
Épocas de plantio · 7 capítulos
O tempo certo de plantar
Temperatura, chuva e horas de luz: quando plantar cada coisa no seu clima
Sobre o guia
Um guia para acertar a época de plantio no Brasil: os três relógios das plantas (temperatura, água e horas de luz), o clima de cada região e a altitude, as hortaliças de clima ameno e as de calor, a geada, o calendário da chuva e da seca, a influência da duração do dia na cebola e no alho, e como montar o seu próprio calendário de horta.
Cada planta tem a sua estação
Quem começa uma horta costuma comprar o envelope de sementes, abrir um canteiro e plantar no mesmo dia. Às vezes dá certo. Muitas vezes a alface fica amarga, o tomate adoece, a cenoura sai miúda, e a gente acha que o problema foi a terra, a rega ou a semente. Muitas vezes o problema foi o calendário. Este guia ensina a escolher a hora certa de plantar cada coisa, no clima de onde você mora.
Os três relógios do plantio
Uma planta não sabe que dia é hoje. Ela sente o que está acontecendo à sua volta, e são três coisas que mais pesam na escolha da época: a temperatura, a água e a quantidade de horas de luz do dia. Juntas, elas funcionam como três relógios que dizem à planta quando crescer, quando florir e quando formar o que a gente vai colher.

A temperatura é o relógio mais conhecido. O Catálogo Brasileiro de Hortaliças, publicado pela Embrapa e pelo Sebrae, mostra que muitas hortaliças produzem melhor entre 15 e 25 °C, enquanto outras, como o quiabo, exigem calor. A água é o segundo: onde a chuva se concentra em poucos meses, quem não irriga precisa plantar quando ela chega. E a luz do dia é o relógio mais discreto: algumas plantas, como a cebola, só formam o que a gente come quando o dia atinge um certo número de horas.
O que acontece fora de época
Plantar fora de época raramente mata a planta de uma vez. O mais comum é ela crescer, mas produzir pouco ou mal. O mesmo catálogo da Embrapa dá exemplos claros.

A alface deve ser colhida antes do pendoamento, quando ela solta o pendão floral. A partir daí, as folhas ficam amargas. O tomate vai melhor em clima seco e com muita luz; regiões muito quentes e úmidas favorecem as doenças. E a batata é um caso extremo: segundo o catálogo, noites acima de 20 °C por mais de 60 dias tornam inviável a formação dos tubérculos. A planta fica bonita, mas embaixo da terra não aparece batata.
Época não é regra fixa
Se a época dependesse só do mês, bastaria uma tabela para o Brasil inteiro. Mas o Brasil é grande demais para isso. O mesmo catálogo indica a cebola de julho a agosto no Sul e de fevereiro a maio no Sudeste, e a batata de novembro a dezembro no Sul e de abril a maio no Sudeste. A mesma planta pode ter épocas bem diferentes em cada região, e é por isso que a Embrapa apresenta a época de plantio separada por região.
Há ainda uma terceira peça no quebra-cabeça: a cultivar, a variedade da planta. Para várias hortaliças existem cultivares de inverno e de verão. A alface, por exemplo, pode ser cultivada o ano todo em todas as regiões do Brasil, segundo a Embrapa, mas desde que a cultivar seja escolhida de acordo com o clima. Você vai ver isso no capítulo 3.
Você sabia?
No catálogo da Embrapa, a batata pode ser plantada o ano inteiro no centro-sul do país, mas os plantios de inverno e primavera rendem mais que os de verão. Com temperaturas amenas, a cultura se desenvolve melhor e sofre menos com doenças.
Na prática
Olhe para a sua horta com os três relógios:
- Anote o mês de hoje e como está o tempo: frio, ameno ou quente; chuvoso ou seco.
- Liste o que está plantado e o que você quer plantar em seguida.
- Lembre do que já deu errado: alface que amargou, planta que não produziu. Guarde essa lista; nos próximos capítulos você vai descobrir se a época foi a culpada.
Fontes
- Embrapa Hortaliças; Sebrae. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Embrapa Hortaliças / Sebrae, Brasília, 2010.
Teste rápido
1 de 3Quais são os três "relógios" que definem a época de plantio?
O clima da sua região
Antes de perguntar "quando planto isso?", vale perguntar "como é o clima aqui?". O Brasil tem do frio com geada das serras do Sul ao calor úmido da Amazônia, passando pelo Cerrado de chuva e seca bem marcadas e pelo Semiárido de chuva curta. Cada um desses climas tem o seu calendário.
Um país de muitos climas
A classificação de Köppen é o sistema mais usado no mundo para dividir os climas. Um mapa feito por pesquisadores da USP e de outras instituições, com dados de 2.950 estações meteorológicas, mostra como o Brasil se divide: cerca de 81% do território tem clima tropical (o grupo A), cerca de 5% tem clima seco (o grupo B, o Semiárido) e cerca de 14% tem clima subtropical (o grupo C, de inverno mais fresco).
Na prática, isso quer dizer que, na maior parte do país, nem o mês mais frio é frio de verdade: no clima tropical de Köppen, a média do mês mais frio fica acima de 18 °C. Ali, o que costuma marcar o calendário é a estação de chuva e a de seca. Já no Sul, as noites frias de inverno trazem geadas, e é o frio que manda.
A mesma planta, meses diferentes
O Catálogo Brasileiro de Hortaliças, da Embrapa e do Sebrae, traz para cada espécie a época mais recomendada de plantio nas cinco regiões. Comparar as linhas da tabela mostra como o mês certo muda de lugar.

Repare na abóbora. No Sul e no Sudeste, ela é plantada na primavera e no verão, porque não resiste a geadas. No Norte, a época indicada é de abril a agosto. Uma cartilha da Embrapa Amazônia Oriental para hortas no Pará ajuda a entender: lá, abóbora e berinjela vão do final do período chuvoso até agosto, e a cartilha explica que o clima quente e úmido favorece pragas e doenças nessas culturas. Para a alface, que pode ser plantada o ano todo no Pará, a cartilha recomenda cultivo protegido no período chuvoso.
A altitude também conta
Duas cidades na mesma região podem ter calendários diferentes por causa da altitude: quanto mais alto, mais fresco. O mapa de clima do Brasil, inclusive, calcula a temperatura de cada lugar a partir da latitude, da longitude e da altitude. Por isso o catálogo da Embrapa diz que o tomate se desenvolve melhor em regiões altas, como serras e planaltos de clima tropical, e que o nabo, uma planta de clima ameno, pode ser semeado o ano todo em regiões de elevada altitude.

Você sabia?
O mapa de Köppen do Brasil feito por Alvares e colegas, publicado em 2013, identificou no país tipos de clima que nunca tinham sido registrados aqui. O trabalho usou dados de chuva e temperatura de quase 3 mil estações espalhadas pelo território.
Na prática
Descubra o clima do lugar onde você planta:
- Anote a sua região e se você mora em baixada, em planalto ou na serra.
- Marque os meses de chuva e de seca e, se for o caso, os meses em que costuma gear.
- Converse com quem planta por perto: vizinhos, feirantes e agricultores sabem o que dá certo em cada época no seu lugar.
Fontes
- Alvares, C. A.; Stape, J. L.; Sentelhas, P. C.; Gonçalves, J. L. M.; Sparovek, G. Köppen's climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, v. 22, n. 6, 2013. (em inglês)
- Embrapa Hortaliças; Sebrae. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Embrapa Hortaliças / Sebrae, Brasília, 2010.
- Souza, M. B.; Martins, V. C. Hortas: recomendações para cultivo no estado do Pará. Embrapa Amazônia Oriental, 2024.
- Mandelli, F. Geada e métodos de controle. Jornal da Fruta (Embrapa Uva e Vinho), 2006.
Teste rápido
1 de 3Segundo o mapa de Köppen do Brasil, qual tipo de clima cobre a maior parte do país?
Hortaliças de clima ameno
Alface, couve, repolho, cenoura, beterraba, rúcula: boa parte das folhas e raízes que a gente come gosta de um clima nem frio demais, nem quente demais. Neste capítulo você vai conhecer essas plantas de clima ameno e descobrir o truque que permite colher várias delas o ano todo: escolher a cultivar certa para cada estação.
A faixa dos 15 aos 25 graus
No Catálogo Brasileiro de Hortaliças, da Embrapa e do Sebrae, uma faixa de temperatura aparece de novo e de novo: entre 15 e 25 °C. É onde produzem melhor a beterraba, o repolho, a rúcula, o nabo, o espinafre e a maioria das cultivares de couve-chinesa, entre outras.

Várias delas aguentam bem o frio. Segundo o catálogo, a beterraba resiste ao frio e a geadas, o repolho resiste bem a geadas e o nabo suporta geadas leves. O problema delas é o contrário: o calor. A beterraba não tolera temperaturas e umidade muito elevadas, e no repolho as temperaturas altas fazem com que as cabeças não fiquem bem formadas.
Por isso, em boa parte do Brasil, a época de várias delas se concentra no outono e no inverno. O catálogo indica a rúcula de março a agosto ou julho em quase todas as regiões, e o espinafre de fevereiro a setembro no Sul e no Sudeste. Nas regiões de verão ameno, a rúcula pode ser plantada o ano todo. A couve, diz o catálogo, é uma cultura típica dos períodos de outono e inverno, embora tenha certa tolerância ao calor e possa ser plantada o ano todo. Já a cebolinha produz melhor com temperaturas de 25 °C para baixo, e costuma ser plantada no outono e no inverno.
Cultivar de inverno, cultivar de verão
Se as plantas de clima ameno sofrem no calor, como existe alface o ano todo na feira? A resposta está nas cultivares: dentro da mesma espécie existem variedades adaptadas a climas mais quentes e outras a climas mais amenos. O catálogo da Embrapa separa várias hortaliças em cultivares de inverno e de verão, cada uma com a sua época.

Repare que, para a cenoura e o brócolis, as épocas quase não se sobrepõem: a cultivar de inverno vai de fevereiro ou março a julho, e a de verão ocupa a primavera e o verão. Plantar a cultivar errada na época errada traz problemas. O catálogo avisa, por exemplo, que nas cenouras de verão as baixas temperaturas no campo fazem as plantas florescerem, o que só interessa a quem produz semente.
No caso da alface, o catálogo diz que ela pode ser cultivada o ano todo, em todas as regiões do Brasil, a depender da cultivar escolhida. Para o brócolis, recomenda escolher a cultivar de acordo com o clima da região e a altitude, já que existem cultivares adaptadas a clima mais quente.
Você sabia?
A cenoura tem uma exigência curiosa na hora de nascer: segundo a Embrapa, a faixa ideal para uma germinação rápida e uniforme das sementes vai de 20 a 30 °C, mais quente que a faixa em que muitas folhosas crescem melhor.
Na prática
Escolha as sementes pela estação:
- Na hora de comprar sementes, procure a indicação de época e de região da cultivar.
- Se for plantar no calor, prefira cultivares de verão de alface, cenoura, brócolis e repolho.
- Deixe para o outono e o inverno as plantas que sofrem no calor da sua região, como a rúcula onde o verão é quente.
Fontes
- Embrapa Hortaliças; Sebrae. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Embrapa Hortaliças / Sebrae, Brasília, 2010.
Teste rápido
1 de 3Em que faixa de temperatura muitas hortaliças de folha e raiz produzem melhor?
Hortaliças de calor e o perigo da geada
Do outro lado da régua estão as plantas que gostam de calor: quiabo, abóbora, pepino, pimenta, maxixe, batata-doce. Para elas, o frio não é só um incômodo, é um risco. Neste capítulo você vai ver quando plantá-las e entender a geada, o maior inimigo dessas hortaliças no Sul e nas serras.
Plantas que pedem calor
No Catálogo Brasileiro de Hortaliças, da Embrapa e do Sebrae, a descrição dessas plantas é parecida. O quiabo exige temperaturas altas e não tolera frio. A pimenta é exigente em calor, sensível a baixas temperaturas e intolerante a geadas. O maxixe é uma hortaliça de clima tropical, que suporta temperaturas elevadas e chuvas abundantes. A abóbora é favorecida por temperaturas elevadas e não resiste a geadas. A batata-doce se desenvolve bem com temperaturas mais elevadas; o frio reduz a produtividade e alonga o ciclo.

Na prática, isso significa que, onde existe inverno frio, elas são plantadas no fim do inverno, na primavera e no verão. No Sul, o catálogo indica o quiabo de outubro a dezembro e a batata-doce também de outubro a dezembro. Nas regiões quentes o calendário se abre: no Nordeste e no Norte, o catálogo indica o quiabo e a batata-doce o ano todo. Para a pimenta, ele diz que em regiões de baixa altitude, onde o inverno é ameno, dá para plantar o ano inteiro.
O calor também não é garantia de sucesso. O excesso de chuva traz outros problemas: o mesmo catálogo avisa que, na Região Norte, o excesso de chuvas pode provocar doenças no maxixe.
Entendendo a geada
A geada é o gelo que se forma sobre as plantas e o chão nas noites muito frias. Segundo a Embrapa Uva e Vinho, ela costuma acontecer no Sul do Brasil nas noites frias de inverno, quando o céu está limpo e estrelado, não há vento e o ar está seco. Sem nuvens, o chão e as plantas perdem calor a noite toda.

O lugar importa muito. Um documento da Embrapa Clima Temperado explica que, nessas noites, o ar frio é mais denso e se comporta como a água: escorre e se acumula nas partes baixas do terreno. Por isso a Embrapa Uva e Vinho recomenda evitar o plantio em baixadas e fundos de vale, onde as geadas são mais frequentes e mais fortes, e prefere a meia encosta. E quando há vento, mesmo fraco, dificilmente se forma geada. Entre as defesas preventivas citadas estão os quebra-ventos na parte de cima da área e a vegetação rasteira na parte de baixo.
Para quem tem horta, a primeira defesa é o calendário: não deixar as hortaliças de calor no canteiro nos meses em que costuma gear. A segunda é o lugar: se o seu terreno tem uma parte baixa, ela é a mais arriscada nas noites frias.
Você sabia?
Nem toda geada vem de noite sem vento. A Embrapa separa as geadas pela origem: as de radiação, de noites calmas e limpas, e as de advecção, quando chega uma massa de ar muito frio vinda dos polos, com vento.
Na prática
Planeje as hortaliças de calor:
- Descubra em que meses costuma gear onde você mora, se for o caso.
- Plante quiabo, abóbora, pepino e pimenta depois desse período, para que cresçam no calor.
- Observe as partes baixas do terreno numa manhã fria: se a geada aparece primeiro ali, deixe esse lugar para as plantas que aguentam frio.
Fontes
- Embrapa Hortaliças; Sebrae. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Embrapa Hortaliças / Sebrae, Brasília, 2010.
- Mandelli, F. Geada e métodos de controle. Jornal da Fruta (Embrapa Uva e Vinho), 2006.
- Oliveira, R. P. et al. Manejo de pomares de citros contra geadas. Embrapa Clima Temperado, Documentos 346, 2012.
Teste rápido
1 de 3Quando plantar quiabo e abóbora onde o inverno tem geada?
A água marca o calendário
Em boa parte do Brasil, o que mais muda de um semestre para o outro não é a temperatura, é a chuva. No Cerrado, há meses de chuva quase diária e meses sem uma gota. No Semiárido, a chuva se concentra em pouco tempo. Na Amazônia, o problema pode ser o excesso. Neste capítulo você vai aprender a ler o calendário pela água.
Plantar quando a chuva chega
Para quem não tem irrigação, a regra mais importante é simples: as mudas vão para a terra no começo da estação chuvosa. Assim, a planta tem a estação inteira de chuva para firmar as raízes antes da próxima seca. A Embrapa Cerrados dá essa orientação, por exemplo, para a pinha, a fruta-do-conde: o plantio das mudas deve ser feito no início da estação chuvosa, mas, se o pomar for irrigado, pode ser em qualquer época.

A irrigação muda o jogo também na horta. O catálogo de hortaliças da Embrapa diz que, em regiões de inverno suave, é possível plantar abóbora o ano todo, desde que haja irrigação. A cartilha de hortas da Embrapa Amazônia Oriental faz a mesma ressalva para a batata-doce no Pará: ela pode ser plantada o ano todo, desde que se irrigue na falta de chuva.
O calendário do Semiárido
No Semiárido, a água é o relógio que manda. Um capítulo de livro da Embrapa Semiárido descreve o regime de chuvas da região como marcado pela escassez, pela irregularidade e pela concentração das chuvas em um curto período, em média de três meses. A chuva média anual fica abaixo de 800 milímetros, enquanto a evaporação chega a cerca de 2.000 milímetros por ano.

O mesmo texto mostra que, em quase todo o Nordeste, predomina a chuva de verão, entre dezembro e abril, mas que o começo da estação chuvosa muda de um lugar para outro. E, mesmo em anos de chuva perto da média, a forma como ela se distribui ao longo da estação faz muita diferença para a agricultura. Por isso, mais do que decorar meses, vale observar quando as chuvas começam no seu lugar e plantar com elas.
Quando a chuva é demais
No outro extremo está o excesso. Na Amazônia, o clima é de temperatura e umidade altas. A cartilha da Embrapa Amazônia Oriental recomenda, por exemplo, plantar abóbora e berinjela do final do período chuvoso até agosto, e cultivar a alface em ambiente protegido no período chuvoso. Para o cará, a indicação é plantar antes do início das chuvas.
A chuva forte também castiga a horta de outras formas. A Embrapa Hortaliças observa, para a cebola, que nas principais regiões produtoras a maior parte da produção se concentra entre março e novembro, quando as noites são mais frias e não há longos períodos de chuva, o que facilita o controle de doenças.
Você sabia?
Segundo a Embrapa Semiárido, a evaporação na região de Petrolina, em Pernambuco, pode chegar a 3.000 milímetros por ano. É como se uma lâmina de água de três metros de altura sumisse no ar ao longo de um ano.
Na prática
Faça o calendário da água:
- Marque no calendário quando as chuvas costumam começar e terminar onde você mora.
- Programe o plantio de mudas e árvores para o começo das chuvas, se você não tiver como irrigar.
- Se a sua estação de chuvas é muito forte, reserve para ela as plantas que aguentam bem a umidade, e proteja as folhosas.
Fontes
- Cordeiro, M. C. R.; Pinto, A. C. Q.; Ramos, V. H. V. O cultivo da pinha, fruta-do-conde ou ata no Brasil. Embrapa Cerrados, Circular Técnica 9, 2000.
- Embrapa Hortaliças; Sebrae. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Embrapa Hortaliças / Sebrae, Brasília, 2010.
- Souza, M. B.; Martins, V. C. Hortas: recomendações para cultivo no estado do Pará. Embrapa Amazônia Oriental, 2024.
- Moura, M. S. B. et al. Clima e água de chuva no Semi-Árido. In: Potencialidades da água de chuva no Semi-Árido brasileiro, Embrapa Semi-Árido, 2007.
- Embrapa Hortaliças. Cebola: plantio. Portal Embrapa.
Teste rápido
1 de 3Sem irrigação, qual é a melhor hora de levar mudas para a terra?
O relógio da luz
O terceiro relógio é o mais discreto: a quantidade de horas de luz do dia. A gente quase não percebe que o dia encurta no inverno e alonga no verão, mas muitas plantas percebem, e usam essa informação para decidir quando florir ou formar o que a gente colhe. Esse fenômeno se chama fotoperíodo.
O dia não dura sempre 12 horas
Nos equinócios, por volta de 23 de março e 23 de setembro, o dia dura cerca de 12 horas em qualquer lugar do planeta. No resto do ano, isso muda, e muda mais quanto mais longe do Equador. Um texto da Embrapa Trigo dá o exemplo de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul: o dia mais curto do ano, 21 de junho, tem cerca de 10 horas e 12 minutos de luz; o mais longo, 21 de dezembro, tem 13 horas e 48 minutos.

Perto do Equador, a diferença é pequena. A Embrapa Soja lembra que, quanto mais perto da linha do Equador, menor é a variação do fotoperíodo ao longo do ano. No Submédio do Vale do São Francisco, segundo a Embrapa Semiárido, o dia fica entre 11,5 e 12,5 horas de luz.
A cebola e as horas de luz
A cebola é o exemplo clássico. Segundo a Embrapa Semiárido, ela só forma o bulbo, a cabeça, depois que o dia atinge um mínimo de horas de luz, e esse mínimo muda de cultivar para cultivar. As cultivares são divididas em três grupos: as de dias curtos, que exigem de 11 a 12 horas de luz; as intermediárias, de mais de 12 a 14 horas; e as de dias longos, de mais de 14 horas.

Errar o grupo custa caro. A Embrapa Semiárido explica que uma cultivar intermediária plantada no Vale do São Francisco, onde o dia tem de 11,5 a 12,5 horas, pode ter muitas plantas improdutivas, os "charutos", que não formam cabeça. E uma cultivar de dias curtos plantada onde o dia é muito mais longo forma bulbos cedo demais, pequenos, sem valor comercial. O catálogo de hortaliças da Embrapa acrescenta que, de modo geral, a cebola não forma bulbos em dias com menos de 10 horas de luz, e que o calor só acelera o bulbo se as horas de luz exigidas já tiverem sido alcançadas.
Outras plantas que contam as horas
O alho também depende da luz. O catálogo da Embrapa diz que a planta precisa de dias longos e frios para formar o bulbo; as cultivares tardias exigem no mínimo 13 horas de luz por dia, e no centro-sul só podem ser plantadas depois da vernalização, quando os bulbos passam um tempo em câmara fria. As cultivares precoces exigem menos frio e menos horas de luz.
Outras plantas respondem aos dias curtos. No morango, segundo o mesmo catálogo, os dias curtos de outono e inverno favorecem a frutificação. Na abóbora, os dias curtos favorecem a formação de flores femininas, as que viram fruto, o que resulta em maior produtividade.
Você sabia?
A soja é uma planta de dia curto, e por isso cada cultivar se adapta a uma faixa de latitude. Segundo a Embrapa Soja, a solução foi a característica chamada período juvenil longo: cultivares que a têm podem ser usadas numa faixa bem mais ampla de latitudes e de épocas de semeadura.
Na prática
Leve a luz em conta:
- Ao comprar sementes de cebola ou bulbos de alho, confira se a cultivar é indicada para a sua região.
- Desconfie de cultivares trazidas de muito longe, ao norte ou ao sul: a exigência de luz pode não bater com o seu lugar.
- Anote quando o seu morango e a sua abóbora florescem e compare com a época do ano.
Fontes
- Cunha, G. R. O inverno segundo Quintana. Embrapa Trigo, 1999.
- Farias, J. R. B.; Neumaier, N.; Nepomuceno, A. L. Exigências climáticas. Embrapa Soja, SECA: Soja em Carência de Água.
- Costa, N. D. et al. Cultivo orgânico de cebola no Submédio do Vale do São Francisco. Embrapa Semiárido, Circular Técnica 96, 2011.
- Embrapa Hortaliças; Sebrae. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Embrapa Hortaliças / Sebrae, Brasília, 2010.
Teste rápido
1 de 3Em Passo Fundo (RS), quanto dura o dia mais curto do ano?
Monte o seu calendário
Agora que você conhece os três relógios, é hora de juntar tudo num calendário que seja seu: com o clima do seu lugar, as plantas que você quer comer e o tempo que cada uma leva para produzir. Um bom calendário de plantio não é uma tabela copiada da internet, é um caderno que melhora a cada ano.
Quanto tempo cada planta leva
Para planejar, é preciso saber quanto tempo cada planta fica no canteiro. O Catálogo Brasileiro de Hortaliças, da Embrapa e do Sebrae, indica o início da colheita depois do plantio. As diferenças são enormes: o rabanete começa a ser colhido de 25 a 30 dias depois do plantio, e a mandioquinha-salsa leva de 300 a 360 dias.

Saber esses prazos ajuda em duas coisas. A primeira é não perder a janela: se a cenoura de inverno leva de 90 a 110 dias para começar a ser colhida, plantar muito depois da época indicada pode fazer a planta crescer já no calor. A segunda é ocupar o canteiro sem deixar buraco: uma planta rápida, como o rabanete ou a rúcula, cabe no intervalo entre duas culturas mais longas.
Plantar um pouco de cada vez
Quem planta toda a alface de uma vez colhe toda a alface de uma vez, e depois fica sem. Por isso, na horta de casa, vale semear um pouco a cada poucas semanas, dentro da época indicada. O mesmo vale para outras folhosas e raízes de ciclo curto. Assim a colheita fica espalhada ao longo da estação, em vez de concentrada num só fim de semana.
Cinco passos para o seu calendário

O passo mais esquecido é o último. Anotar a data de plantio, a cultivar, a data da primeira colheita e o que aconteceu no meio do caminho transforma tentativas soltas em conhecimento do seu lugar. Depois de dois ou três anos, o seu caderno vai valer mais do que qualquer tabela geral, porque foi feito no seu clima.
O zoneamento da Embrapa
Para as lavouras, o Brasil tem uma ferramenta oficial: o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, o Zarc. Segundo o Ministério da Agricultura, ele é feito pela Embrapa e parceiros há mais de 20 anos, com base em séries históricas de clima, e indica, para mais de 40 culturas, em todos os municípios do país, as janelas de plantio com menor chance de perda por eventos climáticos. O aplicativo gratuito Zarc Plantio Certo mostra a época indicada a partir de quatro informações: município, tipo de solo, cultura e ciclo da planta.
O Zarc serve principalmente a quem planta lavouras, como milho, feijão e mandioca. As hortaliças estão entrando aos poucos: segundo a Embrapa, em 2023 o grão-de-bico e a melancia já tinham zoneamento, e a cebola, o alho, a batata e o tomate estavam previstos para os anos seguintes. Para a maioria das hortaliças de quintal, as tabelas por região do catálogo da Embrapa continuam sendo o melhor ponto de partida.
Você sabia?
Seguir as datas do Zarc é obrigatório para o agricultor que quer acessar o Proagro e o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, segundo o Ministério da Agricultura. O calendário de plantio, ali, vale como condição para o seguro.
Na prática
Monte o seu calendário:
- Faça uma tabela com os 12 meses e marque neles as chuvas, a seca e, se houver, as geadas.
- Para cada planta que você quer, marque a época indicada para a sua região e o tempo até a colheita.
- Comece um caderno de horta e anote cada plantio: data, cultivar, colheita e o que aprendeu.
Fontes
- Embrapa Hortaliças; Sebrae. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Embrapa Hortaliças / Sebrae, Brasília, 2010.
- Ministério da Agricultura e Pecuária. Aplicativo Zarc Plantio Certo ajuda produtor a saber qual a melhor época do ano para plantar. gov.br/agricultura, 2019.
- Macedo, A. (Embrapa). Hortaliças ganham espaço entre culturas incluídas no Zoneamento Agrícola de Risco Climático. Portal Embrapa, 2023.
Teste rápido
1 de 3Qual destas plantas leva mais tempo até a colheita?
Leia no app e ganhe folhas
No app, cada capítulo concluído vira folhas no seu jardim, e você pode ouvir tudo em áudio.
