
Plantas de interior · 9 capítulos
Verde dentro de casa
Luz, rega e cuidado para as plantas viverem bem no seu espaço
Sobre o guia
Um guia para escolher e cuidar de plantas dentro de casa a partir do lugar onde elas vão morar. Você vai aprender a ler a luz das janelas, regar pela terra e não pelo calendário, escolher o vaso e o substrato, cuidar da umidade e do ar-condicionado, adubar na medida, reconhecer pragas, fazer mudas e escolher a planta certa para cada canto, com atenção a crianças e bichos de estimação.
O que as plantas fazem por você (e o que não fazem)
Ter plantas dentro de casa virou quase uma febre, e não é à toa: um canto verde muda o jeito de um cômodo e a rotina de quem mora nele. Mas planta de interior não é enfeite. É um ser vivo que precisa de luz, água e atenção, e que vai mostrar com as folhas se está bem ou não. Este guia ensina a ler a sua casa e a escolher e cuidar das plantas a partir dela.
O que elas fazem por você
Muita gente diz que se sente melhor cercada de plantas, e a pesquisa ajuda a entender por quê. Num experimento na Coreia do Sul, adultos jovens que passaram alguns minutos transplantando uma planta mostraram sinais de estresse mais baixos do que quando fizeram uma tarefa no computador. O estudo era pequeno, com 24 participantes, mas aponta numa direção interessante: o benefício parece vir do cuidar.
Uma pesquisa feita em casas de Piracicaba, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), reforça essa ideia. Os números não mostraram menos ansiedade ou estresse só porque havia plantas em casa. Mas os moradores contaram que o bem-estar vinha justamente de cuidar delas e de parar para observá-las. Ou seja: a planta no canto ajuda pouco sozinha; o que faz diferença é a relação com ela.

O mito da planta que purifica o ar
Você provavelmente já viu listas de "plantas que limpam o ar segundo a NASA". A história começou em 1989, quando a agência americana estudou plantas para purificar o ar de estações espaciais, em câmaras pequenas e totalmente fechadas. Uma casa é muito diferente: o ar se renova o tempo todo por janelas, portas e frestas.
Em 2019, pesquisadores da Universidade Drexel, nos Estados Unidos, revisaram cerca de 30 anos de estudos e fizeram as contas. Para remover poluentes do ar tão bem quanto a ventilação comum de uma casa, seriam precisos de 100 a 1.000 vasos por metro quadrado de chão. A conclusão deles é direta: as plantas não limpam o ar rápido o bastante para fazer diferença. Para ter um ar melhor, o que funciona é abrir a janela. As plantas ficam pelo prazer de tê-las.
Planta de interior é planta de floresta
Não existe planta "de interior" por natureza. As que se dão bem dentro de casa são, em geral, espécies que na natureza vivem em florestas tropicais, à sombra de árvores maiores, onde a luz chega filtrada, o calor é constante e o ar é úmido. Várias delas são brasileiras: a maranta, por exemplo, é nativa do leste e do centro do Brasil e hoje está em vasos no mundo inteiro.
Entender essa origem explica quase todos os cuidados deste guia. Elas aguentam menos luz do que uma planta de jardim, mas não vivem no escuro. Gostam de calor, sofrem com vento frio e ar muito seco, e as raízes estão acostumadas a um chão de mata, fofo e arejado, e não a uma terra encharcada.
Você sabia?
A maranta e as calateias, da mesma família, dobram as folhas para cima ao anoitecer e as abrem de novo de manhã. O movimento tem nome, nictinastia, e rendeu à maranta o apelido de planta-rezadeira: à noite, as folhas lembram mãos juntas em oração.
Escolha a planta pelo lugar
O erro mais comum é comprar a planta mais bonita da loja e depois procurar um canto para ela. Funciona melhor o caminho inverso: primeiro olhar o lugar (quanta luz chega ali, se bate sol direto, se tem ar-condicionado, quanto tempo você tem para cuidar) e só então escolher quem vai morar nele. Os próximos capítulos ensinam a fazer essa leitura: a luz, a rega, o vaso, a umidade, o adubo, os problemas mais comuns e, no fim, uma lista de plantas para cada canto.
Na prática
Faça o inventário verde da sua casa:
- Liste as plantas que você já tem e onde cada uma está. Se ainda não tem nenhuma, liste os cantos onde gostaria de ter.
- Para cada lugar, anote se bate sol direto, a que distância está da janela e se o ambiente tem ar-condicionado.
- Marque as plantas que parecem tristes (folhas amarelas, caules compridos e finos, pontas secas). Guarde a lista: ao longo do guia, você vai descobrir o que cada uma está pedindo.
Fontes
- Modolo, L. M. O. Plantas na unidade doméstica e bem-estar no ambiente urbano: o núcleo comercial central de Piracicaba (SP). Esalq/USP (dissertação de mestrado), 2022.
- Lee, M. S. et al. Interaction with indoor plants may reduce psychological and physiological stress by suppressing autonomic nervous system activity in young adults: a randomized crossover study. Journal of Physiological Anthropology, v. 34, 2015. (em inglês)
- Cummings, B. E.; Waring, M. S. Potted plants do not improve indoor air quality: a review and analysis of reported VOC removal efficiencies. Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology, v. 30, 2020. (em inglês)
- Drexel University. Study: actually, potted plants don't improve air quality. Drexel News, 2019. (em inglês)
- EPPO. Maranta leuconeura (MARLE). EPPO Global Database. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. How to grow calatheas. RHS. (em inglês)
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1 de 3Para melhorar o ar dentro de casa, o que funciona de verdade?
Ler a luz da sua casa
A luz é o alimento da planta. É com ela que as folhas fazem a fotossíntese e produzem a energia para crescer. Dentro de casa, a luz que chega até as folhas varia muito de um canto para outro, e quase sempre é menor do que parece. Por isso, ler a luz da casa é o primeiro passo para escolher onde cada planta vai morar.
Sol direto, luz clara e sombra
As etiquetas das plantas falam em "sol pleno", "meia-sombra" e "luz indireta". Dentro de casa, dá para traduzir assim:
- Sol direto: o raio de sol bate na folha, e a planta faz uma sombra bem marcada no chão. Suculentas e cactos adoram; a maioria das folhagens queima.
- Luz clara e indireta: o lugar é bem iluminado, perto de uma janela, mas o sol não bate na planta, ou bate só filtrado por uma cortina fina. É a luz preferida da maioria das plantas de interior.
- Pouca luz: longe das janelas, num corredor ou no fundo da sala. Poucas plantas aceitam, e mesmo essas crescem devagar.
Cada janela, uma luz
A direção para onde a janela está virada muda tudo. Na maior parte do Brasil, que fica abaixo da linha do Equador, o sol passa pelo lado norte do céu. Por isso, as fachadas voltadas para o norte recebem sol durante boa parte do ano, principalmente no inverno, quando o sol fica mais baixo e entra mais fundo nos cômodos.

A janela do leste recebe o sol da manhã, mais suave, que agrada a muitas folhagens. A do oeste pega o sol da tarde, o mais quente do dia, que pode queimar as plantas mais delicadas encostadas no vidro. A do sul recebe pouco sol direto, mas costuma ter uma luz clara e constante, ótima para quem não gosta de sol. No Norte e em parte do Nordeste, mais perto do Equador, o sol passa quase a pino e essa diferença entre norte e sul diminui.
A luz cai rápido longe da janela
O detalhe que mais engana é a distância. Um cômodo pode parecer bem iluminado, mas a luz diminui muito a cada passo que você se afasta do vidro. Uma referência da extensão rural da Universidade do Arizona divide assim: até cerca de 1 metro de uma janela grande, muita luz; de 1 a 2,5 metros, luz média; além disso, no meio da sala ou num corredor, pouca luz.

Cortinas grossas, varandas cobertas, árvores e prédios em frente também roubam luz. E o sol muda com as estações: um canto que recebe sol de manhã no inverno pode ficar na sombra no verão, e vice-versa.
Como medir a luz da sua casa
Não precisa de aparelho. Num dia claro, por volta do meio-dia, coloque a mão uns 30 centímetros acima do lugar onde a planta vai ficar e olhe a sombra que ela faz. Sombra nítida, de contorno bem marcado, indica luz forte. Sombra visível, mas de borda borrada, indica luz média. Sombra fraca ou quase inexistente indica pouca luz. Se quiser números, aplicativos de luxímetro no celular dão uma ideia aproximada, boa para comparar um canto com outro.
A planta conta se a luz está errada
Quando falta luz, a planta estica: o caule fica comprido e fino, o espaço entre uma folha e outra aumenta, as folhas novas saem menores e mais pálidas, e tudo se inclina na direção da janela. Esse alongamento tem nome, estiolamento, e é a planta procurando luz. Plantas de folhas manchadas de branco ou amarelo podem perder as manchas e ficar todas verdes, também por falta de luz.
Quando sobra sol, aparecem manchas pálidas, amareladas ou marrons nas folhas que ficam viradas para o vidro, como uma queimadura. Nos dois casos, a solução é mudar o vaso de lugar, aos poucos, e observar as folhas novas. Girar o vaso um quarto de volta a cada rega ajuda a planta a crescer por igual, sem tombar para um lado.
Você sabia?
As plantas "enxergam" a cor da luz. Elas têm pigmentos chamados fitocromos, que percebem quando a luz chega filtrada por outras folhas, porque ela muda de cor ao atravessá-las. Ao sentir que está na sombra, a planta investe em esticar o caule para tentar alcançar a luz. É o mesmo mecanismo que faz a muda esquecida no canto da sala ficar comprida e fina.
Na prática
Desenhe o mapa de luz da sua casa:
- Descubra a direção das janelas com a bússola do celular e anote: norte, sul, leste ou oeste.
- Faça o teste da sombra ao meio-dia nos lugares onde você tem ou quer ter plantas, e classifique cada um em muita, média ou pouca luz.
- Confira as plantas da sua lista do capítulo 1: alguma está esticada, inclinada ou com folhas queimadas? Experimente mudá-la de lugar e acompanhe as folhas novas.
Fontes
- Oliveira, C. L. et al. Viabilidade de instalação de brises-soleil em fachadas de um prédio da Universidade Regional do Estado do Rio Grande do Sul. Unijuí.
- Venancio, M. M. H. Classificação do grupo sucessional de espécies nativas por da análise do processo de estiolamento de plântulas. Unesp Rio Claro (trabalho de conclusão de curso), 2010.
- Davison, E. Indoor plant selection and care (AZ1025). University of Arizona Cooperative Extension, 1998. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. Leaf damage on houseplants. RHS. (em inglês)
- Hodgson, L. A shadow test for houseplants. Laidback Gardener, 2016. (em inglês)
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1 de 3Na maior parte do Brasil, qual janela costuma receber mais sol, principalmente no inverno?
Rega: o erro que mais mata planta
Planta dentro de casa raramente morre de sede. O mais comum é morrer afogada. A extensão rural da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, põe o excesso de rega em primeiro lugar entre as causas de morte de plantas de interior. Parece contraditório, mas a raiz precisa de duas coisas: água e ar. Quando a terra fica encharcada o tempo todo, o ar some dos poros, as raízes apodrecem e param de levar água para as folhas. Aí acontece o mais confuso: a planta afogada murcha igualzinho a uma planta com sede, e quem cuida rega ainda mais.
Regue pela terra, não pelo calendário
Regar "toda segunda-feira" ignora o que muda de verdade: a luz que a planta recebe, o calor, o tamanho do vaso e a época do ano. Em vez de seguir uma data, pergunte à terra antes de cada rega:
- Teste do dedo: enfie o dedo de 2 a 3 centímetros na terra. Seca nessa profundidade, é hora de regar a maioria das folhagens. Úmida e fresca, espere.
- Peso do vaso: levante o vaso logo depois de uma rega e de novo quando a terra estiver seca. Em pouco tempo você reconhece pela mão quando ele está pedindo água.
- Palito de churrasco: em vasos grandes, enfie um palito até o fundo e tire. Se sair com terra úmida grudada, ainda tem água lá embaixo.

Cada planta tem o seu ponto
As plantas de interior mais comuns se dividem em três grupos quando o assunto é água:
- As que guardam água, como cactos, suculentas, zamioculca e espada-de-são-jorge, têm folhas, caules ou raízes que funcionam como reservatório. Deixe a terra secar quase toda antes de regar de novo. Para elas, o excesso é bem mais perigoso do que a falta.
- As folhagens comuns, como jiboia, costela-de-adão, lírio-da-paz e filodendros, gostam de uma rega farta quando os primeiros 2 a 3 centímetros de terra secam.
- As que gostam de umidade, como samambaias, calateias e marantas, preferem a terra sempre levemente úmida, sem nunca encharcar e sem secar de todo.
Na dúvida, o lírio-da-paz é um bom professor: quando falta água, ele derruba as folhas de forma bem visível e se levanta poucas horas depois de regado. Só não espere ele desmaiar toda vez para regar.
Como regar
Quando for regar, regue de verdade: despeje água devagar sobre toda a superfície da terra até ela começar a sair pelos furos do fundo. Assim todas as raízes recebem água, e não só as de cima. Terra que secou demais às vezes repele a água, que escorre pela borda sem molhar o miolo. Se isso acontecer, deixe o vaso de molho numa bacia com alguns centímetros de água por uns 20 minutos, para a terra beber por baixo, e depois deixe escorrer bem.
O furo no fundo é obrigatório. Vaso sem furo vira um poço: a água que sobra fica parada no fundo, longe da vista, e apodrece as raízes. O cachepô, aquele vaso decorativo sem furo, pode ser usado por fora, desde que você esvazie a água que escorre para dentro dele.

A rega muda com a estação
Nos meses mais frios e com menos luz, as plantas crescem menos e gastam menos água. A Sociedade Real de Horticultura, do Reino Unido, recomenda regar menos nessa época, e para cactos e suculentas o descanso pede quase nenhuma rega. Já no calor, perto de uma janela ensolarada ou num ambiente com ar-condicionado, que seca o ar, a terra seca bem mais rápido. É por isso que o teste do dedo funciona melhor do que qualquer calendário: ele acompanha essas mudanças sozinho.
Você sabia?
Aquelas mosquinhas pretas e pequenas que voam em volta dos vasos são, quase sempre, sinal de terra molhada demais. São as mosquinhas do fungo: as larvas vivem na camada de cima da terra úmida, comendo fungos e matéria orgânica. Deixar a superfície secar entre uma rega e outra já reduz bastante o problema.
Água demais ou de menos?
Como as duas situações fazem a planta murchar, o jeito de saber é olhar o conjunto. A terra é a primeira pista: úmida há dias aponta para excesso; seca e descolando da borda do vaso aponta para falta.

Se a suspeita for excesso, pare de regar e tire a planta do vaso para olhar as raízes. Raízes saudáveis são firmes e claras; as que apodreceram ficam escuras, moles e com cheiro ruim. Jogue fora a água acumulada, troque a terra por um substrato novo e mais arejado e só volte a regar quando os primeiros centímetros secarem. Se quase todas as raízes estiverem podres, tente salvar a planta fazendo mudas com as partes sadias, como você vai ver no capítulo sobre multiplicar.
Na prática
Faça uma semana de observação da água:
- Todo dia, faça o teste do dedo em cada vaso e anote quantos dias a terra leva para secar a 2 centímetros. Você vai descobrir que cada planta tem o seu ritmo.
- Levante cada vaso logo depois de regar e de novo antes da rega seguinte, para treinar a mão a sentir o peso.
- Confira os vasos sem furo e os cachepôs: tem água parada no fundo? Esvazie e, se for preciso, troque por um vaso com furo.
Fontes
- Dias-Filho, M. B. Características morfofisiológicas associadas à tolerância de gramíneas ao alagamento e ao encharcamento (Documentos 383). Embrapa Amazônia Oriental, 2012.
- Souza, A. R. C. et al. Consumo hídrico e desempenho de Kalanchoe cultivado em substratos alternativos. Ciência Rural (UFSM), v. 40, 2010.
- Embrapa. Horta em pequenos espaços. Embrapa, 2017.
- Guimarães, J. A. et al. Manual de reconhecimento e controle das principais pragas do antúrio no estado do Ceará (Documentos 114). Embrapa Agroindústria Tropical, 2008.
- Cormany, A. (University of Maryland Extension). Top 10 ways to kill a houseplant. Maryland Grows, 2021. (em inglês)
- Iowa State University Extension. Why is my houseplant wilting?. Yard and Garden. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. How to help a poorly houseplant. RHS. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. Winter interest houseplants and care tips. RHS. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. How to grow cacti and succulents. RHS. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. How to grow calatheas. RHS. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. How to grow peace lilies. RHS. (em inglês)
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1 de 3Sua jiboia está murcha. Antes de regar, o que você faz?
Vaso, substrato e troca de vaso
O vaso é a casa da raiz, e o substrato é o chão dessa casa. Uma planta pode estar no lugar certo, com a luz certa, e mesmo assim sofrer porque a terra do vaso não deixa a raiz respirar. Neste capítulo você vai entender o que faz um bom substrato, desfazer um mito muito repetido e aprender a hora de trocar de vaso.
Terra de vaso não é terra de jardim
No chão, a água que sobra escoa para baixo e para os lados, e minhocas e raízes mantêm a terra aberta. No vaso não: a terra fica presa num espaço pequeno e, a cada rega, tende a se compactar. Por isso a Embrapa lembra que o substrato precisa ser melhor do que o solo justamente no que mais importa para a raiz: aeração, permeabilidade e estrutura que não desmancha com o tempo, além de vir livre de sementes de mato.
Terra pura do quintal costuma dar errado em vaso: fica pesada, empedra e segura água demais. A extensão rural da Universidade do Arizona também desaconselha usá-la sozinha, porque pode trazer pragas e doenças.
Um bom substrato para cada grupo
Os substratos vendidos para plantas de interior já resolvem a maioria dos casos. Dá para ajustar a mistura de acordo com a planta:
- Folhagens comuns (jiboia, lírio-da-paz, filodendros): substrato para plantas com uma parte de material grosso, como casca de pinus ou perlita, para abrir espaço para o ar.
- Costela-de-adão e filodendros grandes, de raízes grossas, gostam de uma mistura ainda mais pedaçuda, com bastante casca de pinus.
- Cactos e suculentas: substrato com bastante areia grossa ou pedrisco, que drena rápido.
- Samambaias e calateias: substrato mais rico em fibra ou pó de coco, que segura mais umidade sem encharcar.
O pó da casca de coco é um ingrediente bem brasileiro. A Embrapa desenvolveu um substrato a partir dele, o Coquita, com uma receita simples: 70% de pó de casca de coco lavado, 20% de composto orgânico e 10% de húmus de minhoca. Ele serve para mudas e também para vasos de plantas ornamentais.
Pedra no fundo não melhora a drenagem
Quase todo mundo já ouviu que é preciso pôr uma camada de pedras, brita ou cacos no fundo do vaso para a água escorrer. Parece lógico, mas os estudos de física do solo mostram o contrário há quase cem anos. A água tem dificuldade de passar de um material fino, como o substrato, para um material grosso, como a brita. Ela só desce depois que a camada de cima fica completamente encharcada.

Na prática, a camada de pedras sobe a faixa encharcada para mais perto das raízes, e ainda rouba espaço de substrato. A extensão rural da Universidade de Illinois e a pesquisadora Linda Chalker-Scott, da Universidade Estadual de Washington, chamam a recomendação de mito. O que drena de verdade é o furo no fundo e um substrato arejado do começo ao fim do vaso. Se quiser evitar que a terra escape pelo furo, uma tela ou um pedaço de manta resolvem.
Onde as pedras ajudam é fora do vaso: uma camada de pedriscos no fundo do cachepô ou no pratinho deixa o vaso apoiado acima da água que escorre, sem a raiz ficar de molho.
Barro ou plástico?
O vaso de barro sem verniz deixa a umidade evaporar pelas paredes, então a terra seca mais rápido. É ótimo para suculentas e para quem tende a regar demais. O de plástico segura a umidade por mais tempo e é mais leve, bom para samambaias e para quem esquece de regar. Em qualquer material, o essencial é ter furo no fundo.
A hora de trocar de vaso
Com o tempo, a raiz ocupa todo o vaso. Os sinais de que ela não cabe mais são raízes saindo pelos furos do fundo e raízes enroladas em volta do torrão, que podem até atrapalhar a água de escorrer. Para muitas folhagens, como a jiboia, a Sociedade Real de Horticultura recomenda trocar a cada dois ou três anos.

O melhor momento é no começo da primavera ou do período de crescimento. Escolha um vaso no máximo um terço maior. Parece pouco, mas um vaso grande demais tem muita terra sem raiz, que fica molhada por dias e favorece a podridão. Na troca: regue a planta na véspera, tire-a com cuidado, solte as raízes enroladas com os dedos, coloque-a na mesma altura em que estava, complete com substrato novo sem apertar demais e regue até a água sair pelos furos.
Você sabia?
Nem toda planta precisa de vaso maior para continuar bem. Quando o vaso já está do tamanho que você quer, dá para tirar a planta, podar um pouco das raízes e das folhas, renovar parte do substrato e devolvê-la ao mesmo vaso. A Sociedade Real de Horticultura indica essa alternativa para vasos grandes e pesados.
Na prática
Faça a revisão dos vasos da sua casa:
- Vire cada vaso e olhe o fundo: tem furo? Tem raiz saindo por ele?
- Escolha uma planta suspeita e tire-a do vaso com cuidado para ver o torrão. Raízes enroladas por toda a volta pedem um vaso um pouco maior.
- Se algum vaso tem pedras no fundo, na próxima troca deixe-as de fora e use substrato até o fundo, com uma tela sobre o furo.
Fontes
- Souza, F. X. Materiais para formulação de substratos na produção de mudas e no cultivo de plantas envasadas (Documentos 43). Embrapa Agroindústria Tropical, 2001.
- Embrapa Tabuleiros Costeiros. Substrato Coquita: insumo agropecuário obtido a partir da casca de coco. Embrapa.
- University of Illinois Extension. Container drainage options. Illinois Extension. (em inglês)
- Chalker-Scott, L. (Washington State University). The myth of drainage material in container plantings. WSU Puyallup Research and Extension Center. (em inglês)
- Davison, E. Indoor plant selection and care (AZ1025). University of Arizona Cooperative Extension, 1998. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. How to repot a plant. RHS. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. How to grow epipremnum. RHS. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. Growing media for houseplants. RHS. (em inglês)
Teste rápido
1 de 3O que acontece quando se coloca uma camada de brita no fundo do vaso?
Umidade, temperatura e ar-condicionado
Lembra que boa parte das plantas de interior vem de florestas tropicais? Lá, o ar é úmido, a temperatura muda pouco e quase não venta debaixo das árvores. Dentro de casa, elas encontram ar-condicionado, janela fria, fogão e vento encanado. Este capítulo mostra como esses detalhes aparecem nas folhas e o que dá para fazer.
Pontas secas: o recado do ar seco
O sinal mais comum de ar seco são pontas e bordas das folhas marrons e secas, às vezes com folhas amarelando. A extensão rural da Universidade do Arizona cita esses sintomas em plantas tropicais mantidas em ar seco, e lembra que o ar-condicionado tende a ressecar o ambiente. Calateias, marantas e samambaias são as primeiras a reclamar; suculentas e cactos, que vêm de lugares secos, nem ligam.
No Brasil, o ar seco tem endereço e estação. Um estudo da Universidade Federal de Campina Grande mostrou que o Centro-Oeste é a região com mais dias de umidade relativa do ar abaixo de 30%, concentrados no inverno, que é a estação seca por lá. Em Brasília, Goiânia ou Cuiabá, entre maio e setembro, as plantas que gostam de umidade sofrem mesmo dentro de casa. Nesses meses, regar não resolve: o problema é o ar, não a terra.
Como aumentar a umidade de verdade

- Umidificador: é o jeito mais eficaz, segundo a extensão rural da Universidade Estadual de Iowa. Faz sentido principalmente na estação seca e em cômodos com ar-condicionado ligado o dia todo.
- Agrupar as plantas: folhas e terra soltam vapor de água, e várias plantas juntas criam um cantinho mais úmido do que uma planta sozinha.
- Bandeja com pedriscos e água: coloque o vaso sobre uma bandeja com pedriscos e água, com a água sempre abaixo do fundo do vaso. Se a água encostar, a raiz fica de molho e apodrece.
- Banheiro e cozinha costumam ser mais úmidos e podem ser bons lugares para samambaias, desde que tenham luz.
E o borrifador? É o hábito mais comum e o que menos funciona. A extensão de Iowa explica que as folhas secam rápido e a umidade volta ao que era em pouco tempo; seria preciso borrifar várias vezes por dia para fazer diferença.
Temperatura: conforto parecido com o nosso
A boa notícia é que a temperatura que agrada às pessoas costuma agradar às plantas de interior. A referência da Universidade do Arizona é de cerca de 21 a 27 °C durante o dia e 15 a 21 °C à noite. O que faz mal são os extremos e, principalmente, as mudanças bruscas.

- Ar-condicionado: nunca deixe a planta no caminho do jato de ar. Além de frio, ele é seco e resseca as folhas mais rápido.
- Janela no inverno: no Sul e nas serras, o vidro esfria muito à noite. Folhas encostadas nele podem queimar de frio. Afaste o vaso ou feche a cortina entre a planta e o vidro à noite.
- Fogão, forno e aquecedor: o calor seco e concentrado queima as pontas. A extensão do Arizona recomenda nunca deixar plantas perto de fontes de calor.
- Portas e corredores com vento: as correntes de ar frio e as mudanças bruscas estressam a planta.
A calateia, uma das mais sensíveis, mostra bem o padrão: a Sociedade Real de Horticultura recomenda mantê-la entre 16 e 21 °C, com poucas variações, longe de correntes de ar e de aquecedores.
Você sabia?
Cactos e suculentas aceitam o ar mais seco da casa sem reclamar. A referência da Universidade do Arizona para elas é de apenas 5 a 15% de umidade relativa, enquanto a maioria das folhagens prefere de 20 a 40% ou mais. Por isso, num apartamento seco do Centro-Oeste, eles são uma escolha muito mais tranquila do que uma calateia.
Na prática
Faça a ronda do clima da sua casa:
- Procure os pontos de risco: saída do ar-condicionado, janelas que esfriam à noite, perto do fogão e portas com vento. Tem alguma planta nesses lugares? Afaste-a.
- Junte as plantas que gostam de umidade (samambaias, calateias, marantas) num mesmo canto iluminado, e experimente uma bandeja com pedriscos e água embaixo delas.
- Se você mora numa região seca, acompanhe a previsão de umidade do ar nos meses de seca e, nos dias mais secos, mantenha as plantas sensíveis longe do ar-condicionado.
Fontes
- Almeida, J. M. V. Índices de monitoramento e detecção de mudanças climáticas na região Centro-Oeste do Brasil. UFCG (dissertação de mestrado em Meteorologia), 2012.
- Davison, E. Indoor plant selection and care (AZ1025). University of Arizona Cooperative Extension, 1998. (em inglês)
- Iowa State University Extension. How can I raise the relative humidity indoors for my houseplants?. Yard and Garden. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. How to grow calatheas. RHS. (em inglês)
Teste rápido
1 de 3Sua calateia tem as pontas das folhas marrons, mas a terra está no ponto certo. Qual a causa mais provável?
Adubar pouco e na hora certa
Quando uma planta não vai bem, a primeira ideia de muita gente é dar adubo. Mas adubo não é remédio. É um complemento para uma planta que já tem luz, água e um vaso adequados. Uma planta no escuro não aproveita adubo nenhum, porque é a luz que a faz crescer. E adubo demais faz mal. Neste capítulo você vai aprender quando, quanto e com o que adubar.
Por que planta de vaso precisa de adubo
No chão, as raízes vão longe buscar nutrientes, e folhas e bichos que se decompõem repõem o que a planta tira. No vaso, a quantidade de terra é pequena e os nutrientes acabam. Além disso, cada rega que escorre pelo fundo leva um pouco deles embora. Por isso, de tempos em tempos, é preciso repor.
Quando adubar
A regra das extensões rurais americanas é adubar só enquanto a planta está crescendo ativamente e dar uma pausa nos dias curtos e de pouca luz do inverno, quando ela quase não cresce. Lá, isso significa de março a setembro. No Brasil, as estações são invertidas: na maior parte do país, a época de adubar vai da primavera ao fim do verão, mais ou menos de setembro a março.

Onde faz calor o ano todo, como em boa parte do Norte e do Nordeste, a diferença entre as estações é menor. Aí o melhor sinal é a própria planta: adube quando ela estiver soltando folhas novas, e espere quando ela parar.
Quanto adubar: menos é mais
A extensão da Universidade de Illinois lembra que a maioria das plantas de interior não precisa de adubo mais de uma vez a cada um a três meses. A da Universidade de Connecticut sugere uma alternativa ainda mais segura: usar metade da dose indicada na embalagem, com um pouco mais de frequência. E sempre adubar com a terra já úmida, nunca seca, para não queimar as raízes.
Para folhagens, os adubos equilibrados funcionam bem, aqueles com números parecidos nas três posições do rótulo NPK (nitrogênio, fósforo e potássio). Muitos substratos prontos já trazem adubo de liberação lenta, que segundo a extensão de Illinois costuma durar de três a quatro meses. Confira o rótulo antes de adubar uma planta recém-trocada de vaso.
Adubo feito em casa
Quem tem composteira tem adubo de graça. Uma camada fina de húmus de minhoca ou composto bem curtido sobre a terra, renovada de tempos em tempos, alimenta a planta devagar e melhora o substrato. O líquido que escorre do minhocário também serve, mas é concentrado: a Embrapa recomenda diluir, na proporção de uma parte de líquido para quatro de água. O Guia de Compostagem do Cultivar mostra como montar e manter a sua.
Quando sobra adubo
Adubo é sal. Quando se acumula no vaso, ele queima as pontas das raízes e ainda atrapalha a planta de puxar água, por isso ela pode murchar mesmo com a terra úmida. Uma pesquisa da Universidade Federal do Ceará com plantas ornamentais tropicais lembra que o excesso de sais afeta o crescimento e a qualidade dessas plantas.

Os sinais são uma crosta branca na superfície da terra ou na borda do vaso, pontas e bordas das folhas marrons, murcha com a terra úmida e folhas novas deformadas. A solução é lavar o vaso: raspe a crosta, coloque o vaso na pia ou no tanque e passe bastante água pela terra, deixando escorrer bem pelos furos. A extensão de Illinois recomenda fazer isso a cada quatro a seis meses, mesmo sem sinal de problema, e depois esvaziar o pratinho.
Você sabia?
Aquela crosta branca que aparece na borda dos vasos, principalmente nos de barro, é sal que foi se acumulando. Como o barro deixa a água evaporar pelas paredes, os sais que ela carregava ficam marcados por fora. A extensão da Universidade de Connecticut aponta essa crosta como um dos sinais de adubação em excesso.
Na prática
Monte o calendário de adubo da sua casa:
- Olhe as plantas agora: estão soltando folhas novas? Se sim, é época de adubar; se não, espere.
- Leia o rótulo do adubo que você tem e anote a dose. Comece com metade dela.
- Procure crosta branca na terra e na borda dos vasos. Se encontrar, lave o vaso com bastante água e marque no calendário a próxima lavagem para daqui a quatro a seis meses.
Fontes
- Lacerda, C. F. et al. Morphophysiological responses and mechanisms of salt tolerance in four ornamental perennial species under tropical climate. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 24, n. 10 (UFC), 2020.
- Embrapa Tabuleiros Costeiros. Manejo de minhocários domésticos (Documentos 203). Embrapa, 2015.
- Embrapa Hortaliças. Compostagem (Hortaliça não é só salada). Portal Embrapa.
- University of Illinois Extension. Houseplants: care. Illinois Extension. (em inglês)
- University of Connecticut, Home & Garden Education Center. Houseplant fertilization. UConn. (em inglês)
Teste rápido
1 de 3Na maior parte do Brasil, em que época as plantas de interior devem ser adubadas?
Quando algo dá errado
Mais cedo ou mais tarde, toda planta dá sinal de que algo não vai bem: uma folha amarela, uma ponta seca, uns pontinhos brancos no verso. Antes de sair comprando produto, vale lembrar o que os capítulos anteriores ensinaram: a maior parte dos problemas de planta de interior vem do lugar e do cuidado, não de doença. A extensão rural da Universidade Estadual de Iowa lembra que muitos problemas de plantas de interior não têm uma causa só.
Folha amarela tem muitas causas
Folha amarela é o sinal mais comum e o que mais confunde, porque pode querer dizer coisas opostas. O jeito de entender é olhar onde e quantas folhas amarelam:

- Uma ou outra folha de baixo amarelando numa planta que, no resto, está bem: é normal. A Sociedade Real de Horticultura explica que as folhas mais velhas envelhecem e caem.
- Muitas folhas amarelando juntas, inclusive as novas, e moles: na maioria das vezes é excesso de água, segundo a extensão da Universidade Clemson. Volte ao capítulo de rega e confira a terra e as raízes.
- A planta inteira pálida e esticada: pouca luz.
- Pontinhos amarelos espalhados pela folha, às vezes com bichinhos no verso: suspeite de praga.
Conheça as pragas mais comuns
Dentro de casa, sem os inimigos naturais que existem lá fora, algumas pragas pequenas se multiplicam rápido. Um manual da Embrapa sobre as pragas do antúrio, uma planta muito comum em vaso, descreve bem as quatro que mais aparecem:

- Cochonilhas: ficam paradas no verso das folhas e nos caules, como bolinhas brancas de algodão ou pequenas cascas marrons, sugando a seiva. Causam manchas amarelas e soltam um líquido açucarado onde cresce um fungo preto, a fumagina. Se você vê formigas subindo e descendo a planta, procure cochonilhas: as formigas comem esse açúcar e ainda protegem as cochonilhas dos predadores.
- Pulgões: bichinhos de uns 2 milímetros, verdes, marrons ou pretos, que se juntam nas partes novas e deixam as folhas enrugadas e deformadas.
- Ácaros: tão pequenos que quase não se veem. Vivem em colônias no verso das folhas, tecem teias finas e deixam a folha com aspecto bronzeado e manchas amareladas. A Embrapa destaca que eles são favorecidos por ambiente quente e seco, e que adubo em excesso deixa a planta mais atrativa para eles.
- Mosquinha do fungo: as mosquinhas pretas que voam em volta do vaso, que você já conheceu no capítulo de rega. O fator principal é a umidade em excesso na terra.
O que fazer, do mais simples ao mais forte
Comece sempre pelo mais simples. Para planta de interior, quase sempre basta:
- Separar a planta das outras enquanto trata, para a praga não se espalhar.
- Tirar à mão e lavar: a extensão de Iowa recomenda passar um cotonete com álcool em cada cochonilha, uma a uma, e um jato forte de água morna para derrubar cochonilhas, pulgões e ácaros. Para ácaros, um banho de chuveiro na planta funciona bem.
- Corrigir a causa: mais umidade contra ácaros, menos rega contra a mosquinha do fungo, menos adubo se a planta estiver cheia de brotos moles.
- Repetir por algumas semanas, porque os ovos continuam eclodindo. Sabões próprios para plantas, vendidos em lojas de jardinagem, podem ajudar; siga sempre o rótulo e teste antes numa folha.
A mesma extensão é realista: cochonilhas são difíceis de controlar, e às vezes, numa planta muito atacada e de pouco valor, o melhor é descartá-la antes que a praga passe para as outras.
Você sabia?
Dá para descobrir ácaros com uma folha de papel branco. A extensão da Universidade Estadual de Iowa ensina: segure o papel embaixo de um galho e dê umas batidinhas no galho. Se houver ácaros, eles aparecem no papel como pontinhos que andam devagar.
Na prática
Faça a inspeção da semana:
- Vire as folhas de cada planta e olhe o verso e os caules com calma, se possível com uma lupa ou a câmera do celular com zoom.
- Faça o teste do papel branco nas plantas com folhas manchadas ou bronzeadas.
- Para cada folha amarela, use a tabela do capítulo e anote a causa mais provável antes de mudar qualquer cuidado. No app Cultivar, você também pode tirar uma foto e pedir um diagnóstico.
Fontes
- Guimarães, J. A. et al. Manual de reconhecimento e controle das principais pragas do antúrio no estado do Ceará (Documentos 114). Embrapa Agroindústria Tropical, 2008.
- Iowa State University Extension. Diagnosing houseplant problems related to poor culture. Yard and Garden. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. Leaf damage on houseplants. RHS. (em inglês)
- Clemson Cooperative Extension. Houseplant diseases & disorders. Home & Garden Information Center. (em inglês)
- Iowa State University Extension. How do I control mealybugs on a houseplant?. Yard and Garden. (em inglês)
- Iowa State University Extension. Spider mites. Yard and Garden. (em inglês)
Teste rápido
1 de 3Uma ou outra folha de baixo amarelou numa planta que, no resto, está bonita. O que provavelmente é?
Multiplicar e presentear
Uma das alegrias de ter plantas é ver que, de um pedaço, nasce outra planta inteira. Muitas plantas de interior se multiplicam com uma facilidade impressionante, e uma única jiboia pode virar mudas para a casa toda e para os amigos. É também o jeito de salvar uma planta que apodreceu, como você viu no capítulo de rega.
Como uma planta vira duas
As plantas conseguem formar raízes novas a partir de pedaços do próprio corpo. A Embrapa explica que a estaquia usa qualquer segmento da planta, seja ramo, raiz ou folha, que, colocado no meio certo, forma raízes e origina uma planta nova. As mudas assim são cópias da planta-mãe: mesma cor, mesmo formato de folha. Os três jeitos mais usados em casa são estes:

Estaca na água
É o jeito mais fácil e o mais divertido, porque dá para ver as raízes nascendo. Funciona muito bem com jiboia, filodendros e tradescâncias. O segredo está no nó, aquele ponto do caule de onde sai a folha e, muitas vezes, uma raizinha aérea marrom: é dele que as raízes novas brotam.

- Corte um pedaço com tesoura limpa, logo abaixo de um nó, deixando pelo menos um nó e uma ou duas folhas. Material de viveiro da Embrapa sugere estacas de 7 a 15 centímetros, tirando as folhas da metade de baixo.
- Coloque num copo ou vidro com água, com o nó submerso e as folhas para fora. A Sociedade Real de Horticultura recomenda que a água fique logo abaixo das folhas.
- Deixe em lugar claro, sem sol direto, e troque a água quando ficar turva.
- Em três a quatro semanas, as raízes aparecem. Quando estiverem com alguns centímetros, plante num vaso pequeno com substrato e mantenha a terra um pouco mais úmida nas primeiras semanas, para a planta se acostumar.
Pedaço de folha
Algumas plantas nascem de um pedaço de folha. Na espada-de-são-jorge, a Sociedade Real de Horticultura ensina a cortar uma folha madura em pedaços de uns 5 centímetros, guardar a posição em que cada pedaço crescia (a parte de baixo vai na terra), deixar um ou dois dias num lugar seco para o corte cicatrizar e então enterrar metade do pedaço em substrato levemente úmido. Muitas suculentas também se multiplicam a partir de folhas soltas.
Divisão e filhotes
Plantas que formam touceira, como o lírio-da-paz e a espada-de-são-jorge, e as que soltam filhotes, como o clorofito, se multiplicam de um jeito ainda mais simples. Na troca de vaso, separe a touceira em partes com as mãos ou com uma faca limpa, garantindo que cada parte leve folhas e raízes, e plante cada uma no seu vaso. Os filhotes que nascem em volta da planta, ou pendurados, como no clorofito, podem ser separados quando já tiverem raízes.
A melhor época
A Sociedade Real de Horticultura indica o fim da primavera e o começo do verão, quando a planta está crescendo com força, mas lembra que as estacas pegam na maior parte do ano. No Brasil, isso quer dizer que a primavera e o verão são as épocas mais garantidas. Se um galho quebrar fora de época, vale tentar mesmo assim: coloque na água e veja o que acontece.
Você sabia?
Com estacas, dá para deixar mais cheio o vaso da própria planta-mãe. Plante algumas estacas enraizadas de jiboia no mesmo vaso, perto da base, e em alguns meses aquele vaso com ramos compridos e falhados volta a ficar cheio de folhas.
Na prática
Faça a sua primeira muda e passe adiante:
- Escolha uma planta fácil, como uma jiboia ou uma tradescância, e corte duas ou três estacas, cada uma com um nó.
- Coloque na água num vidro transparente, num lugar claro, e marque no calendário a data. Olhe as raízes toda semana.
- Quando enraizar, plante uma no seu vaso e dê outra de presente, junto com o que você aprendeu neste guia.
Fontes
- Embrapa Cerrados. Produção de mudas: principais técnicas utilizadas na propagação de fruteiras (Documentos 283). Embrapa, 2010.
- Embrapa Florestas. Curso intensivo de viveiros e produção de mudas (Documentos 79). Embrapa, 2002.
- Royal Horticultural Society. How to take cuttings from houseplants. RHS. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. How to grow sansevierias. RHS. (em inglês)
Teste rápido
1 de 3Onde cortar uma estaca de jiboia para colocar na água?
Uma planta para cada canto
Chegamos ao último capítulo, e agora você já sabe o mais importante: escolher a planta pelo lugar, e não o contrário. Aqui está um mapa para essa escolha, com as plantas mais fáceis de encontrar no Brasil, organizadas pela luz de que precisam. E, antes de levar qualquer uma para casa, um cuidado que vale para quem tem crianças ou bichos de estimação.
Uma planta para cada canto

- Pouca luz: a zamioculca vai bem desde a luz indireta até a sombra, guarda água nas raízes e deve secar por completo entre as regas. A planta-de-ferro, ou aspidistra, é uma das que mais aguentam sombra. A aglaonema aceita luz baixa a média. Mesmo essas crescem devagar longe da janela, e nenhuma vive no escuro total.
- Luz clara, sem sol: é onde fica a maioria das folhagens. A jiboia gosta de luz clara, mas sem sol direto, e tolera alguma sombra. O lírio-da-paz pede luz indireta, calor e ar úmido. Calateias, marantas e samambaias querem a mesma luz e ainda mais umidade, como você viu no capítulo 5.
- Sol direto: cactos e suculentas, que em sua maioria gostam de sol pleno. A espada-de-são-jorge aparece em duas colunas porque se adapta tanto ao sol quanto à meia-sombra.
Se você está começando, vá de jiboia, zamioculca ou espada-de-são-jorge: são das plantas que mais perdoam erros. E lembre-se do capítulo de rega: a zamioculca e a espada são do grupo que guarda água e morre mais de excesso do que de falta.
Plantas, crianças e bichos de estimação
Muitas plantas de interior muito comuns são tóxicas se mastigadas ou engolidas. Várias delas pertencem à família das aráceas, como a comigo-ninguém-pode, o lírio-da-paz, a jiboia e a costela-de-adão, e têm cristais de oxalato de cálcio que irritam a boca e a garganta.

O cuidado é maior com crianças pequenas e bichos. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), da Fiocruz, divulgados em 2006, de cada dez casos de intoxicação por plantas no Brasil, seis eram de crianças com menos de nove anos. E um levantamento da USP em clínicas veterinárias de São Paulo apontou a comigo-ninguém-pode como a planta que mais causou acidentes em cães e gatos, ao lado de outras bem comuns em casa, como o antúrio, o lírio-da-paz e a espada-de-são-jorge.
Isso não quer dizer que você não possa ter essas plantas, mas sim que elas devem ficar fora do alcance: em prateleiras altas, vasos pendurados ou cômodos onde crianças pequenas e bichos não ficam sozinhos. Para casas com gatos curiosos ou cachorros que mordem tudo, as plantas da coluna das não tóxicas são escolhas mais tranquilas. A base de plantas da ASPCA, organização americana de proteção animal, é uma das referências mais completas para conferir uma espécie antes de comprar.
Se alguém mastigar ou engolir uma planta, procure atendimento médico e, se possível, leve a planta ou uma foto dela para identificação, como orienta a Fiocruz. O Disque-Intoxicação da Anvisa, no 0800 722 6001, é gratuito e atende a população para tirar dúvidas.
Você sabia?
A atenção não vale só para dentro de casa. A Fiocruz chama a atenção para plantas tóxicas muito comuns em praças e jardins, como o bico-de-papagaio e a coroa-de-cristo, além da própria comigo-ninguém-pode. Num passeio com criança pequena ou com o cachorro, vale o mesmo cuidado: nada de mastigar folha de planta que não se conhece.
E agora?
Você terminou o guia Verde dentro de casa. Já sabe ler a luz da sua casa, regar pela terra, escolher o vaso e o substrato, cuidar da umidade, adubar na medida, reconhecer problemas, fazer mudas e escolher a planta certa para cada canto. O resto se aprende observando, e cada planta vai ensinar alguma coisa. No app Cultivar, você pode cadastrar as suas, receber lembretes de cuidado e tirar fotos para pedir um diagnóstico quando algo parecer estranho.
Na prática
Escolha a próxima planta da sua casa:
- Pegue o mapa de luz que você fez no capítulo 2 e escolha um canto ainda vazio.
- Escolha uma planta da coluna certa para a luz desse canto e, se houver crianças pequenas ou bichos em casa, prefira uma da lista das não tóxicas.
- Antes de comprar, confira na loja se o vaso tem furo e veja de perto o verso das folhas, para não levar uma praga junto.
Fontes
- Sinitox/Fiocruz. Levantamento revela espécies que mais causam intoxicação nos pets. Sinitox, 2018.
- Fiocruz. Perigos das plantas tóxicas podem estar em praças e jardins. Agência Fiocruz de Notícias, 2006.
- Anvisa. Disque intoxicação. gov.br/anvisa.
- ASPCA. Toxic and non-toxic plants (Animal Poison Control). ASPCA. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. Care tips for low-light tolerant houseplants (RHS Urban Show 2024). RHS, 2024. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. How to grow epipremnum. RHS. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. How to grow sansevierias. RHS. (em inglês)
- Royal Horticultural Society. How to grow cacti and succulents. RHS. (em inglês)
Teste rápido
1 de 3Qual destas plantas aguenta um canto com pouca luz, longe da janela?
Leia no app e ganhe folhas
No app, cada capítulo concluído vira folhas no seu jardim, e você pode ouvir tudo em áudio.
