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Água na paisagem: nascentes, curvas de nível, barraginhas e mata ciliar · 7 capítulos

Plantar água

Faça a terra guardar a chuva: curvas de nível, valas, cochinhos, barraginhas, proteção de nascentes e mata ciliar

Sobre o guia

O último curso da trilha cuida da água de um terreno inteiro: os dois caminhos da chuva e de onde vem a nascente, como achar a curva de nível com o pé-de-galinha e a mangueira, as valas em nível e os cochinhos da Embrapa, as barraginhas que seguram a enxurrada, a proteção das nascentes e a recomposição da mata ciliar segundo o Código Florestal, e o trabalho em microbacia, com os vizinhos.

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Para onde vai a chuva

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Muita gente acha que água se encontra. Quem cuida da terra descobre que água também se planta. Uma nascente que seca, um córrego que vira enxurrada na chuva e some na seca, uma represa assoreada: quase sempre o problema começa no morro, no jeito como a chuva cai e escorre. Este é o último curso da trilha, e o maior em escala: aqui você vai cuidar da água de um terreno inteiro, da encosta à nascente e ao córrego.

A chuva tem dois caminhos

Quando a chuva cai, ela pode entrar na terra ou escorrer por cima dela. No solo coberto de mata, de palha ou de capim, cheio de raízes e de vida, a água entra devagar e vai descendo até os lençóis. No chão nu, pisado pelo gado ou compactado por máquinas, a água não tem por onde entrar: escorre, junta força, leva a terra boa embora e vira erosão. A mesma chuva que abastece uma nascente num terreno pode virar enxurrada no terreno ao lado.

Dois quadros. Solo nu e compactado: a chuva cai e escorre pela encosta numa seta longa, e a enxurrada leva a terra. Solo coberto, com raízes: a chuva cai sobre plantas e entra na terra em várias setas para baixo, e a água abastece o lençol.
A mesma chuva pode virar enxurrada ou nascente.

De onde vem a nascente

A Embrapa Florestas, numa cartilha sobre recuperação de nascentes, explica que as nascentes existem graças ao acúmulo da água da chuva no solo, nos chamados lençóis, que são as caixas-d'água da natureza. O lençol freático, o mais comum e importante, é abastecido pelos terrenos que estão em cima ou perto dele. A água que entra no alto do morro aparece mais abaixo, numa nascente de encosta ou num olho-d'água que borbulha nas partes baixas, às vezes de forma espalhada, formando brejos.

Corte de um morro: no alto, árvores; a chuva entra pela terra e desce até o lençol freático, que corre por baixo; mais abaixo na encosta, a água aflora numa nascente que forma um córrego. Nota: a mata no alto alimenta o lençol.
A água que entra no alto do morro sai na nascente.

O papel da mata

Segundo a mesma cartilha, as árvores renovam suas raízes, que ao apodrecer formam verdadeiras redes de canais no solo, por onde a água da chuva entra fundo. Já as lavouras e pastagens deixam a água penetrar só até o limite de suas raízes. Por isso, conclui a Embrapa Florestas, o desmatamento generalizado é a principal causa de redução da produção de água nas nascentes. Proteger a mata no alto dos morros e em volta das nascentes é proteger a água de quem vive embaixo.

Você sabia?

A Embrapa Florestas lembra que boas práticas de cultivo, como plantio direto, cobertura do solo e terraços, ajudam, mas sozinhas não bastam para repor a capacidade de infiltração do solo: trazer árvores de volta para partes da propriedade faz muita diferença.

Na prática

Observe a água do seu terreno:

  1. Numa chuva forte, veja por onde a água escorre e onde ela some na terra.
  2. Procure sinais de erosão: sulcos, terra lavada, raízes expostas, barro nos córregos.
  3. Descubra de onde vem a água da nascente ou do córrego mais perto de você.

Fontes

  1. Baggio, A. J.; Carpanezzi, A. A.; Felizari, S. R.; Ruffato, A. Recuperação e proteção de nascentes em propriedades rurais de Machadinho, RS. Embrapa Florestas, 2013.

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Segundo a Embrapa Florestas, qual a principal causa da redução de água nas nascentes?

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Achar a curva de nível

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Para segurar a água num morro, a primeira ferramenta é uma linha invisível: a curva de nível. É a linha que atravessa a encosta sempre na mesma altura. Plantar, cavar e construir seguindo essa linha faz a água parar em vez de correr. Neste capítulo, como encontrar a curva de nível com aparelhos simples, que você mesmo pode fazer.

Por que a curva de nível

Uma linha de plantio que desce o morro vira um canal: a enxurrada corre por ela e leva a terra. Uma linha que segue a curva de nível faz o contrário: cada fileira de plantas, cada vala e cada cordão de pedras vira uma pequena barreira que segura a água e dá tempo para ela entrar no solo. Você viu esse princípio no curso Uma roça diversa; agora é hora de marcar a linha no chão.

Três cartões. Pé-de-galinha: um A de madeira com prumo, quando o fio fica no meio está no nível. Nível de mangueira: mangueira transparente com água, o nível é igual nas pontas. Estaqueie a linha: estacas a cada passo e depois ajuste a curva para ficar suave.
Aparelhos simples para achar a curva de nível.

O pé-de-galinha

O pé-de-galinha, também chamado de nível em A, é feito com três sarrafos ou varas pregados na forma da letra A, com cerca de dois metros de abertura. Do vértice de cima pende um fio com um peso, o prumo. Primeiro, com o aparelho num chão plano, marca-se no travessão o ponto onde o fio passa: é o ponto de nível. No morro, apoia-se um pé do A numa estaca e gira-se o outro pé até o fio passar exatamente na marca. Ali vai a próxima estaca. Passo a passo, a linha de estacas desenha a curva de nível.

Vídeo: Aprenda a achar a curva de nível: como montar um pé-de-galinha · RuralCampoCast · 13 min

O nível de mangueira

Outro aparelho simples é a mangueira transparente cheia de água, presa a duas varas. Como a água busca o mesmo nível nas duas pontas, basta mover uma das varas morro acima ou abaixo até a água ficar na mesma marca nas duas. A Embrapa Milho e Sorgo cita os dois jeitos, o nível óptico e a mangueira de plástico transparente, para estaquear as curvas de nível, com estacas de bambu de 20 em 20 metros para guiar a máquina que vai cavar.

Depois de estaqueada, a linha costuma sair com zigue-zagues. Ajuste as estacas para que a curva fique suave, sem cantos, seguindo o desenho do morro. Num terreno grande, marque várias curvas, uma abaixo da outra: o espaçamento entre elas depende da inclinação, e fica menor quanto mais íngreme for o morro.

Você sabia?

As curvas de nível dos mapas topográficos são as mesmas linhas que você marca com o pé-de-galinha: cada uma liga pontos de mesma altitude. Onde elas ficam muito juntas no mapa, o terreno é mais inclinado.

Na prática

Marque a sua primeira curva de nível:

  1. Faça um pé-de-galinha com três varas, um barbante e uma pedra.
  2. Ache o ponto de nível no chão plano e marque no travessão.
  3. Estaqueie uma linha atravessando a encosta e ajuste para ficar suave.

Fontes

  1. Embrapa Milho e Sorgo. Curva de nível com cochinhos (tecnologia social). Fundação Banco do Brasil, banco de tecnologias sociais, s.d..

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O que é uma curva de nível?

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Valas e cochinhos

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Com a curva de nível marcada, é hora de dar à água um lugar para parar. Valas, cordões e cochinhos cavados em nível transformam uma encosta que perde água em uma encosta que a guarda. Neste capítulo, a vala de infiltração e a tecnologia dos cochinhos, da Embrapa Milho e Sorgo.

A vala em nível

A vala de infiltração, chamada na permacultura de swale, é uma vala rasa cavada exatamente na curva de nível. A terra tirada vai para o lado de baixo e forma um camalhão. Quando a enxurrada desce o morro, ela para na vala, espalha-se ao longo dela, porque não há desnível, e infiltra devagar. O camalhão, úmido e fofo, é o lugar perfeito para plantar árvores, frutíferas e adubos verdes, que com o tempo seguram a vala e alimentam o solo.

Corte de uma encosta com duas valas em nível: a água desce o morro, para nas valas e infiltra; do lado de baixo de cada vala, um camalhão com uma árvore. Notas: vala cavada na curva de nível, sem desnível; a terra no lado de baixo forma o camalhão, onde se plantam árvores e frutíferas.
A água que desce o morro para na vala, espalha e infiltra.
Vídeo: Curva de nível com vala de infiltração (swale) · Hortemos · 4 min

Os cochinhos

A Embrapa Milho e Sorgo desenvolveu, com a participação de agricultores familiares, as curvas de nível com cochinhos, para encostas degradadas com declividade até 25%. Os cochinhos são escavações lineares feitas com retroescavadeira dentro das curvas de nível, com até 70 centímetros de profundidade, 80 de largura e 8 metros de comprimento. Entre eles ficam trechos de 3 metros sem cavar, rebaixados em até 20 centímetros, para passar o excesso de água de um cochinho para o outro.

Cinco passos das curvas de nível com cochinhos: estaqueie as curvas de nível com nível óptico ou mangueira, estacas a cada 20 metros; cave os cochinhos na curva, até 70 centímetros de fundo, 80 de largura e 8 metros de comprimento; deixe trechos de 3 metros sem cavar, rebaixados até 20 centímetros; a enxurrada para e infiltra, formando faixas úmidas; onde o terreno é mais plano, até 12%, as barraginhas fazem o mesmo papel.
Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo para encostas.

Segundo a Embrapa, os cochinhos atuam como as barraginhas, que você vai conhecer no próximo capítulo, mas entram nas áreas com declividade acima de 12%, onde elas não são recomendadas. Os objetivos são captar a chuva, acabar com as enxurradas, favorecer a infiltração, criar faixas úmidas para lavouras, hortas e pomares, recarregar o lençol, revitalizar nascentes e córregos e até recuperar voçorocas, as grandes erosões.

Vídeo: Embrapa mostra como realizar o terraceamento em nível · Embrapa · 6 min

Você sabia?

A Embrapa Milho e Sorgo explica como as erosões começam: depois do desmatamento, o pisoteio do gado nas chuvas impermeabiliza o solo, a água escorre por cima e forma erosões que podem chegar a voçorocas, assoreando os córregos.

Na prática

Segure a água numa encosta:

  1. Escolha uma encosta onde a enxurrada passa e marque uma curva de nível.
  2. Cave uma vala rasa na curva e jogue a terra no lado de baixo.
  3. Plante mudas no camalhão e observe a vala depois da próxima chuva.

Fontes

  1. Embrapa Milho e Sorgo. Curva de nível com cochinhos (tecnologia social). Fundação Banco do Brasil, banco de tecnologias sociais, s.d..

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Para que declividade servem os cochinhos da Embrapa?

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Barraginhas

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Uma das tecnologias sociais mais bem-sucedidas do Brasil para segurar a água da chuva cabe numa palavra: barraginha. São pequenas bacias espalhadas pelas pastagens e lavouras, que seguram a enxurrada e devolvem a água ao lençol. Neste capítulo, como elas funcionam e como chegaram a milhares de propriedades.

O que é uma barraginha

Segundo a Embrapa Milho e Sorgo, de Sete Lagoas, em Minas Gerais, as barraginhas são pequenos açudes construídos de forma dispersa nas propriedades, que captam as enxurradas durante as chuvas. Elas enchem e esvaziam várias vezes ao longo da estação, porque a água infiltra, recarrega o lençol freático e revitaliza os mananciais que mantêm os córregos e rios. Ao mesmo tempo, umedecem as baixadas, amenizam os veranicos e diminuem a erosão, o assoreamento e as enchentes.

Uma barraginha vista de lado: a enxurrada chega por uma seta e enche uma bacia rasa em forma de prato, com a terra escavada formando uma borda; setas mostram a água infiltrando no solo. Notas: diâmetro médio de 16 metros, formato de prato ou meia-lua; profundidade média de 1,8 metro; uma para cada enxurrada do terreno; enche e esvazia várias vezes em cada estação de chuva.
Pequena bacia que segura a enxurrada e devolve a água ao lençol.

Como são feitas

Um documento da Embrapa Milho e Sorgo de 2013 descreve as barraginhas como pequenas bacias escavadas em formato de prato ou meia-lua, com diâmetro médio de 16 metros e profundidade média de 1,8 metro. Elas são construídas de forma dispersa nas pastagens e lavouras, uma para cada volume significativo de enxurrada que pode se formar, de acordo com o relevo. Quem melhor sabe onde estão as enxurradas é o próprio produtor. Cada barraginha leva, em média, uma hora de máquina em solo macio e úmido, e uma hora e meia em solo firme e seco.

A lógica é a de muitas barraginhas pequenas, e não de uma represa grande. Espalhadas pelo terreno, elas seguram a água perto de onde ela cai, antes que a enxurrada ganhe força. E o produtor vai aprendendo: a cada estação de chuvas, vê os resultados e escolhe melhor os pontos das próximas.

Vídeo: Integração de barraginhas e lago garante água em propriedades rurais · TV Embrapa · 14 min

Da Estiva para o Brasil

Em 1998, no projeto piloto na comunidade de Estiva, em Sete Lagoas, foram construídas 960 barraginhas na bacia do Ribeirão Paiol. Segundo a Embrapa, essa vitrine passou a demonstrar na prática a reversão da degradação do solo e a revitalização de nascentes, mananciais e do próprio ribeirão. Desde então, a tecnologia se espalhou com uma metodologia de mobilização das comunidades: palestra, visita a uma vitrine, treinamento prático e construção. Em Minas Gerais, mais de 400 técnicos foram treinados e milhares de barraginhas foram construídas, beneficiando mais de 30 mil famílias.

Você sabia?

A Embrapa compara as fases de mobilização das comunidades a um namoro à moda antiga: a palestra é o pegar na mão, a visita à vitrine é o primeiro beijo, o treinamento é o noivado, e a construção, o casamento.

Na prática

Encontre o lugar das barraginhas:

  1. Numa chuva forte, marque os caminhos por onde a enxurrada corre no seu terreno.
  2. Escolha pontos onde a enxurrada possa ser parada antes de ganhar força.
  3. Procure a Emater ou o sindicato rural para saber de máquinas e treinamentos na região.

Fontes

  1. Embrapa Milho e Sorgo. Barraginhas de captação de águas superficiais de chuvas (tecnologia social). Fundação Banco do Brasil, banco de tecnologias sociais, s.d..
  2. Landau, E. C.; Barros, L. C.; Ribeiro, P. E. A.; Barros, I. R. Abrangência geográfica do Projeto Barraginhas no Brasil. Embrapa Milho e Sorgo, Documentos 159, 2013.

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Por que a barraginha enche e esvazia várias vezes nas chuvas?

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Proteger a nascente

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Uma nascente é o começo de um rio. Pisada pelo gado, sem mata em volta e com o morro desmatado acima, ela enfraquece e pode secar. Protegida, pode voltar a correr com força. Neste capítulo, o que a lei diz sobre as nascentes e os passos para protegê-las e recuperá-las.

O que diz a lei

O Código Florestal, a Lei 12.651, de 2012, define como Área de Preservação Permanente, a APP, o entorno das nascentes e dos olhos-d'água perenes, qualquer que seja a situação topográfica, num raio mínimo de 50 metros. A APP existe para proteger a água, o solo e a biodiversidade, e nela a vegetação deve ser mantida ou recuperada. Para as áreas já ocupadas antes de 2008, a lei traz regras próprias de recomposição, que variam com o tamanho da propriedade; o órgão ambiental do seu estado e o Cadastro Ambiental Rural dizem o que vale para cada caso.

Um círculo de 50 metros de raio em volta de uma nascente, com árvores e um córrego saindo dela. Notas: cerque toda a área, sem gado pisando a nascente; último arame liso a 70 centímetros do chão, para os bichos silvestres passarem; deixe a mata voltar e plante nativas da região; água para o gado fora da área, num bebedouro abaixo da nascente.
Código Florestal: raio mínimo de 50 metros em volta das nascentes perenes.

Cercar primeiro

A cartilha da Embrapa Florestas sobre recuperação de nascentes é clara: o primeiro passo indispensável para o sucesso de qualquer método de recuperação é o isolamento da área com cercas convencionais, que impedem o acesso dos animais domésticos e das pessoas. E dá uma dica valiosa: pelo menos o último arame, o de baixo, deve ser liso e ficar a uns 70 centímetros do chão, para permitir a passagem dos animais silvestres. Com o gado fora, o solo deixa de ser pisoteado, a água para de virar lama e a vegetação começa a voltar.

O gado continua precisando de água. Uma solução comum é levar a água da nascente, por gravidade, a um bebedouro fora da área cercada, mais abaixo. Assim os animais bebem água limpa e a nascente fica protegida.

Vídeo: Proteção de nascente: passo a passo do método Caxambu · RuralCampoCast · 14 min

Deixar a mata voltar

Com a área cercada, a natureza começa a trabalhar. Onde há mata por perto, a regeneração natural costuma ser rápida: sementes trazidas pelo vento e pelos bichos germinam sozinhas. Onde a regeneração é fraca, planta-se. Na experiência da Embrapa Florestas em Machadinho, no Rio Grande do Sul, foram usadas espécies nativas da região, alternando espécies de abrigo, que crescem rápido e protegem, e espécies de crista, que crescem mais devagar e formam a mata adulta. Proteja também o morro acima da nascente, de onde vem a água que a alimenta.

Você sabia?

Segundo a Embrapa Florestas, as nascentes podem ser de encosta, quando o lençol fica retido numa parte alta do terreno e a água aflora no morro, ou de depressão, nas partes baixas, como olhos-d'água que borbulham ou de forma difusa, formando brejos.

Na prática

Cuide de uma nascente:

  1. Localize as nascentes da sua propriedade ou da sua comunidade.
  2. Veja se estão cercadas e se o gado tem água fora delas.
  3. Planeje a cerca com o arame de baixo liso, a uns 70 centímetros do chão.

Fontes

  1. Prefeitura de Jundiaí (transcrição da Lei Federal 12.651/2012, art. 4º). Conceito de áreas legalmente protegidas. jundiai.sp.gov.br, s.d..
  2. Baggio, A. J.; Carpanezzi, A. A.; Felizari, S. R.; Ruffato, A. Recuperação e proteção de nascentes em propriedades rurais de Machadinho, RS. Embrapa Florestas, 2013.

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Qual o raio mínimo da APP em volta de uma nascente perene?

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Mata ciliar

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A mata que acompanha as margens dos rios e córregos é chamada de mata ciliar, porque protege a água como os cílios protegem os olhos. Ela segura as margens, filtra a terra e os venenos que viriam das lavouras, sombreia a água e serve de corredor para os bichos. Neste capítulo, o que diz a lei e como recompor a mata ciliar.

A faixa da lei

O Código Florestal define como Área de Preservação Permanente as faixas marginais de qualquer curso d'água natural perene e intermitente, medidas desde a borda da calha do leito regular. A largura mínima depende da largura do rio: 30 metros para cursos d'água de menos de 10 metros de largura; 50 metros para os de 10 a 50 metros; 100 metros para os de 50 a 200 metros; 200 metros para os de 200 a 600 metros; e 500 metros para os maiores. A maioria dos córregos de sítio está na primeira faixa: 30 metros de mata de cada lado.

Tabela com a faixa mínima de mata ciliar em cada margem: rio com menos de 10 metros, 30 metros; de 10 a 50 metros, 50 metros; de 50 a 200 metros, 100 metros; de 200 a 600 metros, 200 metros; mais de 600 metros, 500 metros. Nota: áreas já ocupadas antes de 2008 têm regras próprias de recomposição, conforme o tamanho do imóvel; consulte o órgão ambiental.
Código Florestal, art. 4º.

Como nas nascentes, as propriedades com áreas já ocupadas antes de 2008 seguem regras de recomposição que dependem do tamanho do imóvel. Mas, independentemente do mínimo da lei, quanto mais larga e mais diversa a mata ciliar, mais ela protege a água.

Como recompor

O primeiro passo é o mesmo das nascentes: cercar, para o gado não pisotear as margens nem comer as mudas. Depois, observe o que já está nascendo. Onde há regeneração natural, ela pode ser conduzida: tirar o capim que abafa as mudinhas nativas e protegê-las. Onde não há, planta-se.

Uma linha de plantio na margem de um rio, alternando árvores maiores, de abrigo, que crescem rápido e fazem sombra, com árvores menores, de crista, que crescem devagar e formam a mata.
Espécies de abrigo e de crista se alternam na linha.

Na recuperação de nascentes em Machadinho, a Embrapa Florestas alternou, uma a uma, espécies de abrigo, as protetoras, como a bracatinga, e espécies de crista, que formam a floresta madura. As de abrigo crescem rápido, fazem sombra, abafam o capim e criam o ambiente para as de crista. É a mesma lógica de sucessão que você viu no curso Plantar uma floresta. Use espécies nativas da sua região, incluindo frutíferas que atraem os bichos dispersores de sementes.

Vídeo: Projeto de recuperação de mata ciliar em área urbana: Matinha da Garça (18 meses) · Coletivo Cultivar · 4 min

Você sabia?

Na experiência de Machadinho, a Embrapa Florestas já sabia que a regeneração natural era intensa nas áreas em pousio da região, por causa da abundância de fragmentos de mata por perto: a floresta vizinha é a melhor fornecedora de sementes.

Na prática

Comece a recompor uma margem:

  1. Meça a largura do córrego e veja qual faixa de mata ciliar se aplica.
  2. Observe a regeneração: quais mudas nativas já estão nascendo sozinhas.
  3. Liste espécies de abrigo e de crista da sua região para completar o plantio.

Fontes

  1. Prefeitura de Jundiaí (transcrição da Lei Federal 12.651/2012, art. 4º). Conceito de áreas legalmente protegidas. jundiai.sp.gov.br, s.d..
  2. Baggio, A. J.; Carpanezzi, A. A.; Felizari, S. R.; Ruffato, A. Recuperação e proteção de nascentes em propriedades rurais de Machadinho, RS. Embrapa Florestas, 2013.

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Qual a faixa mínima de mata ciliar num córrego com menos de 10 m de largura?

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A água de uma paisagem

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A água não respeita cercas. A chuva que cai no morro do vizinho abastece a sua nascente; a enxurrada que sai do seu terreno assoreia o córrego da comunidade. Por isso, cuidar da água de verdade é um trabalho de muitas mãos, numa escala maior que a propriedade: a microbacia. Neste capítulo final, como juntar tudo o que você aprendeu, e o fim da trilha.

Pensar em microbacia

Microbacia é a área de terra que drena para um mesmo córrego: do topo dos morros, onde a chuva cai, até o fundo do vale, onde a água corre. Tudo o que acontece nela chega ao córrego. Um plano para a água de uma microbacia junta os vizinhos e segue uma ordem lógica: proteger os topos e as nascentes, segurar a enxurrada nas encostas, recompor as margens e acompanhar os resultados.

Cinco passos para cuidar da água de uma microbacia: mapeie a microbacia do topo do morro até o córrego, com os vizinhos; proteja os topos e as nascentes, com mata no alto e cerca em volta das nascentes; segure a enxurrada nas encostas, com curvas de nível, valas, cochinhos e barraginhas; recomponha a mata ciliar nas margens; acompanhe as nascentes, anotando a vazão nas secas, ano após ano.
A água não respeita cercas: o trabalho rende quando é feito junto.

Exemplos que funcionaram

O projeto piloto das barraginhas, em 1998, não foi numa propriedade: foram 960 barraginhas numa bacia inteira, a do Ribeirão Paiol, em Sete Lagoas, construídas com a comunidade da Estiva. Segundo a Embrapa Milho e Sorgo, a vitrine mostrou na prática a revitalização de nascentes, mananciais e do próprio ribeirão. E a tecnologia se espalhou exatamente assim, de comunidade em comunidade, com o apoio de prefeituras, sindicatos, comitês de bacia, igrejas e organizações.

Em Aimorés, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, o Instituto Terra, criado por Lélia Wanick Salgado e Sebastião Salgado, replantou a mata atlântica numa antiga fazenda de gado degradada, e as nascentes da área voltaram a correr. Hoje o instituto apoia a recuperação de nascentes de produtores da região.

Vídeo: Projeto do Instituto Terra ajuda a recuperar nascentes · Instituto Terra · 5 min

Medir para ver

Nascente recuperada é algo que se mede. Uma forma simples é cronometrar quanto tempo a água da nascente leva para encher um balde de volume conhecido, sempre no mesmo ponto e no auge da seca, ano após ano. Se o tempo diminui, a vazão está aumentando. Anotar esses números no caderno de campo mostra, para você e para os vizinhos, que plantar água funciona.

O fim da trilha

Você começou com um vaso na janela. Passou pela varanda, pela horta, pelo composto e pela água da casa; guardou sementes, plantou uma roça, um pomar e uma floresta. Agora cuida da água de uma paisagem inteira. Cada etapa da trilha é um jeito diferente de fazer a mesma coisa: deixar a terra mais viva do que você a encontrou. E a trilha não acaba aqui. Ela continua no seu quintal, na sua comunidade e em cada pessoa que você ensinar.

Você sabia?

Segundo a Embrapa Milho e Sorgo, onde o projeto Barraginhas chegou, muitas comunidades deixaram de depender do caminhão-pipa e passaram a ter água para hortas, criação de peixes e animais.

Na prática

Leve o cuidado com a água para a comunidade:

  1. Descubra qual é a sua microbacia e quem são os vizinhos que vivem nela.
  2. Comece a medir a vazão de uma nascente no auge da seca.
  3. Convide os vizinhos para um mutirão: uma cerca de nascente, uma vala ou um plantio.

Fontes

  1. Embrapa Milho e Sorgo. Barraginhas de captação de águas superficiais de chuvas (tecnologia social). Fundação Banco do Brasil, banco de tecnologias sociais, s.d..

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O que é uma microbacia?

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