
PANC: plantas alimentícias não convencionais · 7 capítulos
Comida que brota sozinha
Conheça, identifique com segurança e cultive as PANC, plantas de comer que viraram mato
Sobre o guia
Um guia sobre as PANC, plantas alimentícias não convencionais: o que são, as regras de segurança para identificar e preparar cada uma, as espontâneas do quintal como beldroega, serralha, caruru e major-gomes, as folhas tradicionais como ora-pro-nóbis, taioba, bertalha e vinagreira, sabores fortes como capuchinha e jambu, como cultivá-las em casa e como levá-las da horta à mesa.
Plantas que viraram mato
Beldroega, caruru, serralha, ora-pro-nóbis, taioba. Muitas dessas plantas nascem sozinhas no quintal ou já estiveram no prato dos nossos avós, mas hoje são arrancadas como mato. Elas fazem parte de um grupo que ganhou nome há pouco tempo: as PANC, plantas alimentícias não convencionais. Este guia é um convite para conhecê-las, com segurança.
O que são as PANC
Um livro da Embrapa Clima Temperado com a Universidade Federal do Rio Grande define as PANC como plantas com valor nutricional, muitas delas de crescimento espontâneo, que agricultores e consumidores muitas vezes veem como inço ou problema. O termo vale também para partes de plantas conhecidas que costumam ser desprezadas, como as folhas da beterraba, as flores da abóbora ou o "coração" da bananeira.

O nome foi criado pelo botânico Valdely Kinupp, que estudou essas plantas no seu doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, defendido em 2007. Muitas delas também são chamadas de hortaliças não convencionais ou hortaliças tradicionais, nome usado pelo Ministério da Agricultura e pela Embrapa Hortaliças.
Uma riqueza perto de casa
Na Região Metropolitana de Porto Alegre, a pesquisa de Kinupp encontrou 311 espécies nativas com uso alimentício, cerca de 20% das espécies nativas da região, segundo um texto do Grupo Viveiros Comunitários da UFRGS. O mesmo grupo estima que o Rio Grande do Sul tenha mais de 400 espécies nativas ou espontâneas com potencial alimentício.

Por que elas sumiram do prato
Uma publicação do Ministério da Agricultura sobre hortaliças tradicionais, feita com a Emater-MG, a Embrapa Hortaliças e a Epamig, observa que o cultivo e o consumo dessas plantas diminuíram em todas as regiões do país, no campo e na cidade, com a globalização e o uso crescente de alimentos industrializados. Hoje, elas são preservadas sobretudo por populações tradicionais e agricultores familiares, que passam o conhecimento de geração em geração.
A mesma publicação lembra que essas hortaliças normalmente não estão organizadas em cadeias produtivas e não despertam o interesse de empresas de sementes, fertilizantes ou agroquímicos. Por isso, quase não aparecem nos mercados. Recuperá-las é bom para a diversidade da dieta, para a cultura e para a renda de quem as cultiva.
Você sabia?
A beldroega já aparece num livro de 1587. Gabriel Soares de Sousa, no "Tratado descritivo do Brasil", escreveu que beldroegas não se semeiam, porque nascem sozinhas nas hortas e quintais. A citação está num folder da Embrapa Hortaliças sobre a planta.
Na prática
Comece a reparar nas PANC:
- Liste as plantas que nascem sozinhas no seu quintal, horta ou vasos.
- Pergunte a pessoas mais velhas da família quais plantas comiam antigamente e que hoje sumiram.
- Na próxima feira, procure ora-pro-nóbis, taioba, bertalha ou outras folhas diferentes. Não coma nada ainda: o próximo capítulo é sobre segurança.
Fontes
- Durigon, J.; Guarino, E. S. G.; Heiden, G. (ed.). Plantas alimentícias não convencionais no Território Zona Sul: identificação de espécies e usos de estruturas vegetativas. Embrapa Clima Temperado / FURG, 2024.
- Grupo Viveiros Comunitários (UFRGS). Hortaliças não convencionais no Campus do Vale – UFRGS. ufrgs.br, 2022.
- Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Hortaliças não-convencionais (tradicionais). MAPA, com Emater-MG, Embrapa Hortaliças e Epamig, 2010.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: beldroega. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
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1 de 3O que são PANC?
Segurança em primeiro lugar
Antes de colocar qualquer PANC no prato, é preciso aprender a regra mais importante deste guia: segurança vem primeiro. Muitas plantas comestíveis têm parentes ou sósias tóxicos, algumas só podem ser comidas depois de cozidas, e o lugar onde a planta cresceu também conta. O livro de PANC da Embrapa Clima Temperado destaca exatamente esses pontos como as maiores fontes de insegurança para quem começa.
Cinco regras antes de comer

Identifique com certeza. Uma publicação da Embrapa sobre plantas tóxicas lembra que os nomes populares não são confiáveis, porque variam muito e um mesmo nome às vezes é usado para espécies diferentes. Por isso a identificação correta é dada pelo nome científico, que é universal. O livro da Embrapa Clima Temperado também chama a atenção para espécies parecidas, nos casos em que um erro de identificação pode causar intoxicação.
Saiba qual parte se come e como preparar. Segundo o mesmo livro, muitas espécies alimentícias contêm substâncias que podem provocar reações indesejáveis, especialmente quando usadas e processadas de forma errada. Numa planta, a folha pode ser comestível e a raiz não, ou o contrário; e há plantas que só podem ir à mesa cozidas.
Colha em lugar limpo. O livro inclui entre os cuidados a escolha de locais próprios para a coleta, que garantam um alimento livre de contaminação. Para a taioba, por exemplo, recomenda plantar longe de locais suspeitos de contaminação por metais pesados e com uma fonte de água de boa qualidade.
O caso da taioba
A taioba é o melhor exemplo de por que a identificação importa. A Embrapa Hortaliças avisa que nem toda planta chamada de taioba é comestível: algumas não devem ser ingeridas por causa do elevado teor de oxalato de cálcio, que causa coceira nas mucosas e sensação de asfixia. A taioba brava é tóxica.

A dica da Embrapa começa pela procedência: prefira mudas de variedades conhecidas como comestíveis. Depois, observe a folha. Uma nervura que dá a volta completa na borda, a reentrância do coração chegando ao talo e folhas e talos verde-claros indicam, geralmente, a taioba comestível. Um ponto arroxeado onde o talo encontra a folha indica a tendência de ser selvagem, e ela não deve ser consumida. Mesmo a comestível deve ser colhida com as folhas novas, já que as mais velhas podem concentrar oxalato, e preparada cozida ou refogada: o livro da Embrapa Clima Temperado não recomenda comer folhas de taioba cruas.
Você sabia?
Em caso de dúvida sobre uma planta suspeita, a Embrapa sugere encaminhar material para identificação botânica, de preferência com flores ou frutos.
Na prática
Crie o seu hábito de segurança:
- Escolha uma única PANC para começar e procure o nome científico dela.
- Compare a sua planta com fotos e descrições de fontes confiáveis, como os folders da Embrapa Hortaliças.
- Prefira comprar mudas ou folhas de agricultores que já cultivam a planta, até ganhar confiança.
Fontes
- Embrapa Gado de Corte. Plantas no Pantanal tóxicas para bovinos: introdução. Embrapa.
- Durigon, J.; Guarino, E. S. G.; Heiden, G. (ed.). Plantas alimentícias não convencionais no Território Zona Sul: identificação de espécies e usos de estruturas vegetativas. Embrapa Clima Temperado / FURG, 2024.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: taioba. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
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1 de 3Por que os nomes populares não bastam para identificar uma planta?
As espontâneas do quintal
Algumas PANC nem precisam ser plantadas: aparecem sozinhas nos canteiros, nos vasos e nas frestas da calçada. Neste capítulo você vai conhecer quatro delas, todas estudadas pela Embrapa Hortaliças num projeto sobre hortaliças não convencionais: beldroega, serralha, caruru e major-gomes.

Beldroega
A beldroega (Portulaca oleracea) é uma planta pequena, de folhas simples, suculentas e espessas, com até 3 centímetros, e flores amarelas solitárias. Segundo a Embrapa Hortaliças, aparece espontaneamente em áreas de cultivo em todas as regiões do país, sempre que há umidade no solo, e muitas vezes ninguém sabe que ela é comestível. É citada como rica em vitamina C, com altos teores de magnésio e zinco. As folhas podem ser comidas cruas ou em sopas, tortas e bolinhos, e as sementes podem ir em pães, como se faz com chia e gergelim.
Serralha
A serralha (Sonchus oleraceus) tem folhas compridas, recortadas ou dentadas, como se tivessem sido serradas, e flores amarelas. Originária da Europa, é rústica e bem adaptada a todo o Brasil. A Embrapa conta que ela já fez parte da tradição alimentar do interior do país e que hoje é comum encontrá-la em feiras. Tem sabor levemente amargo, teores consideráveis de proteína e de carotenoides e é boa fonte de fibra. Costuma ser refogada.
Caruru
O caruru, também chamado de bredo, é do gênero Amaranthus, o mesmo do amaranto. A Embrapa Hortaliças descreve folhas tenras, às vezes com nervuras arroxeadas ou manchas escuras, caule e raízes avermelhados e flores reunidas em espigas. Muitas vezes é tratado como planta infestante, por causa da rusticidade. É rico em ferro e cálcio e tem até 29% de proteína na matéria seca. As folhas devem ser colhidas de preferência bem jovens, antes de as flores aparecerem.
Major-gomes
O major-gomes (Talinum paniculatum), também chamado de cariru, é uma planta ereta, de 30 a 60 centímetros, com folhas suculentas e flores pequenas e rosadas em hastes compridas. Segundo a Embrapa, geralmente é coletado no campo e só às vezes cultivado em hortas caseiras. As folhas e os brotos tenros vão em saladas, refogados e ensopados, e a planta tem 22% de proteína na matéria seca. O nome provavelmente vem do major Manoel Gomes Archer, que no século 19 comandou o reflorestamento do que hoje é a Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Você sabia?
Na beldroega, a Embrapa recomenda renovar o canteiro quando a planta começa a perder vigor e a dar folhas muito pequenas, o que costuma acontecer depois de uns três meses de colheita.
Na prática
Conheça as espontâneas do seu quintal:
- Procure, com calma, se alguma das quatro plantas aparece na sua horta ou nos vasos.
- Confira cada detalhe com os folders da Embrapa Hortaliças antes de colher.
- Em vez de arrancar, deixe algumas crescerem num canto limpo, longe de contaminação, para observar.
Fontes
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: beldroega. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: serralha. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: amaranto e caruru. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: major-gomes. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
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1 de 3Como é a folha da beldroega?
Folhas de cozinhar
Algumas PANC não nascem sozinhas no quintal, mas fizeram parte da cozinha tradicional de várias regiões do Brasil e continuam vivas em feiras e receitas de família. Neste capítulo você vai conhecer quatro folhas de cozinhar: ora-pro-nóbis, taioba, bertalha e vinagreira.

Ora-pro-nóbis, a "carne verde"
O nome vem do latim e quer dizer "rogai por nós". A ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) é um arbusto da família dos cactos, nativo da América tropical, com espinhos no caule e folhas carnudas de verdade, coisa rara entre as cactáceas. Segundo a Embrapa Hortaliças, é conhecida como "carne verde" pelo teor elevado de proteína, de 28% a 32% na matéria seca, e tem uso tradicional muito significativo em algumas regiões de Minas Gerais e de Goiás, especialmente nas cidades históricas. As folhas também têm minerais, em especial cálcio e ferro.
Na cozinha, as folhas jovens e os brotos podem ser comidos crus, mas o mais comum é cozinhar a ora-pro-nóbis com carnes, como frango e costelinha. Ela também entra em pães, tortas e bolos. Por causa dos espinhos, é muito usada como cerca viva.

Taioba
A taioba (Xanthosoma taioba) é nativa da América tropical, incluindo o Brasil, e tradicionalmente cultivada no Sudeste. Suas folhas grandes, em forma de coração, são consumidas como a couve, refogadas ou cozidas, acompanhando carnes e pratos com farinha de milho ou de mandioca. Lembre do capítulo 2: só de procedência conhecida, com folhas novas e nunca crua.
Bertalha
A bertalha (Basella alba) é uma trepadeira de folhas verdes e suculentas, originária da Índia e do Sudeste Asiático. A Embrapa Hortaliças conta que é comum nas feiras livres do Rio de Janeiro, numa tradição que provavelmente veio com os portugueses que tiveram colônias na Índia. É boa fonte de fibra, vitaminas A e C e minerais, e vai crua ou refogada, inclusive com ovos.
Vinagreira
A vinagreira (Hibiscus sabdariffa), também chamada de cuxá, rosela ou quiabo-azedo, tem folhas de sabor levemente ácido e flores com cálice carnoso e roxo. Segundo a Embrapa Hortaliças, é o ingrediente básico do arroz de cuxá, prato tradicional do Maranhão feito com arroz e camarão seco. Os cálices, frescos ou secos, viram chás, refrescos e geleias.
Você sabia?
Os frutos da ora-pro-nóbis são importantes para animais silvestres que comem frutas, porque aparecem na época da seca, quando falta comida. Os bichos espalham as sementes nas fezes, longe da planta-mãe, ajudando a espécie a se dispersar.
Na prática
Leve uma folha nova para a cozinha:
- Procure ora-pro-nóbis, bertalha ou vinagreira na feira ou com vizinhos que cultivam.
- Prepare como você faria com a couve: refogada com alho, ou junto com arroz, feijão, ovos ou carne.
- Anote o que achou do sabor e em que receitas a folha combinou melhor.
Fontes
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: ora-pro-nóbis. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: taioba. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: bertalha. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: vinagreira. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
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1 de 3Por que a ora-pro-nóbis é chamada de "carne verde"?
Flores e sabores fortes
Nem toda PANC é folha verde para refogar. Algumas trazem cor e sabores fortes para a cozinha: flores comestíveis, folhas picantes e até uma erva que faz a boca formigar. Neste capítulo você vai conhecer a capuchinha e o jambu, e as partes pouco usadas de plantas que você já conhece.

Capuchinha
A capuchinha (Tropaeolum majus), também chamada de chagas ou nastúrcio, é originária da América Central e da América do Sul. É uma planta de crescimento rápido, folhas arredondadas e flores vistosas, do amarelo-claro ao vermelho, que aparecem o tempo todo. Segundo a Embrapa Hortaliças, é uma das flores comestíveis mais consumidas no Brasil, com sabor levemente picante, parecido com o do agrião.
Quase tudo nela se come. As flores enfeitam saladas, e também podem ser desidratadas ou congeladas em cubos de gelo. As folhas servem até para charutos recheados. E as sementes, em conserva, são conhecidas como "falsas alcaparras". A Embrapa destaca ainda que a capuchinha é rica em carotenoides, especialmente luteína.
Jambu, o sabor da Amazônia
O jambu (Spilanthes oleracea), também chamado de agrião-do-pará, é indispensável na culinária amazônica. Segundo a Embrapa Hortaliças, as folhas são consumidas cozidas, especialmente em caldeiradas de peixe, e o jambu está em pratos típicos do Pará e do Amazonas, como o tacacá, feito com goma de mandioca, tucupi e camarão seco, e o pato no tucupi.
O que torna o jambu único é o efeito na boca. A Embrapa descreve um paladar muito peculiar, especialmente quando se usam as pequenas flores amarelas: um amortecimento das mucosas causado por uma substância chamada espilantina. Do jambu também se extrai um óleo essencial já usado pela indústria de cosméticos.
Partes esquecidas de plantas conhecidas
Lembra do primeiro capítulo? PANC também são partes de plantas comuns que costumam ir para o lixo. O livro da Embrapa Clima Temperado cita as folhas da beterraba, as flores da abóbora e o "coração" da bananeira. E a batata-doce, segundo o mesmo livro, tem nas folhas uma parte alimentícia não convencional, além das raízes que todo mundo conhece.
Você sabia?
Além de comestível, a capuchinha é ornamental e melífera, ou seja, atrai abelhas. Ela gosta de clima subtropical e se adapta bem à meia-sombra.
Na prática
Experimente sabores novos com segurança:
- Plante capuchinha num vaso ou canteiro com meia-sombra e use as flores numa salada.
- Se encontrar jambu numa feira ou mercado, prove numa sopa ou caldo de peixe.
- Na próxima beterraba, aproveite as folhas refogadas em vez de jogá-las fora.
Fontes
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: capuchinha. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: jambu. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Durigon, J.; Guarino, E. S. G.; Heiden, G. (ed.). Plantas alimentícias não convencionais no Território Zona Sul: identificação de espécies e usos de estruturas vegetativas. Embrapa Clima Temperado / FURG, 2024.
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1 de 3Qual é o sabor da capuchinha?
Cultivar PANC em casa
Uma das grandes vantagens das PANC é a rusticidade. Muitas são resistentes, pouco exigentes e fáceis de multiplicar. Mesmo assim, cada uma tem seu jeito e sua época. Neste capítulo você vai ver como cultivar algumas delas em casa, com base nos folders da Embrapa Hortaliças.

Ora-pro-nóbis: de estaca, na chuva
A ora-pro-nóbis pode ser propagada por sementes, mas o comum é enraizar estacas semilenhosas de 15 a 20 centímetros, plantadas direto no lugar ou em recipientes com substrato. A Embrapa recomenda plantar no início da época chuvosa, de setembro a janeiro, dependendo do lugar, em solo bem drenado, com 1 a 2 metros entre as plantas. A colheita começa quando as plantas atingem um bom tamanho, a partir de 80 centímetros, e pode render de 4 a 8 cortes por ano, por mais de 10 anos.
Taioba: na sombra e na umidade
A taioba se multiplica por rizomas, plantados direto no lugar. Em regiões tropicais e equatoriais, com água à vontade, pode ser cultivada o ano inteiro; em regiões subtropicais ou tropicais de altitude, só na época mais quente, de setembro a abril, porque a planta dorme no frio ou na seca. Gosta de solos ricos em matéria orgânica, adapta-se muito bem a baixadas e suporta bem a sombra, o que a torna boa companheira de plantas maiores e de sistemas agroflorestais.
O peixinho também faz parte do projeto da Embrapa Hortaliças sobre hortaliças não convencionais. No vídeo abaixo, a Embrapa mostra como ele é produzido.
As de semente: beldroega, serralha e caruru
A beldroega pode ser semeada em canteiros como os de alface, com solo leve, bem drenado e rico em matéria orgânica. Vai o ano inteiro onde o clima é ameno, com mínimas de 15 °C e máximas de 30 °C, e deve ser irrigada duas vezes por semana na falta de chuva.
A serralha vai melhor em clima ameno; temperaturas muito baixas e dias curtos inviabilizam o cultivo. Em regiões muito quentes, a Embrapa aconselha plantar de março a junho. Na prática, ela é mais manejada como espontânea, aproveitando as plantas que nascem sozinhas na horta.
O caruru se reproduz por sementes de forma fácil e intensa e pode ser cultivado o ano todo, desde que haja água no começo. Tem raízes vigorosas e ciclo curto, o que lhe dá alta tolerância à falta de água.
Manejar as espontâneas
Muitas PANC nem precisam ser plantadas: basta deixar algumas crescerem nos cantos da horta e colher com cuidado. Como você viu, é assim que a serralha costuma ser aproveitada, e a beldroega e o major-gomes também aparecem sozinhos em hortas e campos. Só não esqueça as regras do capítulo 2: identificar com certeza e colher em lugar limpo.
Você sabia?
O jambu precisa de clima quente e úmido, acima de 25 °C. Segundo a Embrapa, ambiente seco e temperaturas abaixo de 18 °C prejudicam o crescimento. Por isso, onde o inverno é ameno ou frio, a época de plantar vai de agosto a fevereiro.
Na prática
Comece um cantinho de PANC:
- Escolha uma planta fácil, como a ora-pro-nóbis (de estaca) ou a capuchinha (de semente).
- Confira na tabela se é a época certa para a sua região.
- Reserve um canto da horta para deixar crescerem as espontâneas que você já identificou.
Fontes
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: ora-pro-nóbis. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: taioba. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: beldroega. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: serralha. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: amaranto e caruru. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: vinagreira. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: jambu. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
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1 de 3Como a ora-pro-nóbis é mais comumente multiplicada?
Da horta à mesa
Colher é só metade da história. As PANC são, em geral, folhas delicadas, que duram pouco depois de colhidas e pedem alguns cuidados no preparo. Neste último capítulo você vai ver como conservar, preparar e aproveitar essas plantas, e por que vale a pena procurá-las nas feiras.
Colheu, use logo
A maioria das PANC de folha tem vida curta. Os folders da Embrapa Hortaliças trazem os números: a taioba dura de 1 a 2 dias em temperatura ambiente e até uma semana na geladeira, embalada em saco plástico; a bertalha, de 3 a 5 dias fora da geladeira e até 15 dias embalada a 10 °C. A ora-pro-nóbis é uma exceção: embalada e refrigerada a 10 °C, pode durar até 12 dias.

Preparos que fazem diferença
Muitas PANC vão bem refogadas com óleo, alho e sal, como a couve. É assim nas receitas da Embrapa para serralha, taioba e major-gomes. No caso da taioba, a receita manda refogar até as folhas murcharem totalmente, deixando que comece um leve cozimento.
Outro preparo útil é o branqueamento. O livro de PANC da Embrapa Clima Temperado o descreve assim: mergulhar o alimento em água fervente por um curto período, cerca de 5 minutos, e esfriar imediatamente em água gelada. A água do branqueamento deve ser descartada. O mesmo livro lembra que plantas da família da taioba, como o inhame e o taro, podem ter substâncias irritantes, principalmente oxalatos, em todas as partes, e que folhas velhas ou malpassadas tendem a concentrar mais oxalato. Por isso, nessas plantas, colher folhas novas e cozinhar bem faz diferença.

Nutrição no prato
Os folders da Embrapa Hortaliças destacam o valor nutricional dessas plantas. A ora-pro-nóbis tem de 28% a 32% de proteína na matéria seca, além de cálcio e ferro; o caruru, até 29%, com ferro e cálcio; o major-gomes, 22%, com potássio e zinco. A beldroega é citada como rica em vitamina C, magnésio e zinco; a serralha, em carotenoides e fibras; a bertalha, em vitaminas A e C, cálcio e ferro. Variar as folhas no prato é uma forma simples de variar os nutrientes.
Valorizar quem cultiva
A publicação do Ministério da Agricultura sobre hortaliças tradicionais lembra que essas plantas têm potencial para enriquecer a dieta e melhorar a renda das comunidades, e que incentivar o consumo de variedades locais ajuda a preservar a diversidade e o patrimônio cultural. Comprar PANC de agricultores familiares nas feiras é uma forma de manter esse conhecimento vivo.
Você sabia?
As sementes de algumas PANC também são comestíveis. As da beldroega e as do major-gomes, pequenas e pretas, podem ser usadas sobre pães, como se faz com o gergelim, segundo a Embrapa Hortaliças.
Na prática
Leve as PANC para a sua rotina:
- Planeje a colheita para o dia em que for cozinhar, já que muitas folhas duram pouco.
- Teste o branqueamento numa folha mais firme e compare a cor e a textura.
- Procure uma feira agroecológica na sua cidade e pergunte aos agricultores quais PANC eles cultivam.
Fontes
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: taioba. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: bertalha. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: ora-pro-nóbis. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: vinagreira. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Botrel, N.; Madeira, N. R.; Melo, R. A. C.; Amaro, G. B. Hortaliças não convencionais: major-gomes. Embrapa Hortaliças (folder), 2017.
- Durigon, J.; Guarino, E. S. G.; Heiden, G. (ed.). Plantas alimentícias não convencionais no Território Zona Sul: identificação de espécies e usos de estruturas vegetativas. Embrapa Clima Temperado / FURG, 2024.
- Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Hortaliças não-convencionais (tradicionais). MAPA, com Emater-MG, Embrapa Hortaliças e Epamig, 2010.
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1 de 3Quanto tempo a taioba dura fora da geladeira?
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