Capa do Horta sem veneno

Manejo ecológico de pragas e doenças · 7 capítulos

Horta sem veneno

Prevenção, aliados, armadilhas e preparados de baixa toxicidade para cuidar da horta

Sobre o guia

Um guia para cuidar das pragas e doenças da horta sem agrotóxicos: o que a Anvisa encontra nos alimentos, as práticas que previnem problemas, os inimigos naturais que trabalham de graça, a diversidade de plantas que os atrai, como reconhecer cada praga, armadilhas e barreiras simples e, por último, os preparados de baixa toxicidade recomendados pela Embrapa e os cuidados para usá-los.

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Por que plantar sem veneno

Muita gente começa uma horta justamente para comer comida sem agrotóxico. E aí aparece o primeiro pulgão, a primeira lagarta, a primeira folha comida, e bate a dúvida: dá para cuidar das pragas sem veneno? Dá, e é isso que este guia ensina. Mas antes de falar de caldas e armadilhas, vale entender por que o caminho sem veneno é o mais indicado para uma horta de casa, e por que ele começa muito antes de a praga aparecer.

O que a Anvisa encontra nos alimentos

Desde 2001, a Anvisa, junto com as vigilâncias sanitárias dos estados e municípios, analisa resíduos de agrotóxicos em alimentos comprados em supermercados e sacolões, no Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, o PARA. No ciclo de 2024, foram analisadas 3.084 amostras de alimentos como couve, pepino, abobrinha, cebola, laranja e maçã.

Barra dividida das 3.084 amostras do PARA 2024: 25,6% sem resíduos, 53,8% com resíduos dentro do limite e 20,6% insatisfatórias. Entre as insatisfatórias, 12,2% tinham agrotóxico não permitido para aquela cultura e 5,6% tinham resíduo acima do limite máximo. Nota: amostra insatisfatória não significa, necessariamente, risco à saúde.
Uma em cada cinco amostras teve alguma irregularidade em 2024, o menor percentual desde 2017.

O resultado pede uma leitura cuidadosa. Cerca de 79% das amostras estavam de acordo com as regras, e 20,6% foram consideradas insatisfatórias, a maioria por conter um agrotóxico que não é permitido para aquela cultura. A própria Anvisa ressalta que uma amostra insatisfatória não significa, necessariamente, risco ao consumidor; para isso existe uma avaliação de risco à parte. Ainda assim, os números mostram que o uso de agrotóxicos no país nem sempre segue o que é permitido, e ajudam a entender por que tanta gente quer produzir o próprio alimento.

Por que não usar veneno na horta de casa

A Embrapa Hortaliças é direta sobre isso. Numa publicação sobre hortas urbanas, ela afirma que o uso de inseticidas e acaricidas químicos sintéticos não é recomendado nessas hortas, conduzidas por famílias, escolas e pequenas comunidades. O motivo: quem cuida dessas hortas busca alimentos saudáveis, livres de resíduos tóxicos e de baixo custo, e nem sempre tem o conhecimento técnico, o treinamento e os equipamentos necessários para usar o controle químico de forma correta e segura.

Há ainda um motivo ecológico. Uma entomologista da Embrapa Amazônia Ocidental lembra que é comum aplicar inseticida "por garantia", antes de saber se é necessário. Isso representa mais gastos e riscos de contaminação, e afeta os inimigos naturais, os insetos que poderiam ajudar a regular a população da praga de graça.

Dois painéis com uma folha com pulgões. Horta com aliados: a joaninha come os pulgões e mantém a praga sob controle. Inseticida preventivo: a joaninha morre junto, com mais gasto e risco.
O inseticida não escolhe: atinge a praga e quem a controlaria.
Vídeo: Métodos alternativos de controle de pragas em hortaliças : parte 1 - Dia de Campo na TV · TV Embrapa · 5 min

O caminho deste guia

O manejo sem veneno segue uma ordem. Primeiro vem a prevenção: uma horta bem planejada adoece menos. Depois, os aliados: inimigos naturais e plantas que os atraem. Em seguida, observar e reconhecer quem está atacando. Só então entram as armadilhas, a catação e, por último, os preparados de baixa toxicidade. É a mesma lógica usada na Fazendinha Agroecológica da Embrapa Agrobiologia, onde o manejo é preventivo e as caldas são tratadas como medidas emergenciais.

Você sabia?

Nas recomendações ao consumidor do PARA 2024, a Anvisa lembra que os alimentos da época normalmente recebem menor carga de agrotóxicos. É mais um motivo para plantar e comprar respeitando as estações.

Na prática

Comece com um diagnóstico da sua horta:

  1. Anote quais problemas você já teve: insetos, folhas comidas, manchas.
  2. Repare se há outros bichos por lá: joaninhas, aranhas, vespas, passarinhos.
  3. Se você usa algum produto, leia o rótulo e anote para que ele serve. Nos próximos capítulos você vai ver alternativas.

Fontes

  1. Anvisa. Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA): apresentação dos resultados do ciclo 2024. gov.br/anvisa.
  2. Michereff Filho, M.; Guimarães, J. A.; Liz, R. S. Recomendações para o controle de pragas em hortas urbanas. Embrapa Hortaliças, Circular Técnica 80, 2009.
  3. Embrapa Amazônia Ocidental. Boas práticas ajudam no manejo de insetos-praga em hortaliças. Portal Embrapa, 2017.
  4. Embrapa Agrobiologia. Manejo fitossanitário (Fazendinha Agroecológica Km 47). Portal Embrapa.

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No PARA 2024, qual foi o principal motivo das amostras insatisfatórias?

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Prevenir é o melhor remédio

Na agricultura de base ecológica, a regra número um é a prevenção. A Embrapa Hortaliças, numa publicação sobre manejo de doenças em hortaliças orgânicas, explica que nesse sistema se trabalha com o princípio de evitar a entrada do problema na área; as medidas de controle só entram se a prevenção não bastar. Neste capítulo você vai conhecer as práticas que deixam a horta menos favorável a pragas e doenças.

Seis hábitos que previnem

Seis cartões numerados: 1, sementes e mudas sadias, de origem confiável; 2, planta certa na época certa; 3, espaço entre as plantas, para o ar circular e as folhas secarem; 4, palha sobre o solo, que evita respingos de terra; 5, água na base da planta, já que o gotejamento molha menos as folhas; 6, rotação e limpeza, tirando os restos doentes.
A maioria dos problemas se evita antes de plantar.

Sementes e mudas sadias. Muitos patógenos, os causadores de doenças, viajam junto com sementes e mudas. Por isso a Embrapa recomenda usar sementes, mudas e substratos livres de doenças, comprados de fornecedores confiáveis.

A época e a variedade certas. Planta estressada adoece mais. Na Fazendinha Agroecológica da Embrapa Agrobiologia, o manejo preventivo inclui usar espécies e variedades adaptadas ao clima e ao solo do lugar, respeitando as estações do ano, e dar preferência a cultivares resistentes a doenças e pragas. A Embrapa Hortaliças cita ainda a "evasão": plantar na época em que uma doença é menos comum.

Espaço entre as plantas. Segundo a Embrapa, espaçamentos maiores entre linhas e entre plantas melhoram a aeração, deixam o ambiente menos favorável às doenças e dificultam a passagem de fungos e bactérias de uma planta para outra.

Água e solo: onde muita doença começa

A forma de regar faz diferença. A Embrapa explica que a irrigação por aspersão, que molha a planta toda, pode espalhar fungos e bactérias pelos respingos e aumentar a umidade entre as plantas. Por isso, muitas vezes, a irrigação localizada, como o gotejamento, é mais recomendável. Na horta de casa, isso significa regar a terra, na base da planta, e não as folhas.

Dois painéis com uma hortaliça sob chuva. No solo nu, as gotas fazem a terra respingar nas folhas. No solo coberto com palha, não há respingos.
A cobertura do solo também protege as plantas das doenças.

A cobertura do solo com palha ajuda pelo mesmo motivo: segundo a Embrapa Hortaliças, ela reduz a disseminação de doenças porque evita que os respingos da chuva ou da irrigação levem patógenos do solo para as folhas.

A adubação também conta. Uma planta bem nutrida resiste melhor às doenças, mas o excesso faz mal: a Embrapa avisa que aplicações excessivas de nitrogênio podem favorecer doenças causadas por fungos e bactérias.

Vídeo: Cultivo Orgânico de Hortaliças · Carlos Pena Vídeos · 6 min

Rotação e limpeza

Muitos patógenos sobrevivem nos restos de cultura e passam para o plantio seguinte. Por isso, a Embrapa recomenda destruir ou incorporar os restos logo após a colheita, e fazer rotação de culturas, plantando em seguida uma espécie que não seja atacada pela mesma doença. Para várias doenças de solo, gramíneas como milho, sorgo, milheto e arroz são boas opções de rotação. Ferramentas de poda e colheita também podem levar doenças de uma planta para outra, e por isso vale limpá-las.

Você sabia?

A Embrapa recomenda barreiras de plantas altas ao redor da área de cultivo, como milho, sorgo, cana, mandioca, bananeiras e capim-colonião. Elas ajudam a isolar a horta de insetos e ácaros que transmitem viroses e dificultam a chegada de doenças trazidas pelo vento.

Na prática

Revise a sua horta com olhos de prevenção:

  1. Cubra o solo dos canteiros com palha, folhas secas ou capim cortado.
  2. Regue a terra, na base das plantas, e não as folhas.
  3. Tire da horta as folhas e plantas doentes e, no próximo plantio, ponha outra espécie no lugar.

Fontes

  1. Pereira, R. B.; Pinheiro, J. B. Manejo integrado de doenças em hortaliças em cultivo orgânico. Embrapa Hortaliças, Circular Técnica 111, 2012.
  2. Embrapa Agrobiologia. Manejo fitossanitário (Fazendinha Agroecológica Km 47). Portal Embrapa.

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Por que regar a terra, e não as folhas?

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Os aliados da horta

Nem todo inseto na horta é inimigo. Muitos estão lá justamente para comer as pragas. A Embrapa Agrobiologia, que publicou um guia para reconhecer esses bichos, resume bem: se são inimigos das pragas, são amigos dos produtores. O problema é que muitos deles passam despercebidos, ou pior, são confundidos com pragas e eliminados.

O que é um inimigo natural

Na natureza, cada ser vivo serve de alimento para outro. Quando um bicho se alimenta de uma praga e reduz a população dela, ele é um inimigo natural daquela praga. O guia da Embrapa explica que, nos ambientes simplificados pela agricultura, com grandes áreas de uma só planta, os insetos que comem a lavoura encontram comida fácil, mas seus inimigos naturais não aparecem na quantidade necessária. Recuperar esses aliados é uma das bases da horta sem veneno.

Há dois grandes grupos. Os predadores caçam e comem as presas, como joaninhas, crisopídeos, vespas e aranhas. Os parasitoides, em geral vespinhas minúsculas, põem os ovos dentro ou sobre o corpo de outro inseto; as larvas se alimentam do hospedeiro, que acaba morrendo.

Seis cartões. Joaninhas: larvas e adultos comem pulgões, cochonilhas, ácaros e moscas-brancas. Crisopídeos: as larvas comem pulgões, ácaros e pequenos insetos. Moscas sirfídeas: as larvas comem pulgões e cochonilhas. Vespas e marimbondos: caçam outros insetos para alimentar as crias. Aranhas: esperam a presa chegar até elas. Microvespas parasitoides: põem ovos dentro de pragas, que acabam morrendo.
Alguns aliados que você pode encontrar na sua horta.

Quem é quem

As joaninhas são as mais conhecidas. Segundo a Embrapa Agrobiologia, larvas e adultos se alimentam, de preferência, de pulgões, cochonilhas, ácaros, moscas-brancas, larvas e ovos de outros insetos. As poucas joaninhas de cor bege comem fungos.

Os crisopídeos são insetos verdes e delicados, de asas transparentes. Os adultos, na maioria, comem pólen e néctar; quem caça são as larvas, que comem pulgões, ácaros e pequenos insetos. Algumas larvas carregam nas costas um amontoado de partículas para se esconder, e por isso são chamadas de "larvas lixeiras".

As moscas sirfídeas parecem pequenas abelhas ou vespas e costumam ficar paradas no ar durante o voo. Só têm duas asas, enquanto abelhas e vespas têm quatro. Os adultos comem néctar e pólen; as larvas, sem pernas e de aspecto gelatinoso, comem pulgões e cochonilhas.

Vídeo: Joaninha, melhor amiga da horta! · Somos Verdes · 5 min

Não confunda a larva com uma praga

O maior risco para os aliados é ser confundido com praga. A larva da joaninha não se parece nada com a joaninha adulta: tem formato de jacaré, pernas longas e, na maioria das espécies, corpo escuro com ou sem manchas brancas ou amarelas. Algumas são cobertas por uma secreção branca, parecida com algodão, e acabam confundidas com cochonilhas.

Ciclo de vida da joaninha em quatro quadros: ovos em grupo nas folhas; larva com formato de jacaré, que já come pulgões; pupa presa à folha; e adulto, a joaninha conhecida.
Da larva ao adulto, a joaninha come pragas.
Vídeo: Fábrica de Joaninhas · Rede Super de Televisão · 4 min

Você sabia?

Os parasitoides passam boa parte da vida dentro de outro inseto, e por isso quase ninguém os nota. Segundo a Embrapa Agrobiologia, às vezes ficam pistas: pulgões com aspecto de múmia, casulos presos do lado de fora de lagartas e furinhos por onde o parasitoide saiu.

Na prática

Faça um censo dos aliados:

  1. Examine as folhas com pulgões e procure larvas de joaninha, de crisopídeo ou de sirfídeo por perto.
  2. Fotografe os insetos que você não conhece e compare com guias antes de eliminar qualquer um.
  3. Se encontrar aliados, segure a mão: dê alguns dias para eles trabalharem antes de qualquer outra medida.

Fontes

  1. Silva, A. C. (ed.). Guia para o reconhecimento de inimigos naturais de pragas agrícolas. Embrapa Agrobiologia, 2013.
  2. Michereff Filho, M.; Guimarães, J. A.; Liz, R. S. Recomendações para o controle de pragas em hortas urbanas. Embrapa Hortaliças, Circular Técnica 80, 2009.

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Como é a larva da joaninha?

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Diversidade que protege

Uma horta com uma planta só é um banquete fácil para as pragas. Uma horta variada, com flores, ervas e hortaliças misturadas, confunde as pragas e alimenta os aliados. Neste capítulo você vai ver como usar a diversidade de plantas como ferramenta de proteção, uma tática que a Embrapa chama de controle biológico conservativo.

Por que a diversidade protege

O guia de inimigos naturais da Embrapa Agrobiologia explica o problema das monoculturas: grandes áreas com uma mesma planta espalham odores que os insetos que se alimentam dela captam, o que facilita o encontro da comida. Ao mesmo tempo, os inimigos naturais, que vivem fora desse ambiente, têm dificuldade para chegar até as pragas. Para trazer os aliados de volta, o caminho é diversificar a vegetação e criar abrigo, lugar de acasalamento e fontes de alimento para eles.

Uma entomologista da Embrapa Amazônia Ocidental resume as vantagens: plantar mais de uma espécie na mesma área favorece os inimigos naturais, atrai polinizadores e ainda dificulta que a praga encontre a planta que quer comer. Isso pode ser feito em consórcio, quando todas as espécies plantadas são de interesse do agricultor, ou em policultivo, quando algumas estão ali só para oferecer alimento e abrigo aos aliados.

Flores: comida para os aliados

Muitos inimigos naturais só caçam quando jovens. Os adultos dos crisopídeos e das moscas sirfídeas se alimentam de néctar e pólen, e as vespinhas parasitoides adultas também buscam néctar nas plantas. Na Fazendinha Agroecológica da Embrapa Agrobiologia, as flores são consideradas essenciais ao sistema justamente porque complementam a dieta dos inimigos naturais das pragas com pólen e néctar.

Cinco flores lado a lado: coentro, endro, cravo-de-defunto, girassol e zínia. Nota: plantas citadas pela Embrapa como atrativas de inimigos naturais em hortas.
Deixe algumas plantas florescerem na horta.

Um projeto da Embrapa Agrobiologia estudou o potencial atrativo de plantas como coentro, cravo-de-defunto, girassol, zínia, crotalária, estilosantes, feijão-guandu e sorgo em hortas orgânicas. Já a Embrapa Amazônia Ocidental sugere, para o policultivo, endro, cravo-de-defunto, sorgo, caruru e picão-preto. Repare nos dois últimos: são plantas espontâneas, que muita gente arranca. O guia da Embrapa Agrobiologia conta que os percevejos Orius, pequenos predadores, costumam pôr os ovos justamente em plantas como o caruru e o picão-preto.

Vídeo: 5 plantas para ajudar e beneficiar a produção hortaliças. · Cristiane Ribas · 5 min

Onde colocar as plantas atrativas

Não existe uma única forma certa. Segundo a Embrapa, as plantas que enriquecem a diversidade podem ser distribuídas de vários jeitos, de acordo com o tipo de planta e o objetivo: em ilhas no meio da horta, nas entrelinhas dos canteiros ou na borda.

Três canteiros vistos de cima. Em ilhas: um grupo de flores no meio das hortaliças. Nas entrelinhas: uma fileira de flores entre fileiras de hortaliças. Na borda: flores em volta de todo o canteiro.
Ilhas, entrelinhas ou borda: escolha o que cabe na sua horta.

Plantas que afastam pragas

Além de atrair aliados, algumas plantas podem afastar as pragas. A Embrapa Hortaliças recomenda cultivar, em volta da horta ou dentro dos canteiros, em fileiras ou covas alternadas, plantas como coentro, cravo-de-defunto, hortelã, calêndula, mastruz, artemísia e arruda. Segundo a publicação, elas liberam substâncias voláteis que repelem os insetos sugadores adultos, mantendo-os afastados das hortaliças.

Você sabia?

Contra formigas cortadeiras, a Embrapa Hortaliças sugere cultivar batata-doce ao redor da horta ou entre os canteiros. As saúvas pouco a preferem, porque o látex que escorre da rama atacada as repele. Já o gergelim é atacado pelas saúvas, mas tem substâncias que prejudicam o formigueiro.

Na prática

Diversifique a sua horta:

  1. Escolha duas ou três plantas floridas da lista, como coentro, cravo-de-defunto e girassol, e plante em ilhas, entrelinhas ou na borda.
  2. Deixe parte do coentro e do endro florescer em vez de colher tudo.
  3. Não arranque todas as plantas espontâneas: mantenha algumas nos cantos e bordas da horta.

Fontes

  1. Silva, A. C. (ed.). Guia para o reconhecimento de inimigos naturais de pragas agrícolas. Embrapa Agrobiologia, 2013.
  2. Embrapa Amazônia Ocidental. Boas práticas ajudam no manejo de insetos-praga em hortaliças. Portal Embrapa, 2017.
  3. Embrapa Agrobiologia. Manejo fitossanitário (Fazendinha Agroecológica Km 47). Portal Embrapa.
  4. Embrapa Agrobiologia. Distribuição de plantas atrativas para inimigos naturais em cultivos orgânicos de hortaliças (projeto). Portal Embrapa, 2013.
  5. Michereff Filho, M.; Guimarães, J. A.; Liz, R. S. Recomendações para o controle de pragas em hortas urbanas. Embrapa Hortaliças, Circular Técnica 80, 2009.

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Por que muitos inimigos naturais precisam de flores?

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Conhecer a praga antes de agir

Antes de agir contra uma praga, é preciso saber quem ela é. Cada grupo de praga causa um tipo de estrago, se esconde em um lugar e tem um controle diferente. E nem todo inseto na folha é motivo de alarme. Uma entomologista da Embrapa Amazônia Ocidental lembra que a presença de insetos no cultivo de hortaliças não é, por si só, um problema, mas pede atenção e acompanhamento.

Observar é o primeiro controle

A Embrapa chama esse acompanhamento de monitoramento: olhar a horta com frequência, de perto, para descobrir os problemas no começo e saber se eles estão crescendo. Na horta de casa, isso é simples. Uma volta pela horta a cada poucos dias, olhando embaixo das folhas, nos brotos e nas flores, já faz muita diferença. Uma colônia pequena de pulgões, achada cedo, se resolve com os dedos; uma infestação descoberta tarde dá muito mais trabalho.

Os principais grupos de pragas

Numa publicação para hortas urbanas, a Embrapa Hortaliças descreve as pragas mais comuns e como reconhecê-las.

Seis cartões de pragas e seus sinais. Pulgões e moscas-brancas: colônias embaixo das folhas e película preta, a fumagina. Lagartas: comem folhas e podem furar talos, flores e frutos novos. Vaquinhas: besourinhos coloridos que roem folhas, hastes e flores. Ácaros: folhas amareladas ou prateadas, às vezes com teia. Lesmas e caracóis: raspam folhas e ramos novos e atacam à noite ou com chuva. Formigas cortadeiras: cortes em meia-lua, e a planta pode ser desfolhada.
Reconhecer o estrago ajuda a descobrir quem é o culpado.

Insetos sugadores, como pulgões, moscas-brancas, cochonilhas, percevejos, tripes e cigarrinhas, estão entre as pragas mais importantes das hortaliças. São pequenos, vivem em colônias embaixo das folhas, nos brotos e nas flores, e sugam a seiva, deixando a planta fraca. Pulgões, moscas-brancas e cochonilhas soltam um líquido açucarado onde cresce uma película preta, a fumagina, que atrapalha a fotossíntese.

Lagartas são a fase jovem de mariposas e borboletas: comem folhas e podem furar talos, flores e frutos novos. Vaquinhas são besourinhos coloridos que roem folhas, hastes e flores. Grilos e paquinhas se escondem de dia em lugares escuros e úmidos, sob pedras e restos de plantas, e comem folhas e hastes novas, raízes e tubérculos.

Ácaros têm menos de 1 milímetro. Raspam a superfície das folhas e deixam as folhas amareladas ou prateadas; o ácaro-rajado chega a formar teias no tomateiro. Lesmas e caracóis preferem lugares úmidos e sombreados, atacam à noite ou em dias chuvosos e raspam folhas, flores, ramos novos e raízes.

As formigas cortadeiras, as saúvas, estão entre as pragas mais importantes da agricultura brasileira. Segundo a Embrapa, são reconhecidas por três ou quatro pares de espinhos nas costas, logo depois da cabeça, e pelo corte em forma de meia-lua que fazem nas folhas. São mais ativas à noite e nas horas mais frescas do dia, e levam as folhas para o formigueiro, onde cultivam o fungo de que se alimentam.

Vídeo: 7 PRAGAS mais comuns na HORTA [SAIBA IDENTIFICAR] · Hortinha em Casa · 5 min

Praga ou aliado?

Na dúvida, não elimine. Como você viu no capítulo 3, larvas de joaninha podem ser confundidas com cochonilhas, e as larvas de sirfídeos e crisopídeos ficam bem no meio das colônias de pulgões. Se, perto dos pulgões, aparecerem bichos de outro formato, observe com calma antes de agir: podem ser aliados trabalhando.

Você sabia?

A fumagina, aquela película preta nas folhas, não é a praga em si. Segundo a Embrapa, ela se forma por causa do líquido açucarado que pulgões, moscas-brancas e cochonilhas soltam, reduz a fotossíntese e deixa a folha ou o fruto com péssimo aspecto. Controlando os sugadores, ela deixa de aparecer.

Na prática

Crie uma rotina de observação:

  1. Escolha dois dias na semana para dar uma volta pela horta.
  2. Vire as folhas e olhe também os brotos, as flores e o chão em volta das plantas.
  3. Anote o que encontrou, onde e em que quantidade, e compare com a semana anterior.

Fontes

  1. Michereff Filho, M.; Guimarães, J. A.; Liz, R. S. Recomendações para o controle de pragas em hortas urbanas. Embrapa Hortaliças, Circular Técnica 80, 2009.
  2. Embrapa Amazônia Ocidental. Boas práticas ajudam no manejo de insetos-praga em hortaliças. Portal Embrapa, 2017.

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O que é a fumagina?

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Armadilhas, barreiras e catação

Depois de prevenir, atrair os aliados e identificar a praga, chega a hora de agir. E as primeiras ações não envolvem calda nenhuma: são as mãos, as armadilhas e as barreiras. Todas as medidas deste capítulo vêm de uma publicação da Embrapa Hortaliças com recomendações para o controle de pragas em hortas urbanas.

Catação: o controle mais simples

Para insetos sugadores, como os pulgões, a primeira recomendação da Embrapa é a catação manual: retirar as folhas infestadas e esmagar os insetos. A catação também está entre as medidas indicadas contra lagartas. Em hortas pequenas, uma ronda frequente, olhando embaixo das folhas, resolve boa parte dos problemas antes que eles cresçam.

Armadilhas coloridas

Alguns insetos são atraídos por cores. A Embrapa recomenda instalar, em vários pontos da horta, placas, garrafas plásticas ou pedaços de tábua pintados de amarelo, que atraem pulgões e moscas-brancas, ou de azul, que atraem tripes. As armadilhas devem ser cobertas com uma camada de cola ou graxa, que prende os insetos.

Quatro armadilhas. Placa amarela com cola: atrai pulgões e moscas-brancas. Placa azul com cola: atrai tripes. Copo enterrado com água e detergente: pega grilos e paquinhas. Pano com cerveja ou leite: posto à noite, de manhã é virado para recolher lesmas e caracóis. Nota: não use sal de cozinha contra lesmas, ele contamina o solo e a água e danifica as plantas.
Armadilhas simples, feitas com materiais de casa.
Vídeo: Saiba como fazer armadilhas coloridas para evitar pragas · Isla Sementes · 3 min

Grilos, paquinhas, lesmas e caracóis

Para grilos e paquinhas, a Embrapa sugere enterrar no solo, em vários pontos da horta, copos plásticos, latas ou garrafas com água e gotas de detergente neutro. Uma vez por semana, retiram-se os insetos mortos e troca-se a água.

Para lesmas e caracóis, há várias opções. Uma é espalhar, ao anoitecer, estopas ou panos molhados com cerveja ou leite; bem cedo no dia seguinte, vira-se o pano e recolhem-se os bichos que se abrigaram embaixo. Pedaços crus de abóbora ou chuchu deixados nos canteiros no fim da tarde funcionam do mesmo jeito. A coleta deve ser repetida todos os dias, sempre com as mãos protegidas por luvas ou sacos plásticos, que depois são descartados, e lavando bem as mãos no fim.

A Embrapa faz um alerta importante: não use sal de cozinha sobre o solo ou a plantação. Além de não ter o efeito desejado, o sal pode contaminar o solo e as águas e danificar as plantas.

Vídeo: COMO ACABAR COM AS LESMAS 🐌 SEM USAR VENENO · Mundo verde orgânico · 5 min

Barreiras contra formigas

Contra as formigas cortadeiras, a Embrapa recomenda barreiras ao redor dos canteiros de mudas: canais de terra ou canaletas cheios de água com gotas de detergente neutro, ou garrafas plásticas sem fundo e sem tampa colocadas em volta dos caules, levemente enterradas e untadas com graxa por fora. As cinzas de madeira, misturadas com água e aplicadas sobre as plantas no fim da tarde, também atuam como repelente.

Vídeo: GERGELIM: Ótima opção para Hortas e Controle de FORMIGAS. · CULTURA DA ROÇA · 6 min

Você sabia?

A Embrapa lista o inseticida biológico à base da bactéria Bacillus thuringiensis entre as medidas contra lagartas. Ele age só sobre lagartas, que adoecem e morrem ao comer as folhas tratadas, e, segundo a Embrapa, não é prejudicial nem ao homem nem aos animais. Você vai conhecê-lo melhor no próximo capítulo.

Na prática

Monte suas primeiras armadilhas:

  1. Pinte de amarelo um pedaço de garrafa ou de tábua, passe graxa ou cola e pendure perto das plantas com pulgões ou moscas-brancas.
  2. Se houver lesmas, deixe à noite um pano úmido ou pedaços de chuchu no canteiro e recolha de manhã, de luvas.
  3. Faça uma ronda de catação uma ou duas vezes por semana.

Fontes

  1. Michereff Filho, M.; Guimarães, J. A.; Liz, R. S. Recomendações para o controle de pragas em hortas urbanas. Embrapa Hortaliças, Circular Técnica 80, 2009.

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Que cor de armadilha atrai pulgões e moscas-brancas?

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Preparados caseiros, com cuidado

Quando a prevenção, os aliados, a catação e as armadilhas não bastam, existem preparados de baixa toxicidade. A Embrapa Agrobiologia os trata como medidas emergenciais, para quando as práticas de cultivo não conseguem manter as pragas e doenças em um nível tolerável. Neste capítulo você vai conhecer alguns deles e, principalmente, os cuidados para usá-los.

Caseiro não quer dizer inofensivo

Alguns preparados caseiros agem sobre quase todos os insetos, inclusive os aliados, e algumas caldas exigem cuidado no preparo e no uso. A Embrapa Hortaliças, ao comparar receitas, destaca como vantagem da calda de pimenta-do-reino, alho e sabão o fato de, ao contrário da calda de fumo, não agir sobre todos os insetos, o que preserva os inimigos naturais. Por isso, use preparados só quando precisar, só onde a praga está, e seguindo as receitas e os cuidados das publicações técnicas.

Preparados recomendados pela Embrapa

Seis cartões. Calda de farinha de trigo: 20 g de farinha em 1 L de água, para insetos sugadores, por asfixia. Óleo vegetal de cozinha: 5 mL de óleo e 0,5 mL de detergente neutro em 1 L de água. Pimenta-do-reino, alho e sabão: extratos em álcool, diluídos, para pulgões, ácaros e cochonilhas. Nim: extratos de folhas ou sementes; produto comercial com orientação de agrônomo. Bacillus thuringiensis: inseticida biológico comercial que age só em lagartas. Leite de vaca cru a 5%: 5 L de leite para 95 L de água, contra o oídio de abobrinha e pepino.
Receitas das publicações da Embrapa Hortaliças.

Calda de farinha de trigo. Mistura-se aos poucos 20 gramas de farinha em 1 litro de água, agitando bem, e coa-se. Pulverizada sobre os insetos sugadores, ela os mata por asfixia; ao secar, forma uma película branca que o vento vai removendo. É a exceção à regra do horário: deve ser aplicada de manhã, em dias quentes, secos e de sol forte, cobrindo bem as folhas.

Óleo vegetal de cozinha. Mistura-se 5 mililitros de óleo de soja ou de algodão e meio mililitro de detergente neutro, completando com água até 1 litro. É indicado entre os inseticidas alternativos contra os sugadores.

Pimenta-do-reino, alho e sabão. Os extratos de pimenta e de alho ficam uma semana em álcool, em vidros fechados, e são diluídos com uma solução de sabão neutro no dia do uso. Segundo a Embrapa, ajuda a controlar pulgões, ácaros e cochonilhas.

Nim. Folhas e sementes da árvore de nim servem para preparar extratos caseiros, e existem produtos comerciais à base de óleo de nim; nesse caso, a Embrapa recomenda consultar um engenheiro agrônomo.

Bacillus thuringiensis. É um inseticida biológico vendido no comércio, feito com uma bactéria que age só sobre lagartas. Também aqui, a Embrapa recomenda orientação de um agrônomo para a dose.

Leite cru contra o oídio. Para doenças, uma receita simples da Embrapa é o leite de vaca cru diluído a 5%, uma vez por semana, contra o oídio, o "cinza", da abobrinha e do pepino.

Vídeo: Métodos alternativos de controle de pragas em hortaliças : parte 2 - Dia de Campo na TV · TV Embrapa · 4 min

Como aplicar com cuidado

Seis cuidados numerados: 1, aplicar no fim da tarde e com vento fraco; 2, nunca com chuva à vista; 3, nos dois lados das folhas, nos brotos e nos frutos pequenos; 4, usar logo depois de misturar e repetir só se precisar, a cada 7 dias; 5, parar antes de colher, já que a Embrapa recomenda 4 dias (96 horas); 6, começar por poucas plantas e observar a reação delas.
Regras da Embrapa Hortaliças para hortas urbanas.

A Embrapa Hortaliças recomenda usar os preparados logo depois de misturados com água, com um borrifador ou pulverizador pequeno, mirando os dois lados das folhas, os brotos e os frutos pequenos. Óleos, extratos e o Bacillus thuringiensis devem ser aplicados com vento fraco e no fim da tarde, com sol fraco e temperatura amena, e nunca em dias de chuva ou com chuva prevista. Se for preciso, repete-se a cada sete dias. E, para não alterar o sabor das hortaliças, a recomendação é suspender qualquer preparado 96 horas, ou seja, quatro dias, antes da colheita. Para a calda de pimenta, alho e sabão, a Embrapa indica uma carência de cinco dias.

Você sabia?

A calda bordalesa, feita com sulfato de cobre e cal, aparece entre os preparados que a Embrapa cita contra doenças na agricultura orgânica, junto com a calda sulfocálcica. Mas ela exige cuidados no preparo: a solução de cobre deve ser despejada sobre a de cal, nunca o contrário, e a acidez precisa ser conferida para não queimar as folhas. Para usá-la, procure a orientação de um técnico.

Na prática

Antes de borrifar qualquer coisa:

  1. Confirme qual é a praga e se os aliados não estão dando conta.
  2. Comece pelo preparado mais simples, como a calda de farinha de trigo ou de óleo vegetal, e teste em poucas plantas.
  3. Anote a data da aplicação e espere pelo menos quatro dias antes de colher.

Fontes

  1. Michereff Filho, M.; Guimarães, J. A.; Liz, R. S. Recomendações para o controle de pragas em hortas urbanas. Embrapa Hortaliças, Circular Técnica 80, 2009.
  2. Michereff Filho, M. Controle alternativo de pragas e fitopatógenos: receitas. Embrapa Hortaliças.
  3. Embrapa Agrobiologia. Manejo fitossanitário (Fazendinha Agroecológica Km 47). Portal Embrapa.

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Em que horário se aplica a calda de farinha de trigo?

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