saúde em vez de tomar chá todos os dias.

Fontes

  1. Anvisa. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª edição. Anvisa / Ministério da Saúde, 2021.
  2. Ministério da Saúde. Plantas medicinais e fitoterápicos no SUS. gov.br/saude.

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Quem deve evitar a hortelã-pimenta, segundo o Formulário?

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Plantas com regras próprias

Nem toda planta medicinal vira chá. Algumas são usadas só na pele ou em bochechos; outras podem ser tomadas, mas têm interações importantes com remédios. Neste capítulo você vai conhecer quatro plantas com regras próprias, segundo o Formulário de Fitoterápicos da Anvisa: babosa, calêndula, guaco e confrei.

Quatro cartões. Babosa, uso externo: gel transparente, por fora, para ferimentos leves e queimaduras. Calêndula, uso externo: compressas na pele e bochechos e gargarejos. Guaco, interações: tosse com catarro, para adultos, no máximo 15 dias seguidos. Confrei, nunca ingerir: só na pele íntegra, até 10 dias; nunca beber, porque faz mal ao fígado.
Cada planta tem a sua forma de uso, e algumas nunca devem ser ingeridas.

Babosa: o gel, por fora

No Formulário, a babosa (Aloe vera) aparece como gel de uso externo, indicado como cicatrizante em ferimentos leves, inflamações da pele e queimaduras de 1º e 2º grau, escoriações e abrasões. O preparo usa apenas o gel translúcido e incolor do interior da folha. O Formulário pede cuidado para não rasgar a casca verde, que pode contaminar o gel com um líquido amarelado rico em substâncias chamadas derivados antracênicos.

As advertências: o gel é para uso adulto e contraindicado na gestação, na amamentação e para menores de 18 anos. Há relatos de dermatite de contato e de ardência na pele ferida quando o gel está contaminado por esses derivados, e o Formulário lembra que esses compostos podem ser tóxicos quando ingeridos em doses altas. A babosa também é um dos doze fitoterápicos do SUS.

Calêndula: compressas e gargarejos

A calêndula (Calendula officinalis) usa as flores. O chá preparado por infusão pode ser usado em compressas, para inflamações leves da pele e ferimentos de menor gravidade, e em bochechos e gargarejos, para inflamações da boca e da garganta. O uso é contraindicado na gestação e na amamentação e para quem tem alergia a plantas da família das margaridas; na pele, não deve ser usada em crianças menores de 6 anos, e na boca, em menores de 12. Se os sintomas persistirem por uma semana ou houver sinais de infecção, um médico deve ser consultado.

Vídeo: Farmácia Viva: a experiência da Farmácia da Natureza com a Fitoterapia e o SUS · Portal da Inovação na Gestão do SUS · 10 min

Guaco: atenção às interações

O guaco (Mikania glomerata) é indicado no Formulário para o alívio dos sintomas de afecções das vias aéreas superiores com produção de catarro, e também é um dos fitoterápicos do SUS. As advertências são importantes: uso adulto, contraindicado na gestação e na amamentação; não deve ser usado com anti-inflamatórios, nem junto com anticoagulantes, e deve-se evitar o uso com antibióticos. Doses altas ou uso prolongado podem causar vômito, diarreia e aceleração dos batimentos, e o uso não deve passar de 15 dias seguidos.

Confrei: nunca beber

O confrei (Symphytum officinale) aparece no Formulário apenas como gel ou pomada, para entorses e contusões. A advertência é clara: por ser tóxico para o fígado, o confrei não deve ser usado internamente, e só pode ser aplicado na pele íntegra, sem feridas, por no máximo 10 dias. Não deve ser usado por menores de 18 anos, gestantes e lactantes.

Você sabia?

Segundo a cartilha da Anvisa, os fitoterápicos regularizados garantem qualidade, segurança e eficácia, porque são produzidos com boas práticas de fabricação. Produtos irregulares podem estar contaminados com microrganismos, substâncias tóxicas e até com medicamentos sintéticos escondidos.

Na prática

Revise as plantas de uso especial da sua casa:

  1. Se você tem confrei, guarde a informação de que ele nunca deve ser ingerido, e conte isso a quem mora com você.
  2. Na babosa, use só o gel transparente do interior da folha, por fora, em ferimentos leves.
  3. Se alguém da casa toma anticoagulante, anti-inflamatório ou antibiótico, não use guaco sem orientação médica.

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Como a babosa aparece no Formulário da Anvisa?

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Como preparar um chá

Um chá parece simples: água quente e algumas folhas. Mas, para uma planta medicinal, o jeito de preparar e a quantidade fazem diferença no efeito e na segurança. Neste capítulo você vai conhecer os três modos de preparo descritos pela Anvisa e as quantidades do Formulário de Fitoterápicos para algumas plantas deste guia. Elas são referências para adultos e não substituem a orientação de um profissional de saúde.

Infusão, decocção e maceração

Três quadros. Infusão: água quente sobre a planta, para folhas e flores. Decocção: planta fervida com a água, para partes duras, como caules. Maceração: planta em água fria, para o que o calor estraga.
Cada parte da planta pede um modo de preparo.

A cartilha da Anvisa explica os três jeitos. A infusão é usada normalmente para as partes moles da planta, como folhas e flores: aquece-se a água e adiciona-se à planta, deixando em contato por um tempo determinado. A decocção é usada para partes mais duras, como sementes e caules: a planta é fervida junto com a água. E a maceração serve para plantas com substâncias que se degradam com o calor: a planta fica em contato com água à temperatura ambiente. O tempo de contato varia de planta para planta e com o tamanho dos pedaços.

A Anvisa dá o exemplo do alho, que tem substâncias que se degradam com o calor, e por isso não deve ser preparado com água quente.

Vídeo: Plantas medicinais: formas de preparo · Práticas Integrativas e Complementares PIC-RAS · 3 min

Quanto de planta usar

O Formulário de Fitoterápicos traz, para cada planta, a quantidade de planta seca para uma xícara de 150 mililitros de água, o modo e o tempo de preparo. Repare como as quantidades variam: a erva-cidreira de arbusto pede bem menos planta que as outras, e o boldo-brasileiro fica mais tempo em infusão.

Tabela de quantidades de planta seca para 150 mL de água, para adultos, segundo o Formulário de Fitoterápicos da Anvisa. Capim-limão: folhas, 1 a 3 g, infusão de 5 a 10 minutos. Erva-cidreira: folhas e flores, 0,4 a 0,6 g, infusão de 5 minutos. Hortelã-pimenta: folhas, 1,5 a 3 g, infusão de 5 a 10 minutos. Camomila: flores, 1,5 a 4 g, infusão de 5 a 10 minutos. Boldo-brasileiro: folhas, 1 a 3 g, infusão de 20 minutos. Guaco: folhas, 2 a 3 g, infusão ou decocção.
Quantidades de referência para adultos. Leia as advertências de cada planta antes de usar.

Na maioria dessas fórmulas, o Formulário indica as folhas ou flores secas. E, em várias delas, a orientação é tomar o chá logo após o preparo. Para saber quantas vezes ao dia e por quantos dias, a regra é a mesma do capítulo 2: dose e tempo certos, com orientação de um profissional de saúde.

Cuidados na cozinha

A publicação da Embrapa Clima Temperado sobre plantas medicinais recomenda usar utensílios adequados no preparo e colocar rótulo em todos os preparados, com a composição e a data. Ela também lembra que a mesma planta ou o mesmo preparado não deve ser usado por mais de 15 dias sem consultar um profissional de saúde.

Você sabia?

Para o funcho, o Formulário pede que os frutos secos sejam triturados imediatamente antes do uso e que o recipiente fique tampado durante os 15 minutos da infusão.

Na prática

Prepare um chá com método:

  1. Identifique a parte da planta que você vai usar e escolha o modo de preparo certo.
  2. Pese a planta seca numa balança de cozinha, seguindo a quantidade de referência.
  3. Anote a planta, a data e a quantidade que você usou, e leve essas anotações a um profissional de saúde se for usar com frequência.

Fontes

  1. Anvisa. Cartilha de orientações sobre o uso de fitoterápicos e plantas medicinais. gov.br/anvisa, 2022.
  2. Anvisa. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª edição. Anvisa / Ministério da Saúde, 2021.
  3. Bevilaqua, G. A. P.; Schiedeck, G. et al. Identificação e tecnologia de plantas medicinais da flora de clima temperado. Embrapa Clima Temperado, Circular Técnica 61, 2007.

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Qual modo de preparo é indicado, em geral, para folhas e flores?

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Do canteiro ao armário

Ter as plantas no quintal tem uma grande vantagem: você sabe de onde elas vêm. A Anvisa recomenda usar apenas plantas de terrenos limpos, regadas com água potável, sem agrotóxicos e guardadas em ambientes limpos. Neste último capítulo você vai ver como cultivar, colher, secar e guardar as suas plantas medicinais, com base numa publicação da Embrapa Clima Temperado, e quando é hora de procurar ajuda.

Cultivar

A Embrapa Clima Temperado lembra que muitas plantas medicinais podem ser multiplicadas por partes da própria planta. O capim-limão, por exemplo, pode ser multiplicado por divisão de touceira: na primavera, cortam-se os perfilhos com raízes e eles são transplantados para um local preparado. Já as sementes são plantadas geralmente no início da primavera, ou na época específica de cada espécie, em solo bem preparado. Para o cultivo, vale lembrar a lição do guia Horta sem veneno: na farmácia do quintal, nada de agrotóxico.

Vídeo: Capim Limão - a maneira correta de plantar · assim que faz · 4 min

Colher, secar e guardar

Três etapas. Colher: de manhã ou no fim da tarde, sem chuva e sem sereno; folhas antes da floração. Secar: à sombra, em lugar ventilado, de 3 a 10 dias, até quebrar nos dedos. Guardar: lugar seco, ventilado e à sombra; rotular com o nome e a data.
Recomendações da Embrapa Clima Temperado para plantas medicinais.

Colher. A Embrapa recomenda colher de manhã ou no fim da tarde, em dias de temperatura amena, sem chuva ou garoa, evitando as horas mais quentes, entre 11 e 15 horas. Espere o sereno secar, para não colher material úmido, e escolha plantas bem desenvolvidas e sadias. As folhas devem ser colhidas quando a planta está no máximo do desenvolvimento, mas antes da floração.

Secar. A secagem deve começar logo após a colheita. Folhas e plantas inteiras secam à sombra, numa tela suspensa, de 3 a 10 dias, conforme a planta e o clima. O ponto final é quando as plantas se partem facilmente com a pressão dos dedos.

Guardar. O armazenamento deve ser feito em lugar seco, bem ventilado e à sombra. Para material que absorve umidade, a Embrapa sugere latas ou caixas plásticas que fechem bem, e recomenda não misturar ervas sem cheiro com ervas aromáticas e guardar separadamente folhas, flores, cascas e raízes. Segundo a mesma publicação, a planta seca e bem embalada dura aproximadamente um ano em boas condições, prazo que pode cair bastante se ela for mal guardada.

Vídeo: COMO SECAR AS PLANTAS MEDICINAIS E ARMAZENA-LAS · Rosimere Gonoring · 7 min

Quando procurar ajuda

Quatro situações para procurar um profissional de saúde: os sintomas continuam ou pioram; gravidez, amamentação, crianças ou idosos; uso de outros remédios ou cirurgia marcada; qualquer reação estranha, quando se deve parar e procurar atendimento. Nota: suspeita de intoxicação, Disque-Intoxicação 0800 722 6001, da Anvisa.
Planta medicinal não substitui o cuidado profissional.

Ao longo deste guia, as advertências do Formulário de Fitoterápicos se repetiram: se os sintomas persistirem, um médico deve ser consultado; em caso de reação, suspenda o uso e procure atendimento. A Anvisa também pede que você conte ao profissional de saúde qualquer reação desagradável e avise o médico se estiver usando plantas, principalmente antes de cirurgias. Em caso de suspeita de intoxicação, ligue para o Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001.

Você sabia?

Segundo a Embrapa Clima Temperado, para ter certeza da identidade de uma planta medicinal o ideal é observá-la na época da floração, porque as plantas são identificadas principalmente pelo aspecto e pela cor das flores.

Na prática

Monte a sua farmácia do quintal com responsabilidade:

  1. Plante só espécies que você identificou pelo nome científico, em terra limpa e sem agrotóxico.
  2. Seque à sombra e guarde em pote fechado, com etiqueta de nome e data, e descarte o que passar de um ano.
  3. Anote na geladeira o Disque-Intoxicação, 0800 722 6001, e leve a sua lista de plantas à próxima consulta.

Fontes

  1. Bevilaqua, G. A. P.; Schiedeck, G. et al. Identificação e tecnologia de plantas medicinais da flora de clima temperado. Embrapa Clima Temperado, Circular Técnica 61, 2007.
  2. Anvisa. Cartilha de orientações sobre o uso de fitoterápicos e plantas medicinais. gov.br/anvisa, 2022.
  3. Anvisa. Disque intoxicação. gov.br/anvisa.

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Em que horário a Embrapa recomenda colher plantas medicinais?

Leia no app e ganhe folhas

No app, cada capítulo concluído vira folhas no seu jardim, e você pode ouvir tudo em áudio.

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