Capa do O tempo certo de plantar

Épocas de plantio · 7 capítulos

O tempo certo de plantar

Temperatura, chuva e horas de luz: quando plantar cada coisa no seu clima

Sobre o guia

Um guia para acertar a época de plantio no Brasil: os três relógios das plantas (temperatura, água e horas de luz), o clima de cada região e a altitude, as hortaliças de clima ameno e as de calor, a geada, o calendário da chuva e da seca, a influência da duração do dia na cebola e no alho, e como montar o seu próprio calendário de horta.

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Cada planta tem a sua estação

Quem começa uma horta costuma comprar o envelope de sementes, abrir um canteiro e plantar no mesmo dia. Às vezes dá certo. Muitas vezes a alface fica amarga, o tomate adoece, a cenoura sai miúda, e a gente acha que o problema foi a terra, a rega ou a semente. Muitas vezes o problema foi o calendário. Este guia ensina a escolher a hora certa de plantar cada coisa, no clima de onde você mora.

Os três relógios do plantio

Uma planta não sabe que dia é hoje. Ela sente o que está acontecendo à sua volta, e são três coisas que mais pesam na escolha da época: a temperatura, a água e a quantidade de horas de luz do dia. Juntas, elas funcionam como três relógios que dizem à planta quando crescer, quando florir e quando formar o que a gente vai colher.

Três painéis: Temperatura, com um termômetro (frio, ameno ou calor, e o risco de geada); Água, com uma nuvem e gotas (quando chove e quando seca, e se há como irrigar); e Luz do dia, com um sol (quantas horas o dia dura em cada época do ano).
Temperatura, água e horas de luz: os três relógios que definem a época de cada planta.

A temperatura é o relógio mais conhecido. O Catálogo Brasileiro de Hortaliças, publicado pela Embrapa e pelo Sebrae, mostra que muitas hortaliças produzem melhor entre 15 e 25 °C, enquanto outras, como o quiabo, exigem calor. A água é o segundo: onde a chuva se concentra em poucos meses, quem não irriga precisa plantar quando ela chega. E a luz do dia é o relógio mais discreto: algumas plantas, como a cebola, só formam o que a gente come quando o dia atinge um certo número de horas.

O que acontece fora de época

Plantar fora de época raramente mata a planta de uma vez. O mais comum é ela crescer, mas produzir pouco ou mal. O mesmo catálogo da Embrapa dá exemplos claros.

Três exemplos. Alface no calor: solta o pendão floral e as folhas amargam. Tomate no quente e úmido: o clima favorece as doenças. Batata em noites quentes: noites acima de 20 °C por mais de 60 dias, e a planta não forma batatas.
A planta cresce, mas não entrega o que a gente esperava.

A alface deve ser colhida antes do pendoamento, quando ela solta o pendão floral. A partir daí, as folhas ficam amargas. O tomate vai melhor em clima seco e com muita luz; regiões muito quentes e úmidas favorecem as doenças. E a batata é um caso extremo: segundo o catálogo, noites acima de 20 °C por mais de 60 dias tornam inviável a formação dos tubérculos. A planta fica bonita, mas embaixo da terra não aparece batata.

Vídeo: PORQUE AS ALFACES PENDOAM e COMO EVITAR? · Horta Fenato · 8 min

Época não é regra fixa

Se a época dependesse só do mês, bastaria uma tabela para o Brasil inteiro. Mas o Brasil é grande demais para isso. O mesmo catálogo indica a cebola de julho a agosto no Sul e de fevereiro a maio no Sudeste, e a batata de novembro a dezembro no Sul e de abril a maio no Sudeste. A mesma planta pode ter épocas bem diferentes em cada região, e é por isso que a Embrapa apresenta a época de plantio separada por região.

Há ainda uma terceira peça no quebra-cabeça: a cultivar, a variedade da planta. Para várias hortaliças existem cultivares de inverno e de verão. A alface, por exemplo, pode ser cultivada o ano todo em todas as regiões do Brasil, segundo a Embrapa, mas desde que a cultivar seja escolhida de acordo com o clima. Você vai ver isso no capítulo 3.

Você sabia?

No catálogo da Embrapa, a batata pode ser plantada o ano inteiro no centro-sul do país, mas os plantios de inverno e primavera rendem mais que os de verão. Com temperaturas amenas, a cultura se desenvolve melhor e sofre menos com doenças.

Na prática

Olhe para a sua horta com os três relógios:

  1. Anote o mês de hoje e como está o tempo: frio, ameno ou quente; chuvoso ou seco.
  2. Liste o que está plantado e o que você quer plantar em seguida.
  3. Lembre do que já deu errado: alface que amargou, planta que não produziu. Guarde essa lista; nos próximos capítulos você vai descobrir se a época foi a culpada.

Fontes

  1. Embrapa Hortaliças; Sebrae. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Embrapa Hortaliças / Sebrae, Brasília, 2010.

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Quais são os três "relógios" que definem a época de plantio?

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O clima da sua região

Antes de perguntar "quando planto isso?", vale perguntar "como é o clima aqui?". O Brasil tem do frio com geada das serras do Sul ao calor úmido da Amazônia, passando pelo Cerrado de chuva e seca bem marcadas e pelo Semiárido de chuva curta. Cada um desses climas tem o seu calendário.

Um país de muitos climas

A classificação de Köppen é o sistema mais usado no mundo para dividir os climas. Um mapa feito por pesquisadores da USP e de outras instituições, com dados de 2.950 estações meteorológicas, mostra como o Brasil se divide: cerca de 81% do território tem clima tropical (o grupo A), cerca de 5% tem clima seco (o grupo B, o Semiárido) e cerca de 14% tem clima subtropical (o grupo C, de inverno mais fresco).

Na prática, isso quer dizer que, na maior parte do país, nem o mês mais frio é frio de verdade: no clima tropical de Köppen, a média do mês mais frio fica acima de 18 °C. Ali, o que costuma marcar o calendário é a estação de chuva e a de seca. Já no Sul, as noites frias de inverno trazem geadas, e é o frio que manda.

A mesma planta, meses diferentes

O Catálogo Brasileiro de Hortaliças, da Embrapa e do Sebrae, traz para cada espécie a época mais recomendada de plantio nas cinco regiões. Comparar as linhas da tabela mostra como o mês certo muda de lugar.

Tabela com a época mais recomendada de plantio por região. Cebola: Sul julho a agosto; Sudeste, Centro-Oeste e Norte fevereiro a maio; Nordeste fevereiro a abril. Batata: Sul novembro a dezembro; Sudeste e Centro-Oeste abril a maio; não recomendável no Nordeste e no Norte. Alho: Sul maio a junho; Sudeste e Centro-Oeste março a abril; Nordeste maio; não recomendável no Norte. Cenoura de inverno: Sul fevereiro a agosto; Sudeste março a julho; Centro-Oeste abril a julho; não recomendável no Nordeste e no Norte. Abóbora: Sul outubro a fevereiro; Sudeste setembro a março; Nordeste março a outubro; Centro-Oeste o ano todo; Norte abril a agosto.
O traço marca as regiões onde o catálogo considera o plantio não recomendável.

Repare na abóbora. No Sul e no Sudeste, ela é plantada na primavera e no verão, porque não resiste a geadas. No Norte, a época indicada é de abril a agosto. Uma cartilha da Embrapa Amazônia Oriental para hortas no Pará ajuda a entender: lá, abóbora e berinjela vão do final do período chuvoso até agosto, e a cartilha explica que o clima quente e úmido favorece pragas e doenças nessas culturas. Para a alface, que pode ser plantada o ano todo no Pará, a cartilha recomenda cultivo protegido no período chuvoso.

Vídeo: Embrapa e Sebrae - Curso de Hortaliças Parte 1 · Editor Adenilson Lima · 6 min

A altitude também conta

Duas cidades na mesma região podem ter calendários diferentes por causa da altitude: quanto mais alto, mais fresco. O mapa de clima do Brasil, inclusive, calcula a temperatura de cada lugar a partir da latitude, da longitude e da altitude. Por isso o catálogo da Embrapa diz que o tomate se desenvolve melhor em regiões altas, como serras e planaltos de clima tropical, e que o nabo, uma planta de clima ameno, pode ser semeado o ano todo em regiões de elevada altitude.

Paisagem com uma baixada mais quente, marcada por um termômetro alto, e uma serra mais fresca, marcada por um termômetro baixo. Um cartão diz que o tomate se dá melhor em regiões altas, como serras e planaltos.
Morar na serra ou na baixada muda a época de várias hortaliças.

Você sabia?

O mapa de Köppen do Brasil feito por Alvares e colegas, publicado em 2013, identificou no país tipos de clima que nunca tinham sido registrados aqui. O trabalho usou dados de chuva e temperatura de quase 3 mil estações espalhadas pelo território.

Na prática

Descubra o clima do lugar onde você planta:

  1. Anote a sua região e se você mora em baixada, em planalto ou na serra.
  2. Marque os meses de chuva e de seca e, se for o caso, os meses em que costuma gear.
  3. Converse com quem planta por perto: vizinhos, feirantes e agricultores sabem o que dá certo em cada época no seu lugar.

Fontes

  1. Alvares, C. A.; Stape, J. L.; Sentelhas, P. C.; Gonçalves, J. L. M.; Sparovek, G. Köppen's climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, v. 22, n. 6, 2013. (em inglês)
  2. Embrapa Hortaliças; Sebrae. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Embrapa Hortaliças / Sebrae, Brasília, 2010.
  3. Souza, M. B.; Martins, V. C. Hortas: recomendações para cultivo no estado do Pará. Embrapa Amazônia Oriental, 2024.
  4. Mandelli, F. Geada e métodos de controle. Jornal da Fruta (Embrapa Uva e Vinho), 2006.

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Segundo o mapa de Köppen do Brasil, qual tipo de clima cobre a maior parte do país?

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Hortaliças de clima ameno

Alface, couve, repolho, cenoura, beterraba, rúcula: boa parte das folhas e raízes que a gente come gosta de um clima nem frio demais, nem quente demais. Neste capítulo você vai conhecer essas plantas de clima ameno e descobrir o truque que permite colher várias delas o ano todo: escolher a cultivar certa para cada estação.

A faixa dos 15 aos 25 graus

No Catálogo Brasileiro de Hortaliças, da Embrapa e do Sebrae, uma faixa de temperatura aparece de novo e de novo: entre 15 e 25 °C. É onde produzem melhor a beterraba, o repolho, a rúcula, o nabo, o espinafre e a maioria das cultivares de couve-chinesa, entre outras.

Régua de temperatura com quatro faixas: geada (abaixo de 0 °C), frio (0 a 15 °C), ameno (15 a 25 °C) e calor (acima de 25 °C). Abaixo, dois quadros: gostam do ameno, com beterraba, repolho, rúcula, nabo, espinafre e couve-chinesa; e gostam do calor, com quiabo, maxixe, pimenta, abóbora, pepino e batata-doce.
Faixas gerais: cada espécie, e cada cultivar, tem a sua tolerância.

Várias delas aguentam bem o frio. Segundo o catálogo, a beterraba resiste ao frio e a geadas, o repolho resiste bem a geadas e o nabo suporta geadas leves. O problema delas é o contrário: o calor. A beterraba não tolera temperaturas e umidade muito elevadas, e no repolho as temperaturas altas fazem com que as cabeças não fiquem bem formadas.

Por isso, em boa parte do Brasil, a época de várias delas se concentra no outono e no inverno. O catálogo indica a rúcula de março a agosto ou julho em quase todas as regiões, e o espinafre de fevereiro a setembro no Sul e no Sudeste. Nas regiões de verão ameno, a rúcula pode ser plantada o ano todo. A couve, diz o catálogo, é uma cultura típica dos períodos de outono e inverno, embora tenha certa tolerância ao calor e possa ser plantada o ano todo. Já a cebolinha produz melhor com temperaturas de 25 °C para baixo, e costuma ser plantada no outono e no inverno.

Vídeo: 5 HORTALIÇAS para cultivar no INVERNO · Vida no Jardim · 6 min

Cultivar de inverno, cultivar de verão

Se as plantas de clima ameno sofrem no calor, como existe alface o ano todo na feira? A resposta está nas cultivares: dentro da mesma espécie existem variedades adaptadas a climas mais quentes e outras a climas mais amenos. O catálogo da Embrapa separa várias hortaliças em cultivares de inverno e de verão, cada uma com a sua época.

Calendário de plantio no Sudeste. Alface de inverno: fevereiro a julho; alface de verão: o ano todo. Cenoura de inverno: março a julho; cenoura de verão: outubro a março. Brócolis de inverno: fevereiro a julho; brócolis de verão: setembro a janeiro. Repolho de inverno: fevereiro a julho; repolho de verão: outubro a fevereiro.
No Sudeste, as cultivares de inverno e de verão quase se revezam ao longo do ano.

Repare que, para a cenoura e o brócolis, as épocas quase não se sobrepõem: a cultivar de inverno vai de fevereiro ou março a julho, e a de verão ocupa a primavera e o verão. Plantar a cultivar errada na época errada traz problemas. O catálogo avisa, por exemplo, que nas cenouras de verão as baixas temperaturas no campo fazem as plantas florescerem, o que só interessa a quem produz semente.

No caso da alface, o catálogo diz que ela pode ser cultivada o ano todo, em todas as regiões do Brasil, a depender da cultivar escolhida. Para o brócolis, recomenda escolher a cultivar de acordo com o clima da região e a altitude, já que existem cultivares adaptadas a clima mais quente.

Vídeo: Alface que suportam a chuva e o calor do Verão · NatuFive · 3 min

Você sabia?

A cenoura tem uma exigência curiosa na hora de nascer: segundo a Embrapa, a faixa ideal para uma germinação rápida e uniforme das sementes vai de 20 a 30 °C, mais quente que a faixa em que muitas folhosas crescem melhor.

Na prática

Escolha as sementes pela estação:

  1. Na hora de comprar sementes, procure a indicação de época e de região da cultivar.
  2. Se for plantar no calor, prefira cultivares de verão de alface, cenoura, brócolis e repolho.
  3. Deixe para o outono e o inverno as plantas que sofrem no calor da sua região, como a rúcula onde o verão é quente.

Fontes

  1. Embrapa Hortaliças; Sebrae. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Embrapa Hortaliças / Sebrae, Brasília, 2010.

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Em que faixa de temperatura muitas hortaliças de folha e raiz produzem melhor?

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Hortaliças de calor e o perigo da geada

Do outro lado da régua estão as plantas que gostam de calor: quiabo, abóbora, pepino, pimenta, maxixe, batata-doce. Para elas, o frio não é só um incômodo, é um risco. Neste capítulo você vai ver quando plantá-las e entender a geada, o maior inimigo dessas hortaliças no Sul e nas serras.

Plantas que pedem calor

No Catálogo Brasileiro de Hortaliças, da Embrapa e do Sebrae, a descrição dessas plantas é parecida. O quiabo exige temperaturas altas e não tolera frio. A pimenta é exigente em calor, sensível a baixas temperaturas e intolerante a geadas. O maxixe é uma hortaliça de clima tropical, que suporta temperaturas elevadas e chuvas abundantes. A abóbora é favorecida por temperaturas elevadas e não resiste a geadas. A batata-doce se desenvolve bem com temperaturas mais elevadas; o frio reduz a produtividade e alonga o ciclo.

Seis cartões com a época de plantio no Sudeste: quiabo, agosto a março; pepino, setembro a fevereiro; abóbora, setembro a março; pimenta, agosto a março; maxixe, setembro a fevereiro; batata-doce, outubro a dezembro.
No Sudeste, a época dessas plantas vai do fim do inverno ao verão.

Na prática, isso significa que, onde existe inverno frio, elas são plantadas no fim do inverno, na primavera e no verão. No Sul, o catálogo indica o quiabo de outubro a dezembro e a batata-doce também de outubro a dezembro. Nas regiões quentes o calendário se abre: no Nordeste e no Norte, o catálogo indica o quiabo e a batata-doce o ano todo. Para a pimenta, ele diz que em regiões de baixa altitude, onde o inverno é ameno, dá para plantar o ano inteiro.

O calor também não é garantia de sucesso. O excesso de chuva traz outros problemas: o mesmo catálogo avisa que, na Região Norte, o excesso de chuvas pode provocar doenças no maxixe.

Vídeo: Quiabo, Ótima opção p/plantar em época de chuva e sol forte, veja todos os detalhes. · Sítio Kawamura Tsuyoshi Kawamura · 9 min

Entendendo a geada

A geada é o gelo que se forma sobre as plantas e o chão nas noites muito frias. Segundo a Embrapa Uva e Vinho, ela costuma acontecer no Sul do Brasil nas noites frias de inverno, quando o céu está limpo e estrelado, não há vento e o ar está seco. Sem nuvens, o chão e as plantas perdem calor a noite toda.

Paisagem noturna com céu estrelado. Setas mostram o ar frio descendo pelas encostas até a baixada, onde a geada é mais forte. Um cartão indica que a meia encosta é mais protegida. Nota: com vento, mesmo fraco, a geada dificilmente se forma.
O ar frio é pesado e escorre para as partes baixas do terreno.

O lugar importa muito. Um documento da Embrapa Clima Temperado explica que, nessas noites, o ar frio é mais denso e se comporta como a água: escorre e se acumula nas partes baixas do terreno. Por isso a Embrapa Uva e Vinho recomenda evitar o plantio em baixadas e fundos de vale, onde as geadas são mais frequentes e mais fortes, e prefere a meia encosta. E quando há vento, mesmo fraco, dificilmente se forma geada. Entre as defesas preventivas citadas estão os quebra-ventos na parte de cima da área e a vegetação rasteira na parte de baixo.

Para quem tem horta, a primeira defesa é o calendário: não deixar as hortaliças de calor no canteiro nos meses em que costuma gear. A segunda é o lugar: se o seu terreno tem uma parte baixa, ela é a mais arriscada nas noites frias.

Vídeo: COMO PROTEGER A HORTA DA GEADA | Simples e fácil · Horta Fenato · 12 min

Você sabia?

Nem toda geada vem de noite sem vento. A Embrapa separa as geadas pela origem: as de radiação, de noites calmas e limpas, e as de advecção, quando chega uma massa de ar muito frio vinda dos polos, com vento.

Na prática

Planeje as hortaliças de calor:

  1. Descubra em que meses costuma gear onde você mora, se for o caso.
  2. Plante quiabo, abóbora, pepino e pimenta depois desse período, para que cresçam no calor.
  3. Observe as partes baixas do terreno numa manhã fria: se a geada aparece primeiro ali, deixe esse lugar para as plantas que aguentam frio.

Fontes

  1. Embrapa Hortaliças; Sebrae. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Embrapa Hortaliças / Sebrae, Brasília, 2010.
  2. Mandelli, F. Geada e métodos de controle. Jornal da Fruta (Embrapa Uva e Vinho), 2006.
  3. Oliveira, R. P. et al. Manejo de pomares de citros contra geadas. Embrapa Clima Temperado, Documentos 346, 2012.

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Quando plantar quiabo e abóbora onde o inverno tem geada?

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A água marca o calendário

Em boa parte do Brasil, o que mais muda de um semestre para o outro não é a temperatura, é a chuva. No Cerrado, há meses de chuva quase diária e meses sem uma gota. No Semiárido, a chuva se concentra em pouco tempo. Na Amazônia, o problema pode ser o excesso. Neste capítulo você vai aprender a ler o calendário pela água.

Plantar quando a chuva chega

Para quem não tem irrigação, a regra mais importante é simples: as mudas vão para a terra no começo da estação chuvosa. Assim, a planta tem a estação inteira de chuva para firmar as raízes antes da próxima seca. A Embrapa Cerrados dá essa orientação, por exemplo, para a pinha, a fruta-do-conde: o plantio das mudas deve ser feito no início da estação chuvosa, mas, se o pomar for irrigado, pode ser em qualquer época.

Quatro quadros em sequência. Fim da seca: prepare as covas e as mudas. Início das chuvas: hora de plantar. Estação chuvosa: a planta enraíza com água do céu. Próxima seca: a muda chega a ela já enraizada. Nota: com irrigação, muitas mudas podem ir para a terra em qualquer época.
Plantar no começo das chuvas dá à muda o máximo de tempo com água.

A irrigação muda o jogo também na horta. O catálogo de hortaliças da Embrapa diz que, em regiões de inverno suave, é possível plantar abóbora o ano todo, desde que haja irrigação. A cartilha de hortas da Embrapa Amazônia Oriental faz a mesma ressalva para a batata-doce no Pará: ela pode ser plantada o ano todo, desde que se irrigue na falta de chuva.

O calendário do Semiárido

No Semiárido, a água é o relógio que manda. Um capítulo de livro da Embrapa Semiárido descreve o regime de chuvas da região como marcado pela escassez, pela irregularidade e pela concentração das chuvas em um curto período, em média de três meses. A chuva média anual fica abaixo de 800 milímetros, enquanto a evaporação chega a cerca de 2.000 milímetros por ano.

Três quadros. Menos de 800 mm de chuva por ano. Cerca de 2.000 mm de evaporação por ano. Cerca de 3 meses concentram as chuvas. Nota: os meses chuvosos mudam de lugar para lugar dentro do Semiárido.
Chove pouco, e a água evapora mais do que chove.

O mesmo texto mostra que, em quase todo o Nordeste, predomina a chuva de verão, entre dezembro e abril, mas que o começo da estação chuvosa muda de um lugar para outro. E, mesmo em anos de chuva perto da média, a forma como ela se distribui ao longo da estação faz muita diferença para a agricultura. Por isso, mais do que decorar meses, vale observar quando as chuvas começam no seu lugar e plantar com elas.

Quando a chuva é demais

No outro extremo está o excesso. Na Amazônia, o clima é de temperatura e umidade altas. A cartilha da Embrapa Amazônia Oriental recomenda, por exemplo, plantar abóbora e berinjela do final do período chuvoso até agosto, e cultivar a alface em ambiente protegido no período chuvoso. Para o cará, a indicação é plantar antes do início das chuvas.

A chuva forte também castiga a horta de outras formas. A Embrapa Hortaliças observa, para a cebola, que nas principais regiões produtoras a maior parte da produção se concentra entre março e novembro, quando as noites são mais frias e não há longos períodos de chuva, o que facilita o controle de doenças.

Vídeo: Cinco mandamentos para salvar sua horta no verão · VEJA+ · 3 min

Você sabia?

Segundo a Embrapa Semiárido, a evaporação na região de Petrolina, em Pernambuco, pode chegar a 3.000 milímetros por ano. É como se uma lâmina de água de três metros de altura sumisse no ar ao longo de um ano.

Na prática

Faça o calendário da água:

  1. Marque no calendário quando as chuvas costumam começar e terminar onde você mora.
  2. Programe o plantio de mudas e árvores para o começo das chuvas, se você não tiver como irrigar.
  3. Se a sua estação de chuvas é muito forte, reserve para ela as plantas que aguentam bem a umidade, e proteja as folhosas.

Fontes

  1. Cordeiro, M. C. R.; Pinto, A. C. Q.; Ramos, V. H. V. O cultivo da pinha, fruta-do-conde ou ata no Brasil. Embrapa Cerrados, Circular Técnica 9, 2000.
  2. Embrapa Hortaliças; Sebrae. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Embrapa Hortaliças / Sebrae, Brasília, 2010.
  3. Souza, M. B.; Martins, V. C. Hortas: recomendações para cultivo no estado do Pará. Embrapa Amazônia Oriental, 2024.
  4. Moura, M. S. B. et al. Clima e água de chuva no Semi-Árido. In: Potencialidades da água de chuva no Semi-Árido brasileiro, Embrapa Semi-Árido, 2007.
  5. Embrapa Hortaliças. Cebola: plantio. Portal Embrapa.

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Sem irrigação, qual é a melhor hora de levar mudas para a terra?

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O relógio da luz

O terceiro relógio é o mais discreto: a quantidade de horas de luz do dia. A gente quase não percebe que o dia encurta no inverno e alonga no verão, mas muitas plantas percebem, e usam essa informação para decidir quando florir ou formar o que a gente colhe. Esse fenômeno se chama fotoperíodo.

O dia não dura sempre 12 horas

Nos equinócios, por volta de 23 de março e 23 de setembro, o dia dura cerca de 12 horas em qualquer lugar do planeta. No resto do ano, isso muda, e muda mais quanto mais longe do Equador. Um texto da Embrapa Trigo dá o exemplo de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul: o dia mais curto do ano, 21 de junho, tem cerca de 10 horas e 12 minutos de luz; o mais longo, 21 de dezembro, tem 13 horas e 48 minutos.

Barras com a duração do dia. Passo Fundo, RS, em 21 de junho: 10h12. Passo Fundo em 21 de dezembro: 13h48. Qualquer lugar, nos equinócios de março e setembro: 12h. Vale do São Francisco, ao longo do ano: entre 11,5 e 12,5 horas.
No Sul, o dia de verão tem mais de três horas e meia de luz a mais que o de inverno.

Perto do Equador, a diferença é pequena. A Embrapa Soja lembra que, quanto mais perto da linha do Equador, menor é a variação do fotoperíodo ao longo do ano. No Submédio do Vale do São Francisco, segundo a Embrapa Semiárido, o dia fica entre 11,5 e 12,5 horas de luz.

A cebola e as horas de luz

A cebola é o exemplo clássico. Segundo a Embrapa Semiárido, ela só forma o bulbo, a cabeça, depois que o dia atinge um mínimo de horas de luz, e esse mínimo muda de cultivar para cultivar. As cultivares são divididas em três grupos: as de dias curtos, que exigem de 11 a 12 horas de luz; as intermediárias, de mais de 12 a 14 horas; e as de dias longos, de mais de 14 horas.

Três grupos de cultivares de cebola: dias curtos, de 11 a 12 horas de luz; intermediárias, de 12 a 14 horas; dias longos, mais de 14 horas. Abaixo, dois erros: cultivar que pede mais luz do que o lugar tem não forma cabeça (os charutos); cultivar de dias curtos onde o dia é bem mais longo forma cabeça cedo demais, miúda.
Cada cultivar de cebola tem a sua exigência de horas de luz.

Errar o grupo custa caro. A Embrapa Semiárido explica que uma cultivar intermediária plantada no Vale do São Francisco, onde o dia tem de 11,5 a 12,5 horas, pode ter muitas plantas improdutivas, os "charutos", que não formam cabeça. E uma cultivar de dias curtos plantada onde o dia é muito mais longo forma bulbos cedo demais, pequenos, sem valor comercial. O catálogo de hortaliças da Embrapa acrescenta que, de modo geral, a cebola não forma bulbos em dias com menos de 10 horas de luz, e que o calor só acelera o bulbo se as horas de luz exigidas já tiverem sido alcançadas.

Vídeo: Cebola: saiba é qual a melhor época para o cultivo · Canal Rural · 3 min

Outras plantas que contam as horas

O alho também depende da luz. O catálogo da Embrapa diz que a planta precisa de dias longos e frios para formar o bulbo; as cultivares tardias exigem no mínimo 13 horas de luz por dia, e no centro-sul só podem ser plantadas depois da vernalização, quando os bulbos passam um tempo em câmara fria. As cultivares precoces exigem menos frio e menos horas de luz.

Outras plantas respondem aos dias curtos. No morango, segundo o mesmo catálogo, os dias curtos de outono e inverno favorecem a frutificação. Na abóbora, os dias curtos favorecem a formação de flores femininas, as que viram fruto, o que resulta em maior produtividade.

Você sabia?

A soja é uma planta de dia curto, e por isso cada cultivar se adapta a uma faixa de latitude. Segundo a Embrapa Soja, a solução foi a característica chamada período juvenil longo: cultivares que a têm podem ser usadas numa faixa bem mais ampla de latitudes e de épocas de semeadura.

Na prática

Leve a luz em conta:

  1. Ao comprar sementes de cebola ou bulbos de alho, confira se a cultivar é indicada para a sua região.
  2. Desconfie de cultivares trazidas de muito longe, ao norte ou ao sul: a exigência de luz pode não bater com o seu lugar.
  3. Anote quando o seu morango e a sua abóbora florescem e compare com a época do ano.

Fontes

  1. Cunha, G. R. O inverno segundo Quintana. Embrapa Trigo, 1999.
  2. Farias, J. R. B.; Neumaier, N.; Nepomuceno, A. L. Exigências climáticas. Embrapa Soja, SECA: Soja em Carência de Água.
  3. Costa, N. D. et al. Cultivo orgânico de cebola no Submédio do Vale do São Francisco. Embrapa Semiárido, Circular Técnica 96, 2011.
  4. Embrapa Hortaliças; Sebrae. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Embrapa Hortaliças / Sebrae, Brasília, 2010.

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Em Passo Fundo (RS), quanto dura o dia mais curto do ano?

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Monte o seu calendário

Agora que você conhece os três relógios, é hora de juntar tudo num calendário que seja seu: com o clima do seu lugar, as plantas que você quer comer e o tempo que cada uma leva para produzir. Um bom calendário de plantio não é uma tabela copiada da internet, é um caderno que melhora a cada ano.

Quanto tempo cada planta leva

Para planejar, é preciso saber quanto tempo cada planta fica no canteiro. O Catálogo Brasileiro de Hortaliças, da Embrapa e do Sebrae, indica o início da colheita depois do plantio. As diferenças são enormes: o rabanete começa a ser colhido de 25 a 30 dias depois do plantio, e a mandioquinha-salsa leva de 300 a 360 dias.

Gráfico de barras com os dias até começar a colher: rabanete, 25 a 30; rúcula, 40 a 60; alface de verão, 50 a 70; couve-manteiga, 80 a 90; cenoura de verão, 85 a 100; tomate, 100 a 120; batata-doce, 120 a 150; mandioquinha, 300 a 360.
Do rabanete à mandioquinha, o tempo no canteiro vai de um mês a quase um ano.

Saber esses prazos ajuda em duas coisas. A primeira é não perder a janela: se a cenoura de inverno leva de 90 a 110 dias para começar a ser colhida, plantar muito depois da época indicada pode fazer a planta crescer já no calor. A segunda é ocupar o canteiro sem deixar buraco: uma planta rápida, como o rabanete ou a rúcula, cabe no intervalo entre duas culturas mais longas.

Plantar um pouco de cada vez

Quem planta toda a alface de uma vez colhe toda a alface de uma vez, e depois fica sem. Por isso, na horta de casa, vale semear um pouco a cada poucas semanas, dentro da época indicada. O mesmo vale para outras folhosas e raízes de ciclo curto. Assim a colheita fica espalhada ao longo da estação, em vez de concentrada num só fim de semana.

Cinco passos para o seu calendário

Cinco passos numerados. 1: conheça o seu clima (região, altitude, mês da geada, meses de chuva e de seca). 2: liste o que quer plantar e separe as plantas de clima ameno das de calor. 3: confira a época da sua região nas tabelas da Embrapa e com quem planta por perto. 4: escolha a cultivar certa, de inverno ou de verão, adaptada à sua região. 5: anote tudo (data de plantio, de colheita e o que deu certo ou errado).
O calendário fica melhor a cada ano de anotações.

O passo mais esquecido é o último. Anotar a data de plantio, a cultivar, a data da primeira colheita e o que aconteceu no meio do caminho transforma tentativas soltas em conhecimento do seu lugar. Depois de dois ou três anos, o seu caderno vai valer mais do que qualquer tabela geral, porque foi feito no seu clima.

O zoneamento da Embrapa

Para as lavouras, o Brasil tem uma ferramenta oficial: o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, o Zarc. Segundo o Ministério da Agricultura, ele é feito pela Embrapa e parceiros há mais de 20 anos, com base em séries históricas de clima, e indica, para mais de 40 culturas, em todos os municípios do país, as janelas de plantio com menor chance de perda por eventos climáticos. O aplicativo gratuito Zarc Plantio Certo mostra a época indicada a partir de quatro informações: município, tipo de solo, cultura e ciclo da planta.

O Zarc serve principalmente a quem planta lavouras, como milho, feijão e mandioca. As hortaliças estão entrando aos poucos: segundo a Embrapa, em 2023 o grão-de-bico e a melancia já tinham zoneamento, e a cebola, o alho, a batata e o tomate estavam previstos para os anos seguintes. Para a maioria das hortaliças de quintal, as tabelas por região do catálogo da Embrapa continuam sendo o melhor ponto de partida.

Vídeo: ZARC-Aplicativo desenvolvido pela Embrapa e parceiros · Embrapa · 3 min

Você sabia?

Seguir as datas do Zarc é obrigatório para o agricultor que quer acessar o Proagro e o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, segundo o Ministério da Agricultura. O calendário de plantio, ali, vale como condição para o seguro.

Na prática

Monte o seu calendário:

  1. Faça uma tabela com os 12 meses e marque neles as chuvas, a seca e, se houver, as geadas.
  2. Para cada planta que você quer, marque a época indicada para a sua região e o tempo até a colheita.
  3. Comece um caderno de horta e anote cada plantio: data, cultivar, colheita e o que aprendeu.

Teste rápido

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